Carman (2003:129-130) – regiões ontológicas

É interessante notar que Heidegger rejeita o discurso de Husserl sobre as “regiões” ontológicas como limitadas a uma compreensão estritamente categorial das entidades, excluindo nossa compreensão existencial de nós mesmos. Já por volta de 1920, em seus “Comentários sobre a psicologia das visões de mundo de Karl Jaspers”, por exemplo, Heidegger diz sobre “a experiência fundamental autenticamente realizada do ‘eu sou’” que “ater-se puramente a essa realização da experiência revela a estranheza específica do ‘eu’ para regiões e domínios objetivos” (Weg/GA9, 29). “Daí a necessidade de uma suspeita radical… de todos os preconceitos objetivantes regionais (Vorgriffe)” (Weg/GA9, 30). A rejeição de Heidegger à concepção de regiões ontológicas de Husserl também está claramente ligada à sua noção de que o Dasein não pode compreender a si mesmo meramente como a instanciação simbólica de um tipo geral, como a redução eidética parece exigir: A experiência fática da própria vida (…) não é nada como uma região na qual eu me encontro, ou um universal cuja individuação seria o eu” (Weg/GA9, 32).

(CARMAN, Taylor. Heidegger’s Analytic: Interpretation, Discourse and Authenticity in Being and Time. New York: Cambridge University Press, 2003)

Excertos de

Heidegger – Fenomenologia e Hermenêutica

Responsáveis: João e Murilo Cardoso de Castro

Twenty Twenty-Five

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