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estudos:malpas:estrutura-mundo-2006

ESTRUTURA DO MUNDO E DERIVAÇÃO DA ESPACIALIDADE (2006)

MALPAS, Jeffrey E. Heidegger’s topology: being, place, world. Cambridge (Mass.): mit Press, 2006

  • Fundamentação inicial: a espacialidade existencial é admitida, mas é declarada dependente da mundanidade e do ser-no-mundo
    • A admissão de um modo de espacialidade pertencente ao ser-aí é acompanhada da tese de que tal espacialidade só pode ser esclarecida a partir da estrutura da mundanidade e só é possível com base no ser-no-mundo em geral.
    • A investigação do ser-em, que poderia sugerir uma passagem direta para a espacialidade e, daí, para a compreensão do ser-no-mundo como ser-no-espaço, é reorientada de modo a conduzir ao enraizamento da espacialidade na estrutura de mundo.
    • A conclusão da análise de ser-em, após a consideração de um modo secundário de ser-no-mundo ligado à relação epistêmica com o mundo, culmina na exigência de interpretar previamente o ser-no-mundo como estado fundamental.
    • A passagem ao exame de mundo é apresentada como consequência necessária desse gesto metodológico, já que é no exame de mundo e da ambientalidade que lhe pertence que se encontra o lugar sistemático da exposição da espacialidade própria ao ser-aí.
  • Situação arquitetônica da análise: mundo e ambientalidade como campo da explicitação da espacialidade do ser-aí
    • A análise de mundo e de sua ambientalidade é situada como ocupando o conjunto de seções dedicadas ao tema na primeira divisão, de modo que o estudo da espacialidade do ser-aí é localizado no interior dessa investigação.
    • A espacialidade própria ao ser-aí não é apresentada como ponto de partida imediato, mas como resultado que depende da elucidação da estrutura de mundo.
    • A orientação do percurso sustenta que a pergunta pelo ser-em não se resolve em termos espaciais objetivos, mas exige um deslocamento para a questão da mundanidade.
    • A consequência metodológica é que o problema da espacialidade passa a ser tratado como problema derivado, cujo esclarecimento requer uma exposição do mundo como estrutura.
  • Ponto de partida da mundanidade: a análise da instrumentalidade e da disponibilidade como proximidade fenomenal do mundo
    • O início da análise de mundanidade é fixado na descrição da instrumentalidade, isto é, do ser disponível ou pronto-para-o-uso, entendido como aquilo que está mais próximo na vida cotidiana.
    • A estrutura de equipamentos é caracterizada como um conjunto de coisas imediatamente circundantes, organizadas essencialmente segundo aquilo para que servem, de modo que sua ordenação é teleológica.
    • Cada item de equipamento é compreendido como equipamento-para, portador de referência imanente ao para-que que o constitui como o que é.
    • A estrutura específica da instrumentalidade é definida como uma contextura de para-que e para-fazer, na qual cada equipamento remete a outros equipamentos e cada remissão explicita uma funcionalidade ou modo de ser-deployado, designado por Bewandtnis.
  • Ordenação de lugares e regiões: a espacialidade heterogênea do pronto-para-o-uso como rede teleológica de proximidades e distâncias
    • A ordenação teleológica do equipamento implica que cada coisa tem um lugar dentro de uma região, de modo que a marteloidade do martelo envolve o lugar no cinto, na bancada, e o lugar de uso na mão e na posição adequada ao ato de pregar.
    • O estar situado de um equipamento é inseparável de sua posição relativa a outros equipamentos, como serra, furadeira, pregos e madeira, de modo que o lugar emerge como nó de relações dentro de um campo de atividade.
    • A região é caracterizada como o conjunto de lugares implicados entre si por formas determinadas de envolvimento e atividade, e a apreensão dessas atividades e do envolvimento preocupado é descrita como apreensão de uma região.
    • A circunvisão, entendida como um ver-em-torno, é apresentada como a forma de apreensão do ordenamento de coisas e lugares, configurando uma inteligibilidade prática do campo regional.
