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estudos:zahavi:experiencia

Experiência

DZ2014

  • Transparência e anonimato da experiência
    • Sustento que a consciência fenomenal implica necessariamente alguma forma de autoconsciência, ainda que mínima, e que negar essa implicação conduz a uma concepção empobrecida e eliminativista da experiência.
    • Analiso criticamente a tese da transparência, segundo a qual a experiência consciente nos daria acesso apenas aos objetos intencionais e nunca às próprias vivências, mostrando que tal tese não consegue explicar adequadamente a diferença entre estados conscientes e não conscientes.
    • Argumento que a experiência não é meramente um meio transparente para o mundo, mas envolve uma dimensão automanifestante que não se reduz às propriedades dos objetos representados.
  • Crítica ao externalismo fenomenal
    • Examino a posição de Fred Dretske, segundo a qual o caráter qualitativo da experiência é inteiramente constituído pelas propriedades representadas dos objetos externos.
    • Defendo que essa posição falha em explicar a para-mim-idade [for-me-ness] da experiência, isto é, o fato de que toda experiência consciente é vivida como sendo minha.
    • Sustento que, se a experiência apresentasse apenas propriedades objetivas, não haveria critério interno para distinguir entre consciência e zumbificação, o que torna a teoria implausível.
  • Autoconsciência pré-reflexiva e minhadade
    • Reafirmo que a autoconsciência relevante para a constituição da experiência não é reflexiva nem objetivante, mas pré-reflexiva, isto é, inerente ao próprio ocorrer da vivência.
    • Caracterizo a minhadade [mineness] como uma modificação estrutural do modo de vivenciar, e não como um conteúdo adicional ou uma qualidade isolável da experiência.
    • Rejeito a ideia de que a minhadade exija capacidades conceituais, linguísticas ou reflexivas, defendendo sua presença também em bebês, animais não humanos e sujeitos em estados de absorção prática.
  • Objeções desenvolvimentais e sociais à autoconsciência mínima
    • Analiso criticamente posições que sustentam que a autoconsciência e a subjetividade emergem apenas a partir da interação social ou da aquisição de pensamentos em primeira pessoa.
    • Discuto propostas segundo as quais a subjetividade seria construída por meio de espelhamento afetivo e reconhecimento interpessoal, como nas teorias de Gergely.
    • Argumento que tais propostas confundem a emergência de formas reflexivas e tematizadas do si-mesmo com a existência de uma subjetividade experiencial mínima já operante.
  • Distinção entre posse experiencial e autoria
    • Examino o fenômeno das inserções de pensamento na esquizofrenia para distinguir entre dois sentidos de posse: a posse experiencial e a autoria ou agência.
    • Sustento que, mesmo quando um sujeito nega ser o autor de certos pensamentos, esses pensamentos continuam sendo vividos como ocorrendo no seu próprio fluxo de consciência.
    • Concluo que tais fenômenos não envolvem a eliminação da minhadade, mas antes uma fragilização da perspectiva em primeira pessoa.
  • Anonimato e absorção prática
    • Analiso a tese de Hubert Dreyfus segundo a qual, em estados de absorção total, o sujeito deixaria de ser um sujeito e a experiência se tornaria anônima.
    • Argumento que a ausência de atenção temática ao si não equivale à ausência de autoconsciência pré-reflexiva.
    • Defendo que mesmo o engajamento corporal absorvido no mundo permanece estruturado por uma perspectiva em primeira pessoa.
  • Conclusão intermediária
    • Sustento que negar a autoconsciência mínima implica negar a própria fenomenalidade da experiência.
    • Defendo que a subjetividade experiencial não é um acréscimo contingente, mas uma condição estrutural da consciência.
    • Concluo que qualquer teoria da mente que pretenda explicar a consciência deve reconhecer a para-mim-idade [for-me-ness] como um traço irredutível da experiência.
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