§2
JRCST1
§ 2 A estrutura formal da pergunta pelo ser
1. Este parágrafo trata do segundo dos três temas anunciados no título do capítulo 1 da Introdução, a saber, a estrutura da pergunta pelo ser, não sendo uma pergunta uma mera frase interrogativa, mas um ato da existência humana, bem preciso, que implica certas coisas, orienta-se a algo perfeitamente definido e busca algo, tendo esse ato uma estrutura peculiar que aqui se quer esclarecer, pondo-a diante de nós, para que se saiba o que tem de ocorrer quando realmente se faz a pergunta que interroga pelo sentido do ser.
2. O parágrafo pode dividir-se em três partes: introdução, no primeiro parágrafo; primeira parte, sobre o que é próprio de toda pergunta em geral, no segundo parágrafo; e segunda parte, sobre a estrutura da pergunta pelo ser, do terceiro ao décimo segundo parágrafo.
Introdução (parágrafo 1)
3. A primeira frase retoma o alcançado no parágrafo 1, afirmando que a pergunta pelo sentido do ser deve ser colocada (gestellt), palavra que significa literalmente posta, posta aí, plantada aí no meio, enfatizando-se com essa frase o caráter executivo do perguntar, isto é, o fato de que a pergunta é um comportamento, um ato do Dasein, algo que há que fazer, pondo-se já desde agora em relevo a dimensão prática do ser humano, dimensão em que se moverá toda a obra Ser e tempo.
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Afirma-se que, se ela é uma pergunta fundamental, ou mesmo a pergunta fundamental, então esse questionar requer ser feito transparente na forma devida, referindo-se essa frase a trazer à luz tudo o que implica o fato de fazer essa pergunta, iluminando-a, tornando-a explícita em seus momentos constitutivos, distinguindo-se aqui um simples perguntar, que pergunta sem maior reflexão, ao acaso, sem saber o que se faz ao perguntar, de um questionamento explícito, que explicita o que se faz ao colocar uma pergunta.
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Na segunda parte deste parágrafo propõem-se os passos a seguir: primeiro, explicar o que é próprio de toda pergunta em geral; segundo, determinar a partir daí em que consiste o caráter particularíssimo da pergunta pelo ser.
Primeira parte: o que é próprio de toda pergunta em geral (parágrafo 2)
4. Todo perguntar é uma busca, caindo o perguntar dentro de um conceito mais amplo, dentro do conceito de busca, destacando-se explicitamente esse aspecto porque o buscar dará um dos momentos estruturais do perguntar, estando o perguntar, enquanto busca, guiado previamente por aquilo que se busca.
5. Perguntar é buscar conhecer o ente no que respeita ao fato de que é e a seu ser-assim, sendo o perguntar um buscar cognoscitivo, isto é, um buscar cujo objetivo é conhecer algo, sendo o que se busca conhecer sempre algo relativo a um ente, a algo que é, podendo buscar-se conhecer se algo é ou não é, ou buscar-se conhecer o que algo é, correspondendo isso à clássica distinção escolástica entre o an sit e o quid sit.
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A pergunta pode ser prática, não teórica, quando o que interessa é saber a que ater-se a respeito de algo, como quando se pergunta como alguém se chama, buscando-se conhecer o nome para poder nomear adequadamente, ou se fulano está em casa, para agir em seguida conforme isso.
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Também há perguntas teóricas, chamando-se o perguntar teórico investigar, sendo a pergunta investigadora uma determinação descobridora daquilo por que se pergunta, significando isso que o que se busca conhecer no perguntar teórico é em que consiste a coisa por que se pergunta, sendo saber o que é algo determiná-lo, fixar seus limites, o que se faz, no perguntar teórico, pondo ao descoberto esses limites constitutivos da coisa em questão.
6. Destacam-se três momentos estruturais de todo perguntar: o posto em questão (das Gefragte), a coisa acerca da qual se pergunta algo, o obiectum materiale dos escolásticos; o interrogado (das Befragte), aquilo ou aquele de quem se quer obter a informação; e o propriamente perguntado (das Erfragte), o obiectum formale dos escolásticos, o aspecto preciso ao qual a pergunta propriamente se orienta, aquilo em que a pergunta chega a sua meta.
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Poder-se-ia pensar que esse terceiro momento só se dá no perguntar teorético, mas não é assim, pois se alguém pergunta a uma pessoa numa cidade onde fica a padaria, o posto em questão é a padaria, e o propriamente perguntado é o lugar onde fica a padaria, sendo, no caso da pergunta teorética, aquilo a que propriamente a pergunta tende a determinação ou conceitualização do posto em questão.