    • A ordenação por lugares e regiões é estendida para além de ferramentas e bancadas, alcançando elementos como sol, nascer e pôr, a orientação da casa por lado ensolarado e sombrio e a distribuição dos cômodos e arranjos internos, indicando uma espacialidade organizada e orientada.
    • A associação sugerida é que, assim como a presença-à-mão se vincula a uma espacialidade homogênea e mensurável, o pronto-para-o-uso se vincula a uma espacialidade heterogênea, porém ordenada, na qual proximidade e distância derivam de relações de tarefa e finalidade.
  • Insuficiência da espacialidade instrumental para a espacialidade existencial: ausência de um aí e caráter público da ordenação
    • A espacialidade do equipamento, embora estreitamente vinculada à espacialidade existencial, é declarada insuficiente para estabelecer, por si só, a espacialidade do ser-aí.
    • A estrutura de instrumentalidade constitui um ordenamento de coisas e, com isso, um sistema de relações que produz proximidades entre coisas, mas não estabelece nada como próximo do ser-aí enquanto ser-aí.
    • O ordenamento instrumental não traz consigo um aí determinado, pois ele não situa o ser-aí em uma situação concreta dentro da ordenação, mas apenas dispõe localizações para equipamentos e tarefas.
    • Os lugares e regiões, nessa dimensão, são lugares enquanto localizações funcionais e diretivas de atividades, e, por isso, o espaço instrumental possui caráter público ou intersubjetivo, não circunscrito a um único aí.
  • Publicidade do equipamento: tese de que a funcionalidade pressupõe acessibilidade pública e analogia com linguagem
    • A possibilidade de algo funcionar como equipamento é associada à sua inserção em uma estrutura instrumental maior acessível, ao menos em princípio, a todos.
    • Mesmo sem argumentação explícita heideggeriana, a publicidade do equipamento é sustentada por analogia com a tese wittgensteiniana segundo a qual a significação não depende de entidades privadas, mas do encadeamento de usos em um sistema.
    • O caráter de equipamento é descrito como não decorrendo de uma intenção privada, mas da conexão do item com outros itens no interior de uma estrutura instrumental total, do mesmo modo que uma palavra é determinada pelo sistema linguístico.
    • A sistematicidade é localizada nas conexões entre elementos do sistema e não em atos intencionais, de modo que, por ser sistemático, o sistema é público.
    • A publicidade é reforçada pela exigência de adequação material e funcional do equipamento às tarefas, de modo que a atribuição voluntarista de ser-martelo a um fio não pode produzir a funcionalidade correspondente.
    • A personalização de ferramentas é reconhecida como possível, mas sem romper o ponto de que ferramentas permanecem, em graus diversos, utilizáveis por outros, e mesmo mecanismos de bloqueio apenas tornam privado o que é, em princípio, apropriável por outros.
    • Conclui-se que o espaço do equipamento é necessariamente público tanto por sua ordenação sistemática quanto por sua orientação a tarefas, e isso redireciona a análise para o ser-com-outros como estrutura tão essencial quanto o ser-junto-a coisas.
  • Ser-com e espacialidade: a intersubjetividade do mundo emerge através de coisas e lugares
    • A análise do ser-com-outros é indicada como tema próprio, mas a relevância para a espacialidade é explicitada pelo vínculo entre publicidade do mundo e sua ordenação por coisas, lugares e regiões.
    • A intersubjetividade é descrita como atada à espacialidade que se dá pela ordenação instrumental, inclusive no caso da linguagem, que possui forma corporificada em fala e texto.
    • A presença de outros é mostrada como já insinuada na lida com o pronto-para-o-uso: o campo, o livro, o barco e suas atribuições remetem a pessoas determinadas ou a outros em geral.
    • A descrição anterior à obra principal reforça que a mesa doméstica é peça em lugar determinado com lugares de assento, e que o lugar vazio presentifica o co-ser-aí pela ausência, indicando uma estrutura espacial de apresentação do outro.
    • A tese articulada é que o encontro com coisas implica um horizonte de outros e o encontro com outros é simultaneamente encontro com coisas, de modo que a alteridade se dá no exterior organizado de coisas e lugares.
  • Socialidade e espacialidade: a externalidade espacial como condição de diferenciação e relação com o outro
    • A generalização proposta sustenta que é apenas na externalidade do espaço, concretizada em coisas e lugares, que pessoas são encontradas como outras.
