Propositadamente é citado o “erigir” como “primeiro” entre os três modos. Não como se produzisse de si os outros. Também não é o fundar primeiramente conhecido, nem o mais das vezes reconhecido. Contudo, cabe a ele justamente uma primazia, que se mostra no fato de que já a clarificação precedente da transcendência, não pôde evitá-lo. Este “primeiro” fundar não é outra coisa que o projeto do em-vista-de. Se este deixar imperar livremente mundo foi determinado como transcendência, se ao projeto de mundo como fundar, porém, também pertencem necessariamente os outros modos de fundar, então resulta que, até agora, nem a transcendência nem a liberdade foram levadas à sua plena determinação. Não há dúvida de que no projeto de mundo do ser-aí reside sempre o fato de que retorna ao ente na e pela ultrapassagem. O em-vista-de, projetado no ante-(pro)-jeto, aponta de volta para o ente em sua totalidade que pode ser desvelado neste horizonte do mundo. Ao ente pertence sempre, seja em que níveis de distinção e graus de expressividade for: ente como ser-aí e ente que não possui o caráter de ser-aí. Mas, no projeto de mundo, este ente, contudo, não está revelado em si mesmo. Sim, deveria permanecer velado, se o ser-aí projetante como projetante não estivesse já também, em-meio àquele ente. Este “em-meio-a…” não significa nem ocorrer entre outros entes, nem também: orientar-se para este ente, tendo um determinado comportamento face a ele. Este estar-em-meio-a… faz muito antes parte da transcendência. Aquilo que ultra-passa e que assim se alteia deve, como tal, estar situado em meio ao ente. Enquanto assim situado, o ser-aí é ocupado pelo ente de tal maneira que, pertencendo ao ente, é por ele perpassado pela disposição. Transcendência significa projeto de mundo, mas de maneira tal que aquele que projeta id é também perpassado pela disposição por obra do ente, que ele ultrapassa. Com uma tal ocupação (Eingenommenheit) pelo ente, a qual faz parte da transcendência, o ser-aí tomou-chão (assento) em meio ao ente, conquistou “fundamento”. Este “segundo” fundar não surge após o “primeiro”, mas é com ele “simultâneo”. Com isto não se quer dizer que eles existem no mesmo agora, mas: projeto de mundo e ocupação pelo ente fazem, como modos de fundar, respectivamente, parte de uma temporalidade, na medida em que constituem sua temporalização (Zeitigung). Mas, do mesmo modo como o futuro precede “no” tempo, mas somente se temporaliza na medida em que justamente tempo, isto é, também passado e presente se temporalizam na específica unidade-do-tempo, assim também os modos de fundar que se originam na transcendência mostram esta conexão. Esta correspondência, porém, subsiste porque a transcendência radica na essência do tempo, isto é, em sua constituição ek-stático-horizontal (A interpretação temporal da transcendência fica total e intencionalmente de lado nesta consideração. (N. do A.)). SOBRE A ESSÊNCIA DO FUNDAMENTO