7. O parágrafo termina distinguindo os dois modos de perguntar já aludidos, o simples perguntar, que pergunta sem perceber exatamente o que vai implicado nesse perguntar, e o questionamento explícito, que faz transparente o questionar em todos os seus momentos constitutivos.
Segunda parte: a estrutura da pergunta pelo ser (parágrafos 3-12)
8. Este parágrafo resume a tarefa que agora há que realizar.
9. A partir deste parágrafo aplica-se o dito até agora à pergunta pelo ser, sendo objeto destas considerações o primeiro momento de todo perguntar, a saber, que o perguntar, enquanto busca, está necessitado de uma prévia condução por parte do buscado, sendo o buscado na pergunta pelo ser o sentido do ser, devendo esse sentido, se há de servir de guia prévia ao perguntar dessa pergunta, estar já presente de alguma maneira no próprio perguntar.
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Como já se disse, movemo-nos desde sempre numa compreensão do ser, estando o sentido do ser sentido em nossa existência cotidiana, não significando estar sentido estar explícito, sendo precisamente sua explicitação a tarefa que se propõe a pergunta pelo sentido do ser, devendo esse sentido ser tirado de sua obscuridade inicial e levado à luz do explicitamente compreendido, brotando da compreensão vital do ser a pergunta explícita por seu sentido e a tendência a seu conceito.
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Não se sabe o que significa ser, sendo saber sempre saber explícito, mas tende-se a esse saber, movendo-se já a própria pergunta o que é ser na compreensão imediata e ordinária do ser, sem a qual a própria pergunta seria impossível, não se podendo, contudo, fixar conceitualmente o que significa é, nem se conhecendo o horizonte a partir do qual se deveria captar e fixar esse sentido, horizonte que será para Heidegger o tempo originário.
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A consequência expressa-se afirmando que essa compreensão do ser mediana e vaga é um factum, chamando-se mediana ou de termo médio porque essa compreensão não discerne explicitamente as distintas maneiras de ser, tomando-as todas unitariamente, sendo além disso vaga frente à precisão do conceito, não sendo essa vagueza um mero caráter negativo, mas algo positivo, uma espécie de riqueza sem delimitações.
10. A primeira frase deste parágrafo retoma o dito na última frase do parágrafo anterior, extremando as debilidades da compreensão primária do ser, mas reconhecendo nela, frente a essas debilidades, um fenômeno positivo que necessita ser esclarecido, esclarecimento que porém não pode ser dado no início, só alcançando a interpretação da compreensão mediana do ser seu indispensável fio condutor quando se tiver elaborado o conceito de ser.
11. A compreensão primária do ser pode estar, além disso, impregnada de teorias e opiniões tradicionais acerca do ser, demonstrando isso a necessidade em princípio de destruir essas opiniões e teorias tradicionais, isto é, de descer a partir delas à compreensão viva que alenta debaixo delas e que muitas vezes fica encoberta por tais teorias.
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O buscado na pergunta pelo ser não é algo inteiramente desconhecido, ainda que seja, por ora, absolutamente inapreensível, resumindo essa frase o dito nos parágrafos anteriores, significando ser absolutamente inapreensível não ser, por ora, imediatamente conceitualizável, e não o ser porque não se dispõe dele a nosso bel-prazer, sendo antes nós tomados por ele, que nos absorve e nos domina.
12. Este parágrafo aplica à pergunta pelo ser dois dos momentos estruturais de toda pergunta, o posto em questão e o perguntado, sendo o posto em questão na pergunta pelo ser o ser, sobre o qual se perguntará algo, a saber, qual é seu sentido, definindo a primeira frase, em dois passos, o que se chama ser: aquilo que determina o ente enquanto ente, e aquilo em vista do qual o ente, seja qual for a forma em que se o considere, já é sempre compreendido.
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O primeiro passo define o ser em si mesmo, sendo ser aquilo que determina o ente enquanto ente, isto é, o que lhe dá sua condição de ente, chamando-se ente a tudo o que é, sendo pois o é, o ser, o que faz o ente ser ente e não nada, definindo o segundo passo o ser em função da compreensão: o ser é aquilo que há que ter em vista para compreender algo como ente, isto é, como sendo algo.
