User Tools

Site Tools


estudos:poggeler:outro-inicio

Outro Início

OPPMH

  • Superação do ponto de partida metafísico e recuperação de seu fundamento esquecido
    • A tarefa do pensamento é superar o início metafísico, retornando ao fundamento sobre o qual a metafísica se estabeleceu, ainda que o tenha esquecido
    • Esse fundamento é identificado como um porque e um conteúdo-sem-fundo, constituindo assim o originário que permanece e do qual o pensamento depende
    • O caráter originário deste fundamento foi obliterado, exigindo um “outro começo” que o traga novamente à luz
  • O outro começo como experiência historial da verdade do ser
    • Neste novo início, o pensamento não assume simplesmente que o caráter temporal e historial pertence à verdade do ser
    • A experiência da verdade do ser é, ela própria, uma inserção historial nessa verdade, um evento que pertence à história do ser
    • Surge, portanto, a questão sobre a proveniência histórica dessa experiência e onde, na tradição ocidental, a verdade do ser foi melhor preservada
  • A trajetória inicial do pensamento: da metafísica aristotélica à pergunta pelo fundamento
    • O jovem Heidegger parte da teoria metafísica, especialmente aristotélica, do ser
    • Sob o impulso da teologia cristã, interroga se o caráter temporal e historial da verdade do ser não seria seu fundamento esquecido
    • A interpretação da antropologia agostiniana, com base na ontologia de Aristóteles, é vista como uma via de acesso às análises de Sein und Zeit
  • A apropriação e a transformação da tradição filosófica
    • A tentativa de levar o problema da metafísica a uma decisão passa pela articulação de diversos motivos
    • São mobilizados motivos teológicos reativados por Kierkegaard, a compreensão histórica da vida em Dilthey e a discussão do novo fundamento da metafísica em Kant
    • No entanto, a experiência de Nietzsche torna-se decisiva, transformando radicalmente a compreensão de toda a tradição desde seus fundamentos
  • O limite da crítica kantiana e a marcha da metafísica moderna
    • Kant não pode mais tornar manifesto o problema da metafísica de modo decisivo
    • Embora Kant mantenha a finitude do Eu transcendental, não leva adiante o pensamento da transcendência em seu como, o que o idealismo posterior tentará
    • Kant não tem consciência do que há de especificamente moderno em sua metafísica
  • A imaginação moderna como fantasia e a dissimulação da verdade
    • Na metafísica moderna, a imaginação torna-se o fundamento possibilitante do conhecimento, significando que o homem “se entrega à sua fantasia”
    • O poder de representação humano impõe formas ao ser no ente, ao “objetivo”
    • Contudo, esta phantasia não opera mais, como no pensamento grego, no âmbito do desvelamento originário e da aparição daquilo que se faz presente por si mesmo
    • A metafísica moderna, portanto, dissimula a verdade do ser, e o pensamento de Kant é apenas um passo nesta trajetória
  • Nietzsche como consequência extrema e ponto de decisão
    • A metafísica moderna atinge sua decisão precisamente com Nietzsche, onde dá o passo em direção à sua consequência extrema
  • Dilthey e a autoconsciência da pensamento histórico moderno
    • Dilthey leva o pensamento histórico moderno à consciência de si mesmo
    • Este pensamento, seguindo o modo metafísico moderno, busca estabelecer o verdadeiro como constante e certo
  • A cobertura da verdade como origem e a queda no anistórico
    • Ao fazer isso, tal pensamento encobre a verdade como origem sempre emergente e indisponível
    • Assim, torna-se justamente aquilo que não quer ser: uma metafísica como verdade sobre o mero ente
    • Por esse caminho, o pensamento histórico perde a verdadeira historicidade e se solidifica em um anistórico
    • Os métodos históricos objetivantes afastam a reivindicação da tradição e destroem o autenticamente transmitido
  • Barbárie e historicismo como expressões do desarranjo
    • O domínio da barbárie de um pensamento completamente anistórico coexiste com o refinamento extremo dos métodos históricos
    • A história finalmente sucumbe em seu próprio desarranjo, o historicismo, ao reconhecer que todo conhecimento histórico tem um lugar histórico
    • Este reconhecimento relativiza a constatação histórica, perturbando-a
    • Descobertas como a de Spengler impedem a questão decisiva sobre o lugar do pensamento
  • A questão fundamental ocultada pelo historicismo
