5.6d Do ente ao seer
POLT, Richard. Heidegger: an introduction. 2ed. Ithaca: Cornell University Press, 2025.
O Caminho do Ente para o Seer
1. Recapitulando, o seer, pensado em seus próprios termos, sem fundá-lo nos entes, abre-se como o acontecimento apropriador, mas, embora não possa ser reduzido aos entes, precisa deles para essenciar-se, pois sua verdade precisa ser abrigada nos entes.
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Se o seer é pensado em seus próprios termos, sem basear-se nos entes, ele se abre como o acontecimento apropriador.
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Embora o seer não possa ser reduzido aos entes, precisa deles para acontecer, já que sua verdade precisa ser abrigada neles.
2. Isso abre a possibilidade de uma rota diferente, e talvez mais acessível, para experimentar o seer, partindo de entes particulares e exercitando-se a vê-los como abrigos da verdade do seer.
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“Deve ser possível … encontrar o caminho dos 'entes' para o essenciar-se da verdade e tornar visível, nesse caminho, o abrigo como algo que pertence à verdade.”
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Esse procedimento não se confunde com o da metafísica tradicional, que constrói um conceito de ser encontrando características gerais dos entes, perguntando, por exemplo, o que a montanha e o memorial têm em comum como entes e concluindo que o ser envolve presença, objetividade, qualidade e assim por diante.
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Heidegger abordaria a montanha ou o memorial buscando o modo único pelo qual cada um encarna o conflito entre mundo e terra e aponta, assim, para o essenciar-se do seer.
3. Uma passagem das Contribuições esboça precisamente essa abordagem.
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“O caminho mais seguro para tomar a via oposta é tornar visível numa interpretação a espacialidade e a temporalidade da coisa, do instrumento, da obra, da maquinação e de todo ente, como modos de abrigo da verdade… A interpretação deve despertar novas experiências, começando pela coisa… Esse caminho [a partir do seer] e o caminho a partir dos entes devem encontrar-se.”
4. Essa declaração programática dá a chave para unificar muitos ensaios tardios de Heidegger, cujo plano é concentrar-se em diversos domínios do ente de modo a apontar para o seer como acontecimento apropriador, tema discutido mais diretamente nas próprias Contribuições.
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A obra, isto é, a obra de arte, parte do “caminho a partir dos entes” cumprida em “A origem da obra de arte”.
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A maquinação, que não é apenas o domínio das máquinas, mas os entes tal como revelados na visão de mundo moderna e tecnológica, como recursos calculáveis e manipuláveis, tema explorado em ensaios do pós-guerra como “A questão da técnica”.
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O instrumento (Zeug), que remete à análise dos “instrumentos” ou “entes à mão” (Zuhandenes) de Ser e Tempo, terminologia abandonada nos ensaios posteriores em favor de uma palavra ainda mais comum e de sentido mais amplo.
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A coisa (Ding), à qual se dedicam alguns dos ensaios mais conhecidos do pós-guerra.
5. Tem-se assim um programa para os ensaios tardios de Heidegger, que explorarão diversos campos do ente para apontar na direção do seer, ao lado dos escritos que ele continuará a dedicar à história da filosofia ocidental, ao próprio seer e, cada vez mais, à linguagem.
