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. A LIBERDADE
ESHM
A decisão antecipada (Entschlossenheit), como aceitação (e, portanto, posição) da finitude, é liberdade para a morte (Freiheit zum Tode). “Existência” significa, ao se colocar aceitando-se, liberdade para a morte.
O mundo é “aquilo a partir do qual” o Dasein se dá para compreender o ente. Mas o “aquilo a partir do qual” é o próprio “poder ser” do Dasein. Ao Dasein, existindo, “está em jogo o seu próprio poder ser”, ou seja, ele existe para si mesmo: Um-willen seiner. O Willen expressa o cuidado que o Dasein tem de si mesmo; é a energia que constitui algo como hipseidade. Essa energia original (que é o próprio se colocar da transcendência) é chamada de Wollen. Vontade original que não tem nada a ver com o ato de vontade ou com a vontade como faculdade, onticamente entendidos. O Wollen pelo qual se constitui algo como Umwillen e o que Heidegger chama de “liberdade”. A liberdade de transcender a totalidade do ser. «Umwillen» também pode ser traduzido como: «plano, desenho, projeto». O Wollen é, então, o querer que constitui o projeto do mundo. Mas constituir tal projeto significa transcender para o mundo, ultrapassando o imediato colocar-se do ser: “A ultrapassagem para o mundo é a própria liberdade”. O “plano (Umwillen) se coloca em contraposição à transcendência como o próprio objeto da liberdade, sem o qual ela não poderia existir. O “plano” é o contraponto transcendental da transcendência como liberdade: o Umwillen não expressa nada além da própria dinâmica do Dawider (objeto transcendental do horizonte ontológico). A identidade entre transcendência e liberdade é absoluta: “Somente a liberdade pode fazer com que um mundo reine e se mundanize para o Dasein”.
Como o ente se manifesta como aquilo sobre o qual o manifestar não tem poder, mas que deve deixar ser, Sein-lassen e Gegen-stehen são absolutamente complementares: o Lassen, como não poder (óntico) sobre o Stehen, é a possibilização ontológica do Gegen. E como deixar ser é o próprio ato da transcendência em sua abertura ao ente (immanentização), a liberdade é o que deixa ser o ente: liberdade significa não apenas ser livre da totalidade do ente, mas também ser liberado para a manifestação do ente, de modo que a não potência de manifestar, deixando ser o ente, estabelece a circularidade finita (limitada) entre manifestar e manifestado (com a exclusão, do círculo, do manifestado como ente). O “deixar” é a extática da e-sistência: deixar ser o ente em uma totalidade é possível com base no essencial estar fora de si do deixar. A êxtase do deixar, como possibilitação de um encontro com o ente, é uma exposição à alteridade do ente, um abandono à revelação do ente como algo que se opõe à revelação: é a raiz da finitude. A liberdade expressa, portanto, a finitude radical do Dasein – onde a finitude é dada pela não potência do Dasein sobre o ente e, portanto, também sobre aquele ente que é o próprio Dasein. Ser livre para a morte é o próprio ato de existir como liberdade, na medida em que a liberdade para a morte é existir como impotência (Ohnmacht) para resolver a contingência do existir.
