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GRAHAM HARMAN (2002:INTRO) – ENCOBERTO E DES-ENCOBERTO

Embora argumente que a filosofia de Heidegger é compatível com uma discussão de vários temas concretos, também afirmo que nenhum desses temas pode ser encontrado em seus escritos. Heidegger é um pensador não apenas profundo, mas profundamente monótono. Se você arranhar a superfície de seu Stimmung, Zeitlichkeit, Spielraum ou Zwitterwesen, verá que são apenas apelidos ou pseudônimos para uma única inversão obsessiva entre os polos de “encoberto” e “desencoberto”, pronto para ser usado (Zuhandenheit) e presente (Vorhandenheit). Heidegger é um mestre incomparável em mostrar como qualquer termo ôntico específico está sempre fundamentado em algo mais profundo. Ele não é tão hábil em mostrar como essa profundidade monótona está relacionada de diferentes maneiras a diferentes zonas da realidade; o movimento é sempre de implosão. Heidegger só poderia ter escapado desse colapso perpétuo em um dualismo repetitivo se tivesse desenvolvido sua “metontologia” proposta de forma superficial, uma teoria do metabole: o Umschlag ou reviravolta entre a profundidade infraestrutural de um objeto e seus contornos exteriores brilhantes. Na ausência dessa teoria, a maior parte de sua terminologia específica não nos dá nada mais do que uma variedade perturbadora de figuras literárias para um duelo recorrente de luz e sombra.

(HARMAN, Graham. Tool-Being. Heidegger and the Metaphysics of Objects. Chicago: Open Court, 2002)

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