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estudos:schurmann:philosophie-pratique-1982

PHILOSOPHIE PRATIQUE (1982:45-46)

SCHÜRMANN, Reiner. Le principe d’anarchie. Heidegger et la question de l’agir. Paris: Seuil, 1982.

  • A expressão “filosofia prática” pode designar tanto a disciplina especial que trata da prática humana quanto a natureza prática da filosofia em geral, sendo que o primeiro sentido encontra seu paradigma nos tratados aristotélicos que examinam as ações humanas segundo relações estruturais, como a relação pros hen, sem que a distinção entre discurso descritivo e normativo se coloque como problema.
    • O corpo de tratados aristotélicos (Ética, Política, Econômicos) exemplifica a filosofia prática como disciplina especial.
    • Esses tratados emprestam esquemas racionais de disciplinas mais teóricas (Metafísica, Organon, Física).
    • A análise das ações humanas se dá por meio de relações estruturais, notadamente a relação pros hen.
    • Quando as ciências são representadas por uma árvore com tronco ontológico e ramificações práticas, a distinção entre discurso descritivo e normativo não é problemática, e a derivação a partir de um padrão ideal sequer permite separar o normativo do descritivo.
  • O sentido de filosofia prática como coincidência do teórico e do prático no próprio conteúdo da filosofia, presente em autores tão diversos quanto Plotino, Meister Eckhart, Marx e Kierkegaard, implica uma compreensão diferente, na qual a verdade do ser, ao instaurar-se epocalmente nos entes, torna impossível a derivação do prático a partir do ideal.
    • Diversos autores, como Plotino, Meister Eckhart, Marx e Kierkegaard, compartilham a concepção da coincidência do teórico e do prático na filosofia.
    • A compreensão heideggeriana da verdade do ser como instauração epocal nos entes impossibilita a derivação do prático a partir de um ideal.
    • As maneiras como a verdade se institui, seja numa obra de arte ou numa ação política, são modos epocais ou regionais de seu advento.
    • Torna-se, portanto, inútil delimitar uma filosofia prática em relação a uma teórica, pois a filosofia que descreve as instituições epocais da verdade do ser é, inteira e indissociavelmente, teórica e prática.
  • A distinção fenomenal entre pensar e agir não é negada, mas ambas as atividades são vistas como normalizadas pela maneira como a presença se arranja para um tempo, de modo que as modulações alethiológicas ao longo da história marcam o teórico e o prático com seu selo epocal, e não o contrário.
    • Pensar e agir são atividades fenomenalmente distintas, mas ambas são normalizadas pelo arranjo epocal da presença.
    • A presença, articulada hoje sob o princípio do “arraisonamento” (compreensão da técnica como com-posição), normaliza a pensamento, a criação artística, os problemas políticos e todas as regiões de experiências possíveis.
    • As modulações da verdade (aletheia) ao longo da história imprimem seu selo epocal tanto no teórico quanto no prático.
    • A relação de determinação se inverte: não é mais o teórico que marca o prático, mas o arranjo epocal da presença que normaliza a ambos. (p. 45-46)
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