estudos:zimmerman:jogo-cosmico-de-revelacao-velacao-1982
O JOGO CÓSMICO DE REVELAÇÃO/VELAÇÃO (1982:203-204)
ZIMMERMAN, Michael E. Eclipse of the Self. Athens: Ohio University Press, 1982.
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À medida que o jogo cósmico de revelação e velamento se tornou progressivamente oculto, configuraram-se diferenças decisivas entre os mundos antigo, medieval e moderno, de modo que a história da filosofia pode ser compreendida como relato do desaparecimento gradual do transcendente na civilização ocidental.
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O homem moderno é caracterizado como arrogante e egocêntrico.
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Em Platão, o Ser significa presença permanente como ideia ou eidos.
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Em Aristóteles, o Ser é presença relativamente permanente como physis.
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Deus, para Aristóteles, atrai os entes à autoperfeição.
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No mundo medieval, o Ser é presença criatural na grande cadeia do Ser.
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Deus garante a presença contingente das criaturas.
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No mundo moderno, o Ser é representabilidade para o sujeito racional.
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O homem moderno vive sem sentido do transcendente.
A distinção entre Ser e entes, entre presença como tal e os entes presentes, foi apenas vagamente intuída pelos primeiros gregos, sendo o vislumbre de Heráclito acerca do Ser dos entes considerado fonte oculta do destino do Ocidente.-
Heidegger remete a Heráclito como origem velada.
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A doutrina do logos pode reatualizar indiretamente esse vislumbre.
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Logos deriva de legein, reunir e abrigar.
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Abrigar significa deixar-ser e dar lugar.
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A fundação humana de um mundo depende de sintonia com o logos cósmico.
O logos, enquanto reúne e abriga, permite que o presente se mostre em sua presença, identificando-se com aletheia como não velamento que pressupõe o velamento (lethe), de modo que revelação e ocultação pertencem conjuntamente ao acontecer da manifestação.-
Logos e aletheia são o mesmo.
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Toda revelação liberta do velamento.
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A aletheia repousa no lethe.
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O Logos é simultaneamente revelador e velador.
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A manifestação exige ocultação.
Embora Heráclito tenha percebido a intrínseca conexão entre velamento e não velamento e se aproximado da distinção entre Ser e entes, ele não a explicitou conceitualmente, e os pensadores gregos subsequentes buscaram expressar o Mesmo como unidade do Unificador sob diferentes nomes.-
Heráclito fala em logos.
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Parmênides refere-se a moira.
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Anaximandro menciona ehreon.
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Platão formula eidos.
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Aristóteles emprega energeia e ousia.
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Todos procuram expressar a unidade unificadora.
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