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estudos:bollnow:espaco:tempo-vivido

Tempo vivido

BOLLNOW, Otto Friedrich. Human space. Christine Shuttleworth. London: Hyphen, 2011.

O problema do tempo na existência humana tem ocupado os filósofos de tal forma nas últimas décadas que quase se poderia descrevê-lo como o problema fundamental da filosofia contemporânea. Bergson foi provavelmente o primeiro a formulá-lo de maneira convincente como o problema da “durée” — vivida concretamente, em oposição àquela que é objetivamente mensurável —, e logo em seguida Simmel introduziu essa questão na Alemanha. Mais tarde, Heidegger, no âmbito de sua ontologia existencial, colocou de forma decisiva a questão da temporalidade da existência humana no centro de toda a sua filosofia, tornando-a assim visível pela primeira vez em todo o seu significado. Sartre e Merleau-Ponty, por sua vez, retomaram essas ideias e as difundiram na França. Mas o mesmo problema, a partir desse impulso, também se mostrou extremamente produtivo nas ciências específicas e provocou uma discussão muito ampla, rica em novas questões e resultados, tanto na psicologia e na psicopatologia quanto na história da literatura e nas demais disciplinas das artes e das humanidades. Aqui, limitar-nos-emos a referir, dentre a extensa e complexa literatura, à obra seminal de Minkowski sobre o “temps vécu” [tempo vivido].

O problema da condição espacial da existência humana ou, para dizer de forma mais simples, do espaço concreto experimentado e vivido pelos seres humanos, permaneceu, em contrapartida, bastante em segundo plano, o que é surpreendente quando se considera a ligação tradicional, quase proverbial, entre as questões do tempo e do espaço. É certo que, já na década de 1930, na psicologia e na psicopatologia, a questão do espaço vivenciado foi abordada com vigor, evidentemente sob forte influência de Heidegger, em estreita conexão com as pesquisas simultâneas sobre o tempo. Durckheim, em sua obra *Untersuchungen zum gelebten Raum* [Investigações sobre o espaço vivenciado], foi provavelmente o primeiro a desenvolver essa questão na área de língua alemã. Mais ou menos na mesma época, Minkowski, no livro sobre o “temps vecu” já mencionado, também introduziu os conceitos de “distance vécue” e “espace vécu”, que logo depois desenvolveu mais a fundo em *Vers une cosmologie?*. Da literatura psicopatológica, mencionaremos apenas os trabalhos de Straus e Binswanger, aos quais voltaremos repetidamente no decorrer de nossas observações. Mas essas abordagens muito interessantes não tiveram repercussão na área mais restrita da filosofia e, de fato, parecem ter sido logo esquecidas fora dos círculos médicos. Em comparação com o tempo, que diz respeito ao âmago mais íntimo da humanidade, o espaço parecia filosoficamente menos gratificante, pois parecia pertencer apenas ao ambiente externo da humanidade.

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