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estudos:zimmerman:mundo-enquanto-espelhamento-mutuo-1982

MUNDO ENQUANTO ESPELHAMENTO MÚTUO (1982:236-237)

ZIMMERMAN, Michael E. Eclipse of the Self. Athens: Ohio University Press, 1982.

  • A ideia de que o mundo se constitui pelo espelhamento mútuo de seus elementos remete à concepção de Leibniz segundo a qual cada mônada reflete o mundo a partir de seu ponto de vista, embora Heidegger, já em 1926, critique a descrição leibniziana das mônadas como “sem janelas”, afirmando que elas são aberturas auto-reunidoras nas quais o mundo pode se espelhar.
    • As mônadas não estão alojadas em um sujeito.
    • Elas funcionam como centros de abertura.
    • O mundo é totalidade auto-coletora desses centros reflexivos.
    • Em 1928, Heidegger destaca a mônada como speculum vitale.
    • O espelhamento é ativo, indivisível e impulsivo.
    • O desvelamento do mundo ocorre no modo monádico.
    • O espelhamento antecipa o universo uno em ponto de vista simples.
  • A afinidade de Heidegger com Leibniz decorre em parte da herança aristotélica comum, especialmente da ideia de que um jogo circular unifica os elementos do mundo e permite sua manifestação recíproca.
    • Aristóteles concebe Deus como pensamento autocirculante.
    • Deus atrai os entes a imitarem sua atividade.
    • Os entes realizam seus potenciais nesse ciclo.
    • Para Heidegger, o jogo circular permite presenças mútuas.
    • Ereignis não é supercoisa nem criador de substâncias.
    • Ereignis é abismo (Ab-grund), não fundamento.
  • A tradição metafísica desenvolveu-se segundo a exigência de um fundamento último da realidade, passando de Aristóteles ao Princípio da Razão Suficiente de Leibniz, até culminar na centralidade da razão humana que substitui Deus como fundamento e conduz à autodeificação moderna e à era da Technik.
    • Aristóteles concebe Deus como actus purus.
    • O fundamento explica a existência do contingente.
    • Leibniz formula o Satz vom Grund.
    • A razão humana passa a fornecer fundamentos suficientes.
    • A realidade orienta-se em torno do homem.
    • A autodeificação conduz à era tecnológica.
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