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estudos:sheehan:ser-si-mesmo-sein-selbst-selbstsein-2015

SER SI-MESMO [SEIN SELBST, SELBSTSEIN] (2015:20-23)

SHEEHAN, Thomas. Making Sense of Heidegger: A Paradigm Shift. Lanham: Rowman & Littlefield, 2015

  • No período posterior, sobretudo entre 1960 e 1976, Heidegger afirmou que a indicação formal “das Sein selbst” culmina na Lichtung, designada como Urphänomen de todo o seu pensamento, entendida como o espaço sempre já aberto que torna possível e necessária a inteligibilidade das coisas.
    • Lichtung como região aberta da compreensão.
    • Reino da Unverborgenheit ou clareira como Verstehbarkeit.
    • Transição da indicação formal para conteúdo material determinado.
  • O Sein de algo aparece apenas no pensamento e na ação discursiva, quando algo é tomado como tal e tal na Als-Struktur, de modo que compreender o Sein de uma coisa significa compreender o que e como ela é, isto é, sua Seinsverfassung enquanto Was- und Wie-sein des Seienden.
    • Discursividade como movimento entre coisa e sentido.
    • Compreensão correta ou incorreta do Sein.
    • Correspondência com οὐσία e des Seienden na tradição metafísica.
  • A argumentação fenomenológica mostra que todo agir ou pensar discursivo pressupõe a travessia de um espaço aberto entre coisa e sentido, espaço esse que deve estar previamente operante para que haja relação possível entre os relata e, portanto, qualquer instância de sentido ou de Sein das coisas.
    • Dis-currere como movimento entre ferramenta e tarefa.
    • Necessidade de relação prévia entre coisa e sentido.
    • Clareira sempre já aberta como condição de possibilidade.
    • Abertura lançada como fundamento de todas as instâncias de Sein.
  • A partir dessa cadeia argumentativa, o uso ambíguo de das Sein e das Sein selbst pode ser esclarecido substituindo-se tais termos ontológicos pela inteligibilidade das coisas, no caso do Befragtes, e pela abertura lançada ou apropriação da ex-sistência, no caso do Erfragtes.
    • Befragtes: inteligibilidade ou presença significativa das coisas.
    • Erfragtes: abertura lançada, clareira lançada, ex-sistência apropriada.
    • “Ser em si” como indicação formal provisória do que se busca.
  • A estrutura da questão fundamental de Heidegger pode então ser formulada como investigação da inteligibilidade das coisas tomada por si mesma, focalizando o que a torna possível e necessária, cuja resposta final é a ex-sistência aberta ou apropriada enquanto clareira da inteligibilidade.
    • Campo: inteligibilidade das coisas.
    • Foco: condição de possibilidade e necessidade.
    • Resposta: ex-sistência como clareira.
  • Mesmo que se utilize a linguagem tradicional de Sein, permanece claro que o núcleo do pensamento de Heidegger não é o Sein, mas a ex-sistência apropriada ou a clareira apropriada, sendo a mudança de ênfase entre obra inicial e tardia apenas deslocamento interno e não abandono da questão fundamental de Ser e Tempo, conforme declarado a William J. Richardson.
    • Ênfase inicial: Da-sein como abertura lançada.
    • Ênfase tardia: clareira mantida pela ex-sistência.
    • Continuidade da questão fundamental segundo William J. Richardson.
  • Tentativas de separar ex-sistência e clareira como realidades distintas carecem de base textual, pois a relação do homem com a clareira como aquilo que ele não é significa que ele recebe dela sua determinação, sendo a clareira o Worumwillen e o τέλος da ex-sistência, sem constituir entidade diversa dela.
    • Afirmação de que o homem está em relação com o que não é.
    • Recebimento da determinação a partir da clareira.
    • Clareira como razão de ser da ex-sistência.
    • Identidade estrutural entre ex-sistência e clareira.
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