| Isso não significa que essa soberania, essa hegemonia, essa força superior da razão lógica tenha se sobreposto contra um pensamento do logos que seria ele mesmo inocente e estrangeiro a toda força. Trata-se antes de um conflito entre mais de uma força. Pois o legein e o logos como reunião, como Sammlung ou Versammlung, que Heidegger considera como mais originária do que o logos como razão ou lógica, é já um desdobramento de força e de violência. O recolhimento nunca é, diz Heidegger, um simples colocar junto, uma simples acumulação, ele é aquilo que retém em um pertencimento mútuo (Zusammengehörigkeit) sem deixar se dispersar. E nessa retenção, o logos tem já o caráter violento de uma predominância ou, como se traduz, de um predomínio, Durchwalten, da physis [^Idem, p. 102; tr. fr., p. 147.]. A physis é essa Gewalt, desse desdobramento de força que não se dissolve no vazio de uma ausência de contrastes ou de contrários (in eine leere Gegensatzlosigkeit), mas mantém aquilo que é assim “durchwaltete”, atravessado, entorpecido pelo desdobramento da soberania, ou das forças, na mais alta acuidade de sua tensão (em sua tensão ela mesma extrema, poder-se-ia dizer soberana, “in der höchsten Schärfe seiner Spannung). Portanto, o logos é ele mesmo, de qualquer maneira que nós o interpretemos, como recolhimento, Sammlung, ou, mais tardiamente, como lógica, razão ou entendimento, o logos é já, sempre, da ordem do poder, da força, até mesmo da violência, dessa Gewalt tão difícil de traduzir (força, violência, potência, poder, autoridade: com frequência poder político legítimo, força da ordem: walten é reinar, dominar, comandar, exercer um poder com frequência político; a soberania, o exercício da soberania é da ordem do walten e da Gewalt). | Isso não significa que essa soberania, essa hegemonia, essa força superior da razão lógica tenha se sobreposto contra um pensamento do logos que seria ele mesmo inocente e estrangeiro a toda força. Trata-se antes de um conflito entre mais de uma força. Pois o legein e o logos como reunião, como Sammlung ou Versammlung, que Heidegger considera como mais originária do que o logos como razão ou lógica, é já um desdobramento de força e de violência. O recolhimento nunca é, diz Heidegger, um simples colocar junto, uma simples acumulação, ele é aquilo que retém em um pertencimento mútuo (Zusammengehörigkeit) sem deixar se dispersar. E nessa retenção, o logos tem já o caráter violento de uma predominância ou, como se traduz, de um predomínio, Durchwalten, da physis [^Idem, p. 102; tr. fr., p. 147.]. A physis é essa Gewalt, desse desdobramento de força que não se dissolve no vazio de uma ausência de contrastes ou de contrários (in eine leere Gegensatzlosigkeit), mas mantém aquilo que é assim “durchwaltete”, atravessado, entorpecido pelo desdobramento da soberania, ou das forças, na mais alta acuidade de sua tensão (em sua tensão ela mesma extrema, poder-se-ia dizer soberana, “in der höchsten Schärfe seiner Spannung). Portanto, o logos é ele mesmo, de qualquer maneira que nós o interpretemos, como recolhimento, Sammlung, ou, mais tardiamente, como lógica, razão ou entendimento, o logos é já, sempre, da ordem do poder, da força, até mesmo da violência, dessa Gewalt tão difícil de traduzir (força, violência, potência, poder, autoridade: com frequência poder político legítimo, força da ordem: walten é reinar, dominar, comandar, exercer um poder com frequência político; a soberania, o exercício da soberania é da ordem do walten e da Gewalt). |