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Fenomenologia Patológica e a Experiência do Câncer Infantil

REIS, Robson Ramos dos. Câncer infantil, sofrimento e transformação: Um ensaio fenomenológico. Rio de Janeiro, RJ: Editora Via Verita Ltda, 2022.

  • Caracterização da Fenomenologia Patológica como Método Investigativo
    • Definição da fenomenologia patológica como concepção metafilosófica que estabelece o estudo da patologia, seja mental ou corporal, como fundamento metodológico para revelar o espectro da experiência humana.
    • Reconhecimento da enfermidade como fenômeno disruptivo multidimensional que promove ruptura em hábitos, rotinas, papéis sociais e na relação prático-reflexiva determinante da identidade pessoal.
    • Identificação do potencial epistêmico da enfermidade através da visibilização de estruturas pré-reflexivas da existência que emergem mediante o distanciamento imposto pelo sofrimento e pela quebra da cotidianidade.
    • Análise da modificação dos sentimentos existenciais, com ênfase na transição da confiança corporal para a dúvida corporal e a perda do sentido de capacidade motora e existencial.
  • Estatuto Ontológico e Hermenêutico dos Fenômenos Disruptivos
    • Compreensão da disrupção como propriedade disposicional, contextual e relacional de eventos que interrompem o fluxo habitual das ações e comportamentos intencionais.
    • Exigência da interrupção hermenêutica para a caracterização estrita de um fenômeno disruptivo, implicando modificação na compreensibilidade dos nexos significativos e na estrutura da intencionalidade.
    • Potencial de patentização ontológica dos estados de crise, permitindo a manifestação de características estruturais da existência, como a vulnerabilidade orgânica e a fragilidade da vida intencional.
    • Diferenciação entre a saliência da enfermidade como ruptura súbita e severa ou como forma integral e totalizante de vida, modificando as bases corporais que condicionam a autonomia e a socialidade.
  • Especificidades da Fenomenologia Patológica Pediátrica e do Desenvolvimento
    • Proposição de uma fenomenologia desenvolvimental que situa a elucidação das estruturas da experiência no contexto das transformações contínuas do corpo e da consciência infantis.
    • Reconhecimento da unidade de processos entre o desenvolvimento da corporeidade e a constituição de estruturas da experiência significativa em pacientes pediátricos.
    • Investigação da vulnerabilidade singular da infância, onde o impacto disruptivo da enfermidade ocorre sobre estruturas ainda em formação, oferecendo acesso a um dinamismo estrutural inacessível em adultos.
    • Consideração da condição fáctica da criança como ser corporificado, situado e subordinado a decisões de adultos, inserido em famílias que operam como unidades de cuidado e comunicação.
  • Experiência do Câncer Infantil e a Fenomenologia do Último
    • Justificativa do câncer pediátrico como objeto de estudo em razão de seu impacto disruptivo radical e do sofrimento multidimensional imposto a pacientes e cuidadores.
    • Articulação da fenomenologia do último voltada para a compreensão universal do que é ensinado em experiências de limite e término de vida em sujeitos cujas trajetórias existenciais estão em seu início.
    • Análise da desacoplagem entre a temporalidade da existência significativa e a temporalidade do corpo próprio, revelando a integração da natureza viva na existência intencional.
    • Compromisso ético e metodológico com a solidariedade da compreensão, buscando clareza e consistência sobre as possibilidades do existir humano diante da finitude e do sofrimento existencial.
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