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MALPAS (2006:39) – JÁ NOS ENCONTRAMOS "EM" UM LUGAR

Quaisquer que sejam as conclusões a que possamos finalmente chegar, e onde quer que suponhamos que acabemos, o lugar em que começamos nossa filosofia, o lugar em que o questionamento filosófico surge pela primeira vez, é o lugar em que primeiro nos encontramos — esse lugar não é um mundo abstrato de ideias, não é um mundo de dados dos sentidos ou “impressões”, não é um mundo de “objetos” teóricos nem de meros relata causais. Ao nos encontrarmos “no” mundo, já nos encontramos “em” um lugar, já entregues e envolvidos com coisas, com pessoas, com nossas vidas. Com base nisso, as questões centrais da filosofia, as questões do ser e da existência, bem como da ética e da virtude, devem ter sua determinação e seu ponto de partida nesse mesmo lugar. Essas ideias parecem sustentar grande parte do pensamento de Heidegger, tanto no início quanto no final, e, embora a noção de lugar não seja explicitamente adotada no início do pensamento, a ideia de que a filosofia tem sua origem no fato de já estarmos “aí”, no mundo, ao lado de outras pessoas e coisas, é um tema central no pensamento de Heidegger no final da década de 1910 e início da década de 1920. Assim, nas palestras e nos escritos desse período inicial, encontramos Heidegger desenvolvendo uma crítica à tradição filosófica que não se baseia apenas no caráter “colocado” ou “situado” do pensamento como tal, mas que também considera que a tradição negligenciou amplamente essa “situação”.

(MALPAS, Jeffrey E. Heidegger’s topology: being, place, world. Cambridge (Mass.): mit Press, 2006)

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