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A segunda frase do parágrafo é fundamentalíssima e, de certo modo, resume toda a obra Ser e tempo: o ser do ente não é, ele mesmo, um ente, sendo essa a diferença entre ser e ente, que em obras posteriores será chamada diferença ontológica, não podendo o ser ser, ele mesmo, um ente, porque ser é algo que rompe toda delimitação, podendo aplicar-se e encontrar-se em qualquer coisa, estando além de todo quê, de toda entidade, sendo o ser algo essencialmente aberto, que transcende todo fechamento, ao passo que o ente é fechado, é o que é e nada mais, nunca sendo o ser um o que, mas o que torna possível todo quê.
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Cita-se, nesse sentido, nova referência a O Sofista, segundo a qual o primeiro passo filosófico na compreensão do problema do ser consiste em não contar um mito, isto é, em não determinar o ente enquanto ente derivando-o de outro ente, como se o ser tivesse o caráter de um possível ente.
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Se assim é, se o ser se distingue essencialmente de todo ente, também seu modo particular de ser mostrado há de distinguir-se essencialmente daquilo que se chama o descobrimento do ente, entendendo-se por descobrimento do ente seu ser trazido à luz, sendo o modo como o ser é teoricamente mostrado de todo diferente do modo como é mostrado o ente, tratando-se de modos diferentes de acesso à coisa, à coisa ser e à coisa ente.
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A última frase do parágrafo refere-se ao outro momento estrutural da pergunta pelo ser, ao momento do perguntado nela, o sentido do ser, reclamando também o perguntado na pergunta pelo ser conceitos próprios, que uma vez mais contrastam essencialmente com os conceitos nos quais o ente cobra sua determinação significativa, sua significação teórica, explícita e conceitual.
13. O interrogado na pergunta pelo ser é o próprio ente, sendo o ente interrogado, por assim dizer, a respeito de seu ser, como se nos encaráramos com o ente e lhe disséssemos dize-me em que consiste teu ser, pedindo-se ao ente que dê a conhecer seu ser, devendo porém, para que o ente possa apresentar sem falsificação os caracteres de seu ser, ter-se feito previamente acessível tal como ele é em si mesmo, sendo esse o problema da acessibilidade do ente em seu ser peculiar, alcançado pelo método fenomenológico, sendo necessário que o ente seja acedido tal como ele é em si mesmo, isto é, como fenômeno, no sentido dado a essa expressão.
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Pergunta-se em qual ente se deve ler o sentido do ser, de qual ente deverá arrancar a abertura do ser, acrescentando-se uma nota do Hüttenexemplar que adverte tratar-se de duas perguntas distintas postas aqui uma atrás da outra, prestando-se a mal-entendidos, sobretudo a respeito do papel do Dasein, parecendo a primeira pergunta querer dizer que o sentido do ser seria legível num determinado ente, e parecendo a segunda mais adequada, pois efetivamente da compreensão do Dasein arranca a abertura do ser.
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Pergunta-se se é indiferente o ponto de partida, como o é, efetivamente, para a metafísica tradicional, ou se algum determinado ente tem uma primazia na elaboração da pergunta pelo ser, tendo em Ser e tempo o Dasein uma primazia essencial sobre todo ente, pelo fato de o Dasein levar em seu próprio ser a compreensão do ser, estando o sentido do ser entranhado no ser do Dasein, ainda que Heidegger não tenha falado ainda do Dasein, já tendendo desde aqui suas perguntas para o que a partir do parágrafo 9 será chamado com essa palavra.
14. Pela primeira vez em Ser e tempo fala-se aqui do Dasein no sentido do ser humano, dando este parágrafo as razões que fazem do Dasein um ente privilegiado na pergunta pelo ser, razões que consistem em que, para colocar explicitamente a pergunta pelo ser, e para fazer que esse colocar-se seja transparente para si mesmo, é necessário esclarecer o modo de dirigir a vista para o ser, esclarecer o modo de compreender e captar conceitualmente seu sentido, preparar a possibilidade da correta eleição do ente que há de ser prioritariamente interrogado, e elaborar a genuína forma de acesso a esse ente, não sendo todos esses preparativos senão comportamentos constitutivos do próprio perguntar e, por conseguinte, modos de ser de um ente determinado, do ente que somos em cada caso nós mesmos, os que perguntamos.
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A conclusão é que, para elaborar a pergunta pelo ser, é necessário fazer que esse ente que pergunta se torne transparente em seu ser, sendo esse ente que somos em cada caso nós mesmos e que, entre outras coisas, tem essa possibilidade de ser que é o perguntar, precisamente o que se chamará o Dasein, o ente em cujo ser se abre o Da, o aí, para a manifestação do ser, o ente constitutivamente determinado pela compreensão do ser.
