Caron (2005:190-191 nota) – fenomenologia inacabada

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A razão pela qual a fenomenologia perde assim a sua vocação para a Coisa e se dispersa nas coisas ou nos fenômenos, é este gosto ilimitado por análises concretas que não cumprem a exigência de um regresso à fonte do desdobramento do ego. É precisamente isto que atrai muitos zelotas a Husserl, inebriados pelo luxo da análise fenomenológica e pelas possibilidades que ela oferece, perdendo de vista o fato de Husserl ter sofrido, até ao fim da sua vida e segundo ele próprio admitiu, de não poder fundar satisfatoriamente a fenomenologia. A comprová-lo estão os muitos atrasos na publicação das Meditações Cartesianas, que Husserl apresentou como a obra da sua vida, porque era suposto estabelecer os fundamentos definitivos da fenomenologia, mas que nunca foram realmente concluídas e, portanto, não foram publicadas durante a sua vida.

Original

CARON, Maxence. Pensée de l’être et origine de la subjectivité. Paris: CERF, 2005.

Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

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