Heidegger e a Teologia
OPPMH
O pensamento de Heidegger aparece na teologia sob uma luz muito variável. Por um lado, não se pode ignorar que os primeiros trabalhos de Heidegger trazem em si questões de teologia especulativa e que Heidegger levou essas questões consigo em seu caminho posterior: o curso Der Satz vom Grund ainda pode (com a crítica do conceito de causa sui) ser lido como uma contribuição à teologia especulativa. São sobretudo filósofos de orientação escolástica e teólogos católicos que procuram tirar partido dessa faceta do pensamento de Heidegger para suas indagações sobre o ser e sobre Deus. Teólogos protestantes (como Bultmann e Gogarten em sua última obra) colocam, ao contrário, em primeiro plano a crítica heideggeriana à metafísica e a toda a teologia especulativa. De fato, na superação heideggeriana da metafísica, a atitude radicalmente crítica em relação à teologia especulativa da metafísica também é adotada, e é somente a partir dessa atitude crítica que Heidegger pôde, em Sein und Zeit, remeter à teologia renovada por Lutero. O fato de Heidegger se voltar para Nietzsche e Hölderlin, como faz após Sein und Zeit, deveria então levantar a questão de saber se, na teologia poético-mítica de Hölderlin, o elemento cristão é conservado ou se uma posição contrária é adotada.
Na teologia (protestante), o problema central da história foi recentemente colocado a partir do Antigo Testamento: a relativização da conexão histórica, tal como foi prosseguida por Karl Barth sob a influência de Kierkegaard e Bultmann na primeira hermenêutica de Heidegger, deve ser revogada. Seguindo a corrente dessas tendências, a história da salvação, de que falam os profetas do Antigo Testamento, foi identificada com a história da iluminação de que fala Heidegger. James M. Robinson escreve em seu ensaio Heils geschickte und Lichtungsgeschichte (em: Evangelische Theologie, ano 22, 1962, 113-141): “Pode-se dizer, portanto, que, em princípio (embora não o tenha feito na prática), Heidegger preparou o caminho pelo qual a pesquisa testamentária, ultrapassando os limites de sua própria disciplina, poderia alcançar um papel central na discussão teológica e filosófica de nossos dias” (138). No entanto, não se pode descartar a questão de saber se o pensamento de Heidegger foi tão determinado (mesmo que de forma indireta) pela tradição que começa com o Antigo Testamento, independentemente de Heidegger admitir ou não essa questão. A equivalência pura e simples entre a história da salvação e a história da iluminação mostra, no entanto, mais uma vez a perplexidade da teologia atual e, além disso, a ausência de escrúpulos que leva a modificar o significado de um pensamento para que ele possa servir aos seus próprios fins. Resta, no entanto, a questão de saber se Heidegger (como, de outra forma, já o jovem Hegel e, depois, de maneira totalmente diferente, Nietzsche) não se opõe à tradição do Antigo Testamento, porque se volta para a tragédia grega. Seria conveniente considerar primeiro a oposição entre a concepção de Deus na tragédia grega e a concepção de Deus na profecia veterotestamentária, antes de poder discutir com competência o que Heidegger faz “no princípio”. Cf. n. 39.