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Conclui-se que o colocar-se explícito e transparente da pergunta pelo sentido do ser exige a prévia e adequada exposição de um ente, o Dasein, no que respeita a seu ser, esclarecendo uma nota do Hüttenexemplar que não se trata de que nesse ente se leia o sentido do ser.
15. Os três últimos parágrafos abordam a objeção do círculo que pode colocar-se ao leitor destas páginas, explicando-se no parágrafo 10 essa objeção e dando-se uma primeira resposta geral e formal.
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O que se chama círculo vicioso consiste em dar por suposto nas premissas o que só na conclusão chega a saber-se, parecendo pretender determinar primeiro um ente em seu ser e sobre essa base querer colocar em seguida a pergunta pelo ser equivaler a dar por suposto, na elaboração da pergunta, o que só a resposta há de proporcionar, dando-se uma primeira resposta geral e formal a essa objeção, cuja resposta completa só virá no parágrafo seguinte.
16. Na realidade não há nenhum círculo vicioso no colocar-se proposto da pergunta pelo ser, podendo um ente determinar-se em seu ser sem que seja necessário dispor previamente do conceito explícito do sentido do ser, bastando que se tenha naturalmente, por assim dizer, uma compreensão do ser em geral, não se pressupondo o conceito de ser, mas já se tendo uma compreensão do ser.
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Por outro lado, mal se pode tratar de um círculo na prova ali onde não se pretende provar dedutivamente coisa alguma, não se tratando na resposta à pergunta pelo sentido do ser de uma fundamentação dedutiva, mas de uma posta ao descoberto do fundamento mediante sua exibição.
17. Na pergunta pelo sentido do ser não há um círculo na prova, mas uma singular referência retrospectiva ou antecipativa daquilo que está posto em questão, o ser, ao próprio perguntar enquanto modo de ser de um ente, significando isso que, ao perguntar-se pelo sentido do ser, esse ser pelo qual se pergunta já está antecipado no ser do ente que pergunta, desse ente que somos nós mesmos, ou, se se quiser, o perguntar pelo sentido do ser retrotrai-se a esse mesmo sentido do ser já experimentado no ser do próprio perguntante, achando-se o explícito que se busca em essencial conexão com o implicitamente compreendido no ser de quem o busca.
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Afirma-se que o perguntar ficar essencialmente afetado pelo posto em questão pertence ao sentido mais próprio da pergunta pelo ser, significando esse quedar afetado que o perguntar está essencialmente constituído pelo momento do posto em questão, não podendo perguntar-se pelo sentido do ser se o ser não estivesse já previamente presente no próprio perguntar enquanto ato do Dasein, estando o ser dado já no existir que pergunta, e dado previamente ao próprio perguntar, pertencendo esse essencial quedar afetado do perguntar pelo posto em questão ao sentido mais próprio da pergunta pelo ser, que tem assim uma peculiaridade exclusiva, sui generis: quem faz a pergunta move-se já desde sempre naquilo pelo qual pergunta.
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Isso não ocorre com nenhuma outra pergunta, advertindo-se por fim que a palavra sentido tem nessa frase um sentido peculiar, muito diferente do sentido dessa palavra na frase a pergunta pelo sentido do ser, significando ali sentido modo de ser, tendo toda pergunta seu próprio modo de ser, e tendo a pergunta pelo ser um peculiaríssimo modo de ser: estar afetada por aquilo pelo que se pergunta, pelo posto em questão, estando assim o ontológico a que aponta a pergunta pelo ser determinado pelo ôntico dessa mesma pergunta.
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Por isso se pode continuar afirmando que isso não significa senão que o ente que possui o caráter do Dasein tem uma relação, talvez até privilegiada, com a própria pergunta pelo ser, ficando com isso mostrada a primazia ontológica de um determinado ente, o Dasein, e ficando igualmente apresentado o ente exemplar que deve ser primariamente interrogado na pergunta pelo ser.
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Numa frase magnífica, uma nota do Hüttenexemplar afirma que o Dasein não é um caso de ente para a abstração representativa do ser, mas sim a morada da compreensão do ser, dito de outro modo, o Dasein não é um caso exemplarmente destacado para ver nele o ser, mas o lugar onde o ser habita, não se tendo, sem dúvida, demonstrado a primazia do Dasein, mas tendo aparecido algo como uma primazia do Dasein, primazia essa que se esclarecerá muito melhor nos parágrafos 3 e 4, levando essa frase ao terceiro tema do capítulo I da Introdução.
