estudos:lowith:heidegger-rosenzweig
Martin Heidegger e Franz Rosenzweig
KLH
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Delimitação do problema da relação entre Heidegger e Rosenzweig no horizonte da filosofia contemporânea
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A questão central estabelece-se a partir do fato de que El ser y el tiempo representa o esforço mais radical de fundamentação ontológica da existência finita, ao passo que La estrella de la redención se configura como uma recusa explícita da totalização filosófica, orientando-se pela revelação, pela criação e pela redenção como dimensões irredutíveis à ontologia.
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A relação entre ambos não se apresenta como influência direta, mas como convergência problemática, na qual a mesma crise da metafísica conduz a respostas estruturalmente divergentes quanto ao sentido último do ser e do tempo.
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O agregado de Rosenzweig deve ser compreendido como intervenção crítica indireta, situada no mesmo campo histórico-existencial, mas orientada por pressupostos incompatíveis.
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O contexto intelectual da crise do idealismo e da metafísica sistemática
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O pano de fundo comum é a dissolução do idealismo alemão, especialmente em sua forma neokantiana, que ainda buscava assegurar a totalidade do real por meio da razão sistemática.
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A Primeira Guerra Mundial atua como ruptura histórica decisiva, expondo a insuficiência das construções abstratas diante da facticidade da existência humana concreta.
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Tanto Heidegger quanto Rosenzweig partem do colapso da confiança na mediação racional universal, mas divergem quanto ao que deve ocupar o lugar deixado vago pela metafísica.
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A crítica rosenzweiguiana ao idealismo e à totalidade filosófica
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Rosenzweig rejeita o idealismo por seu caráter totalizante, que subordina a singularidade do existente humano a um sistema conceitual fechado.
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A filosofia idealista é interpretada como incapaz de acolher o acontecimento real da vida, da morte e da revelação, pois reduz tudo à necessidade lógica.
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Contra isso, afirma-se a prioridade do acontecimento sobre o conceito, do fato sobre a dedução, e da existência vivida sobre a totalidade sistemática.
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A crítica heideggeriana à metafísica da presença
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Heidegger rejeita a metafísica tradicional por compreender o ser a partir da presença constante, da substância e da permanência.
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Essa crítica conduz à destruição da ontologia clássica e à necessidade de repensar o ser a partir da temporalidade.
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O ser não é mais compreendido como ente supremo ou fundamento eterno, mas como aquilo que se dá na abertura temporal do Dasein.
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A convergência inicial na facticidade da existência
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Ambos partem da facticidade como ponto de ruptura com a abstração filosófica.
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A existência humana não é derivada de princípios universais, mas constitui-se como situação concreta, histórica e finita.
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Essa convergência, porém, permanece apenas inicial, pois o estatuto último dessa facticidade será interpretado de modo radicalmente distinto.
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O conceito de tempo em Heidegger
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O tempo é a estrutura ontológica fundamental do ser do Dasein.
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A temporalidade não é um atributo entre outros, mas o horizonte no qual o ser pode ser compreendido.
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O ser é pensado exclusivamente a partir da finitude temporal, sem referência a qualquer eternidade transcendente.
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O conceito de tempo em Rosenzweig
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O tempo não esgota o sentido da existência humana, pois está articulado à eternidade.
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A existência temporal é atravessada pela revelação, que introduz uma dimensão que não pode ser reduzida ao fluxo do tempo histórico.
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O tempo é compreendido a partir da criação e orientado para a redenção, e não como horizonte último do ser.
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A morte como categoria central em Heidegger
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A morte é a possibilidade mais própria do Dasein, aquela que não pode ser delegada nem superada.
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A antecipação da morte funda a autenticidade, pois individualiza o Dasein diante de sua própria finitude.
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A morte não remete a nenhuma transcendência, mas encerra definitivamente o horizonte do ser.
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A morte como problema teológico-existencial em Rosenzweig
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A morte não pode ser assumida como sentido último da existência sem reduzir o humano ao desespero.
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A experiência da morte exige resposta que ultrapassa a filosofia, conduzindo à revelação.
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A morte é integrada na esperança da redenção, e não absolutizada como horizonte final.
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Linguagem e pensamento
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Em Heidegger, a linguagem é o lugar do desvelamento do ser, inseparável da estrutura ontológica do Dasein.
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Em Rosenzweig, a linguagem é primariamente palavra dirigida, interpelação, resposta.
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A diferença entre linguagem ontológica e linguagem revelacional marca uma cisão decisiva entre ambos.
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Revelação e ontologia
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Heidegger exclui metodologicamente a revelação do âmbito da ontologia.
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Rosenzweig afirma a revelação como acontecimento real que funda o sentido da existência.
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A ontologia é, para Rosenzweig, estruturalmente incapaz de acolher a totalidade da experiência humana.
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A relação com o outro
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Em Heidegger, o ser-com é estrutura existencial, mas permanece impessoal no domínio do impessoal.
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Em Rosenzweig, a relação eu-tu é originária e constitutiva.
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A interpelação do outro não é derivada, mas fundamento da subjetividade.
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Mundo, criação e historicidade
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O mundo heideggeriano é horizonte de significatividade do Dasein.
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O mundo rosenzweiguiano é criação, realidade histórica aberta à redenção.
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Essa diferença implica concepções incompatíveis da história e do sentido.
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Verdade e sentido último
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A verdade heideggeriana é desvelamento do ser na temporalidade.
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A verdade rosenzweiguiana é fidelidade à revelação.
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Não há síntese possível entre ambas sem perda de sentido.
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Sentido do agregado rosenzweiguiano
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O agregado não é comentário exegético, mas tomada de posição filosófica.
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Trata-se de afirmar os limites intrínsecos de El ser y el tiempo.
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A ontologia da finitude é confrontada com o pensamento da redenção.
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Conclusão
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Heidegger e Rosenzweig partem da mesma crise, mas seguem caminhos inconciliáveis.
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A filosofia da finitude e o pensamento da revelação representam alternativas irreconciliáveis.
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O agregado afirma a impossibilidade de encerrar o sentido da existência humana na ontologia do tempo.
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