    • A ordenação social e a ordenação espacial são apresentadas como reciprocamente articuladas: a vida social organiza-se no espaço e, inversamente, o espacial adquire ordenamento em virtude do social.
    • A socialidade não é tratada como contingência, mas como exigência conceitual ligada à própria ideia de outro: apreender o outro implica apreender uma existência semelhante e distinta, o que requer a possibilidade de exterioridade.
    • A exterioridade espacial separa e, ao mesmo tempo, coloca lado a lado, permitindo que o outro seja entendido como tendo uma visão do mundo semelhante e não idêntica à própria.
    • A constituição de formas de vida social é apresentada como constituição de formas de espaço, e a ideia de social como espacialmente constituído é alinhada com desenvolvimentos do século XX exemplificados em Foucault e Lefebvre, contrastados com limitações de Marx quanto à articulação ontológica dessa conexão.
    • Conclui-se que, por meio de Heidegger, torna-se mais claro como a vida humana pode ser necessariamente social e por que a socialidade é sempre espacializada, ainda que essa espacialidade seja entendida como ordenação de coisas e lugares na estrutura de mundo.
  • Crítica ao solipsismo e retorno ao entrelaçamento ser-com e ser-junto-a: espacialidade como meio de co-doação de si, mundo e outros
    • A análise do ser-aí como sempre ser-com é apresentada como contestação de pressupostos solipsistas associados a modelos centrados na interioridade, exemplificados por tradições derivadas de Descartes.
    • A co-doação de si e mundo é paralelizada pela co-doação de si e outros, de modo que o ser-aí é sempre já entre outros, assim como é sempre já no mundo.
    • O entrelaçamento entre ser-com-outros e ser-junto-a coisas e lugares é indicado como estrutural, e esse entrelaçamento é apresentado como intrinsecamente orientado à espacialidade.
    • A sugestão crítica ressalta que se poderia conceber a espacialidade como esfera que torna possível a diferenciação mútua entre entes em relação recíproca, contrapondo-se à ênfase heideggeriana na ausência de parentesco com a espacialidade de contenção.
    • A publicidade e intersubjetividade do significado são apresentadas como exigindo que possibilidades existenciais sejam extraídas do domínio público, o que aproxima as estruturas de entendimento da publicidade do equipamento e da linguagem.
    • A tese resultante afirma que ser-com, ser-junto-a e mesmo ser-entendendo são inextricavelmente ligados a ser-espacial, embora tal espacialidade seja declarada, no quadro de Ser e Tempo, fundada em algo diverso do espacial como tal.
  • Publicidade, anonimato e queda: o espaço instrumental como condição da forma do impessoal e sua aproximação ao espaço objetivo
    • A publicidade da espacialidade instrumental é apresentada como portadora de uma tendência pela qual o ser-aí se compreende como um entre muitos, isto é, segundo a anonimidade do impessoal.
    • O caráter inautêntico ou alienado dessa compreensão é exemplificado por práticas de comunicação, transporte e entretenimento de massa, nas quais cada outro é como o próximo.
    • Essa possibilidade é enraizada em toda atividade no domínio do pronto-para-o-uso, domínio que é também o domínio do impessoal.
    • A análise sustenta que o caráter público e espacial do espaço instrumental o torna suscetível de descrição que o aproxima do espaço objetivo nivelado, como estrutura mapeável, anônima, disponível a todos e pertencente a ninguém.
    • A transformação do equipamento em estrutura mapeável é apresentada como via pela qual o domínio do pronto-para-o-uso pode ser apropriado nos termos do presente-à-mão, fornecendo razão para tratar a espacialidade como não primária e, portanto, secundária na analítica do ser-aí.
  • Espacialidade existencial como dis-tância e orientação: configuração do aí por tarefa, saliência e aproximação
    • O ser-aí é dito encontrar-se em espaço não por apreensão de espacialidade objetiva, mas por envolvimento ativo em estrutura ordenada de coisas, lugares, regiões e pessoas.
    • Esse envolvimento, estruturado por atividades e tarefas, permite que elementos se tornem salientes, isto é, que certas coisas e lugares venham à vista segundo a adequação à tarefa em curso.