    • Se cada pensamento tem um “lugar de permanência”, deve-se perguntar se este lugar não é concebível como o no ser-aí e, assim, como lugar da verdade do ser
    • O ente visado pela pesquisa não deve ser submisso ao padrão do constante e constatável
    • A questão sobre a verdade do ser deve ser reaberta, questão que permanece estranha ao historicismo e a toda metafísica que parte do ente
  • A posição antitética e sua dependência do sistema adversário
    • A posição antitética de Kierkegaard frente a Hegel vive do adversário, do qual adota o sistema conceitual
    • Por permanecer assim na “metafísica”, Kierkegaard não tem o “menor relação” com a questão da essência do ser
  • Kierkegaard como escritor religioso, não como pensador
    • Ele retoma o aparato conceitual metafísico sem questioná-lo fundamentalmente, mas expressa nele algo totalmente outro
    • Por isso, não é um pensador, mas um “escritor religioso”
  • O padrão de Pascal e a fuga da história
    • Pascal, em sua abordagem de Descartes, segue um padrão semelhante ao de Kierkegaard
    • Declara supérfluos os esforços de Descartes e busca o essencial em uma dimensão totalmente outra, sem questionar a dimensão aberta pela metafísica
    • Tanto Kierkegaard quanto Pascal revelam uma possibilidade funesta: aceita-se a fundação metafísica da história, mas depois, por uma opção “religiosa”, salta-se para fora desta história
  • A inessencialidade da história e a determinação pela antítese
    • Esta posição antitética não reconhece a história em sua natureza originária e permanece determinada pela inessentialidade dessa história
  • O inimigo na forma do cristianismo, liberalismo e totalitarismo
    • Heidegger vê neste cristianismo vivido um inimigo, assim como no “liberalismo” que faz da cultura um substituto de Deus
    • Também é inimiga a “concepção total do mundo”, na qual o homem se enclausura em si mesmo e em sua vontade
  • Nietzsche como ponto de decisão pela radicalidade
    • Porque Nietzsche leva ao extremo o ponto de vista antropológico-metafísico, proíbe-se as meias-medidas e a fuga para uma antítese religiosa
    • É ele, e não mais Kierkegaard, que coloca frente à decisão
  • A morte de Deus e a lógica da metafísica
    • A fórmula “Deus está morto” expressa corretamente a lógica inerente ao pensamento metafísico
    • Uma fé que permanece, mesmo que antitética, no âmbito da experiência metafísica da verdade, só pode conduzir a um Deus ilusório
    • A crença futura no Deus cristão seria como o brilho remanescente de uma estrela há muito extinta
  • A cumplicidade da fé cristã com a metafísica
    • Devido ao seu enredamento com a metafísica, a fé cristã ocultou a invocação da qual vive
    • Ela própria fomentou a inessentialidade da metafísica: a certeza de si foi preparada pela concentração na certeza da salvação; o subjetivismo moderno foi elaborado pela doutrina da justificação
    • A literatura religiosa de Kierkegaard reduziu o conceito de existência ao antropológico
  • A nova abordagem da teologia: o condicionamento metafísico
    • Os enunciados da teologia cristã não são mais elaborados por Heidegger quanto a suas implicações ontológicas, como em Sein und Zeit
    • Eles são agora interrogados sobre seu condicionamento metafísico
  • A tradição judaico-cristã como forma derivada e pervertida
    • Toda a tradição judaico-cristã não é mais uma reivindicação originária para Heidegger
    • Ela é percebida em sua forma derivada, pervertida, e assim mantida à distância
  • A crítica aos profetas e ao monoteísmo
    • Os profetas da fé judaico-cristã não enunciam a palavra que funda o sagrado, mas imediatamente o Deus que garante a salvação
    • Os fiéis pressupunham este Deus único porque queriam subtrair-se à história sempre indisponível
    • Por isso, o monoteísmo pôde encontrar a onto-teologia metafísica, de motivação semelhante
  • A crítica aos conceitos de pecado, arrependimento e criação
    • “Pecado” e “arrependimento” seriam tão “metafísicos” quanto a vontade nietzscheana do eterno retorno, mas seriam uma vontade de impotência
    • A crença em uma criação é uma explicação “moral” e antropomórfica do “mundo”, vizinha da representação platônica de um demiurgo
    • Se o mundo é explicado pelo ato de um criador, o ente é sempre já conhecido em seu ser como “criado”
    • Assim, a questão sobre o sentido do ser não pode mais surgir: a crença na criação que tudo explica interdita o questionamento segundo o pensamento
