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TRAWNY (2013:43-44) – ESFERA PÚBLICA

A esfera pública é para Heidegger, em princípio e sempre, um espaço de falsidade e alienação. É surpreendente que o filósofo nunca tenha reconhecido uma necessidade essencial de sua existência, diferentemente de, por exemplo, Rousseau, que, mesmo dando-se conta da primazia do amor próprio na sociedade, nunca o considerou inteiramente negativo. Em Heidegger, a esfera pública aparece como distorção e desfiguração da linguagem, na sua ligação a uma verdade que lhe é acessível. A esfera pública é o falso onde nada de verdadeiro pode se dar. Isso é claramente indicado num texto que traz o título “esfera pública”, do ano de 1954: “tudo é capa. Tudo é mentira/se tu és incapaz/se eles são mais capazes/faz-se somente mais nome/puxando os traços/de aparente permanência/para a azáfama enganadora” (GA81:202). A esfera pública é caracterizada por uma tendência implícita de se fazer nomeada e nominável. Heidegger encontra aqui o aspecto da esfera pública de tornar-se o local de uma luta pela proeminência, dos shows de TV nela baseados, como Andy Warhol predisse em 1968: “No futuro, todo mundo ficará famoso por 15 minutos”.

(TRAWNY, Peter. Adyton. A filosofia esotérica de Heidegger. Tr. Marcia Sá Cavalcante Schuback. Rio de Janeiro: Mauad X, 2013)

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