    • A aproximação por atividade é descrita como processo no qual elementos relevantes se tornam mais próximos do que sensações corporais imediatas, indicando uma proximidade definida pela tarefa e não pela métrica objetiva.
    • A espacialidade em questão é caracterizada pelos conceitos de Ent-fernung, entendido como dis-tância, e Ausrichtung, entendido como orientação.
    • A dis-tância designa o modo como algo se destaca do conjunto e se torna próximo em relação ao ser-aí, ao mesmo tempo em que sua distância pode tornar-se patente no próprio processo de aproximar.
    • A orientação designa o modo como, em uma tarefa, o ser-aí já se encontra disposto em relação ao arranjo de coisas e lugares, com frente, lado, direita e esquerda configurados no campo prático.
    • Dis-tância e orientação capturam o modo como o ser-aí é situado no interior do ordenamento do mundo, focalizando-o a partir de um aí determinado e produzindo uma configuração própria desse aí como aproximação prática.
  • Interação entre espacialidade instrumental e espacialidade existencial: emergência do aí como realização singular de uma ordem pública
    • Dis-tância e orientação são vinculadas diretamente à estrutura do pronto-para-o-uso, de modo que a espacialidade existencial sempre se dá sobre o fundo de um ordenamento instrumental.
    • A tese articulada é que o ser-aí encontra-se sempre enredado em alguma estrutura instrumental e, por isso, sempre se encontra orientado com saliências determinadas pela configuração de coisas, lugares e regiões.
    • A reconfiguração do campo prático é apresentada como possível quando a lida falha, mas a falha é tratada como interrupção de um engajamento que pode ser reorganizado por deslocamentos de tarefa e de saliência.
    • A espacialidade em questão é constituída por um duplo: o engajamento ativo do ser-aí que se articula como dis-tância e orientação e o campo de engajamento já disposto pela configuração instrumental de coisas, lugares e regiões.
    • A estrutura teleológica de atividade, tarefa e finalidade determina tanto a ordenação instrumental quanto a configuração do campo em torno do aí singular, tornando a espacialidade dependente do sentido prático do que está em jogo.
  • Primazia alegada da temporalidade: tarefa e finalidade como condição de aparecimento e a tese de que espaço é no mundo
    • A distinção entre engajamentos como pintar e comer mostra que a diferença não é determinada por relações espaciais objetivas, mas pela articulação temporal de atividades, tarefas e fins que deixam aparecer as coisas como o que são.
    • A tese expressa é que espaço não está no sujeito e mundo não está no espaço, mas que espaço está no mundo na medida em que é desvelado pelo ser-no-mundo constitutivo do ser-aí.
    • A capacidade do ser-aí de dar espaço ou abrir espaço é articulada como fazer com que entes possam ser encontrados do modo constitutivo do ser-no-mundo, liberando o pronto-para-o-uso para sua espacialidade.
    • Esse conjunto reforça a ideia de que a espacialidade, inclusive a espacialidade existencial, aparece como fundada em estruturas mais originárias, especialmente as que dão unidade e direção ao envolvimento.
  • Crítica de Dreyfus e debate subsequente: dis-tância como campo público e como aproximação pragmática individual
    • A crítica afirma que Heidegger não distingue espaço público, no qual entes aparecem para seres humanos, da espacialidade centrada de cada indivíduo.
    • O ponto focal é a alegada confusão entre a abertura geral do campo de presença, condição para perto e longe, e o trazer pragmaticamente para perto por uso e manuseio.
    • A alegação sustenta que o trazer pragmaticamente para perto só pode ser próximo para mim e não pertence ao espaço público.
    • A consequência sugerida é que, se dis-tância depende da atividade individual, então a estrutura espacial seria subjetiva e a relação com a publicidade do mundo tornar-se-ia problemática.
  • Correção proposta à crítica: prioridade do público e necessidade de realização individual sem fundação subjetivista
    • A objeção a Dreyfus sustenta que a ênfase na publicidade não pode nivelar a espacialidade existencial até torná-la indistinguível do espaço mundano de entes meramente ocorrentes.