  • A evolução do relacionamento entre pensamento e fé
    • Heidegger orienta-se para o questionamento segundo o pensamento
    • Em Sein und Zeit, o pensamento histórico da crença cristã ainda era acolhido como um impulso
    • As experiências da fé são excluídas do saber filosófico, mas a fé permanece uma resposta possível às questões do pensamento
  • O afastamento radical na época dos cursos sobre Nietzsche
    • No período dos cursos sobre Nietzsche, pensamento e fé são colocados a uma distância tal que a possibilidade de um relacionamento entre eles mal se mostra
    • Heidegger invoca a palavra de Paulo sobre a sabedoria do mundo convertida em loucura
  • A separação dos caminhos na decisão última
    • A filosofia pratica apenas o pensamento de que o homem é capaz por si mesmo; onde o homem é interpelado pela revelação, o pensamento se detém
    • A experiência cristã é algo de tal modo outro que não precisa competir com a filosofia
    • Se a teologia persistir em ver na filosofia uma loucia, o caráter misterioso da revelação será melhor preservado
    • Os caminhos se separam na decisão última
  • A auto-fundação livre do ser-aí sob a jurisdição do saber
    • A auto-fundação livre do ser-aí historial coloca-se sob a jurisdição do saber, e não da fé, quando esta é concebida como anúncio divino da verdade com autoridade revelada
  • A abertura do questionamento e a possibilidade cristã
    • Heidegger não busca o saber que se funda a si mesmo, mas pratica um questionamento aberto a uma reivindicação pelo divino
    • Este questionamento deve, portanto, considerar também a possibilidade cristã da fé como uma possibilidade
  • A questão sobre a forma da pergunta e da resposta
    • Heidegger coloca sua questão de tal modo que a resposta da fé cristã seja uma resposta possível
    • Questiona-se se a resposta cristã não anula a história como diálogo e movimento contínuo de interrogação
  • A fé como questionamento e a presença do divino oculto
    • Em Sein und Zeit ainda se fala de uma “interrogação crente”, mas posteriormente a fé é vista como recepção imediata da palavra
    • Para o pensamento posterior de Heidegger, a fé com a qual ele pode relacionar-se inclui o questionamento e a cobertura historial
    • A mensagem cristã pode ser uma reivindicação possível, pois o é
    • A falta, a ausência do divino experimentada por Heidegger não é nada, mas a presença da plenitude oculta do que foi
  • A delimitação do espaço de compreensão
    • A questão decisiva é como, por qual pré-compreensão, a fé cristã é aqui compreendida, e qual questionamento delimita o espaço onde o apelo divino pode ser ouvido
  • A experiência condicionante: a morte de Deus e o futuro
    • Para Heidegger, a experiência que condiciona tudo é que o divino do mundo judaico, cristão e grego é o que foi e só pode tornar-se um futuro através da experiência de que “Deus está morto”
  • A busca do originário fora da metafísica e da tradição bíblica
    • O originário do pensamento não está na metafísica, que se tornou escrava de sua inessentialidade; o Deus de sua onto-teologia não é o “Deus divino”
    • O originário também não é, para Heidegger, o devir da verdade como mostrado na fé judaico-bíblica; este aporte é afastado sem reflexão sobre seu caráter originário
    • O originário também não é mais o elemento cristão, pois Heidegger parte da experiência de que a teologia cristã não conservou o sagrado que lhe foi confiado
  • O rastro grego antemetafísico e a preservação na arte
    • Heidegger supõe que o pensamento grego antemetafísico pode ter retido um rastro que conduz ao originário, ao fundamento sem fundo da história ocidental: a verdade do ser mesmo
    • Esta pensamento originário dos gregos é visto próximo do apelo do sagrado realizado nos templos gregos
    • A arte, que traduz a verdade em obra, pode ter conservado melhor a essência originária da verdade do que a filosofia e a ciência
  • Hölderlin como herdeiro transformado e impulso decisivo
    • A tragédia grega expressou em palavras o que a arquitetura e escultura gregas formaram
    • Na época atual, a palavra da tragédia foi retomada, de forma transformada, por Hölderlin
    • O discurso poético de Hölderlin torna-se um impulso decisivo para o pensamento de Heidegger
    • Ao acessar seu dizer mais próprio, Hölderlin transformou o saber sobre a verdade do helenismo, do cristianismo e do Oriente em geral
estudos/poggeler/outro-inicio.txt · Last modified: by mccastro