    • O problema é reformulado como problema da natureza da espacialidade: a espacialidade possui caráter necessariamente público e a dificuldade consiste em incorporá-lo sem dissolver o caráter existencial.
    • A espacialidade instrumental pública, embora ordenada por lugares e regiões, é apresentada como difícil de distinguir do espaço objetivo precisamente porque a publicidade exige acessibilidade a partir de múltiplas posições e a ordenação regional exige um campo único comum.
    • A acusação de subjectivismo é recusada como consequência necessária do fato de que a estrutura requer tanto ordenação pública quanto realização singular, pois a presença de um elemento dito subjetivo num todo não determina por si mesma a subjetividade do todo.
    • Uma analogia com o mapa é usada para esclarecer que o ordenamento público não determina um posicionamento particular, mas só se torna saliente mediante um posicionamento efetivo a partir do qual a configuração pode ser relacionada ao campo.
    • A estrutura instrumental é dita anterior a qualquer ser-aí individual, mas só emerge em saliência na atividade singular, e a publicidade é entendida como pertencendo a uma comunidade de indivíduos engajados, não a um ser-aí geral abstrato.
    • O campo de presença é, assim, fundado simultaneamente no ordenamento instrumental prévio e na realização singular desse ordenamento por dis-tância e orientação, sem que isso implique que o ordenamento seja produzido por um indivíduo isolado.
  • Núcleo persistente do problema: priorizações heideggerianas e risco de privilegiar o existencial sobre o intersubjetivo
    • Reconhece-se que permanece um problema real sobre como espaço público instrumental e espaço existencial individual se articulam e como se distinguem do espaço objetivo.
    • O ponto decisivo é deslocado para a questão da prioridade: a dificuldade reside menos na exigência de dois níveis e mais no modo como Heidegger parece priorizar o existencial sobre o instrumental e, por extensão, o elemento individual sobre o intersubjetivo.
    • Uma sequência de priorizações é identificada: a espacialidade do envolvimento sobre a espacialidade da contenção; dentro do envolvimento, a espacialidade existencial sobre a espacialidade instrumental; e, por fim, a temporalidade sobre a espacialidade, com nova prioridade da temporalidade originária sobre modos derivados.
    • Essa cadeia de dependências é apresentada como o verdadeiro ponto de tensão, pois pode reintroduzir, sob outra forma, o privilégio do polo individual na constituição do espaço de mundo.
  • Exigência de um argumento para a derivação da espacialidade: ameaça à coordenação de temporal e espacial
    • A prioridade da temporalidade é anunciada desde o início como meta de interpretar tempo como horizonte do ser, mas exige argumento específico para a tese de que espacialidade é derivada.
    • A necessidade desse argumento decorre do fato de que o reconhecimento de uma espacialidade existencial como atributo básico ameaça impor uma coordenação entre temporal e espacial na análise do ser-aí.
    • A argumentação heideggeriana, localizada como breve e condensada, é caracterizada como seguindo a linha geral segundo a qual só a temporalidade fornece unidade e direcionalidade capazes de fazer aparecer pessoas, coisas, lugares e espaços como significativos.
    • A consequência metodológica é que compreender o caráter fundado da espacialidade requer atenção à estrutura do cuidado e à sua explicação temporal, bem como exame da noção de prioridade e de conceitos associados de derivação e fundamento.
  • Preparação do passo seguinte: cuidado, temporalidade e o sentido de prioridade como problema sistemático
    • A compreensão da derivação da espacialidade, inclusive da espacialidade existencial, é indicada como dependente de uma elucidação do cuidado enquanto estrutura que organiza o envolvimento e da temporalidade como sentido do cuidado.
    • O exame deve concentrar-se no modo como a temporalidade recebe primazia frente aos elementos da estrutura do ser-aí e na maneira como a prioridade é concebida.
    • A noção de fundação ou derivação é colocada como tema que exige esclarecimento, pois dela depende a inteligibilidade do rebaixamento da espacialidade.
    • A transição final fixa a tarefa: investigar mais de perto como a temporalidade é instituída como princípio de unidade e direção e como isso sustenta a tese de secundariedade da espacialidade no projeto de ontologia fundamental.
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