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HARADA (2009A:84-86) – SENTIDO DO SER

A pergunta que interroga o ente no seu ser se chama questão do sentido do ser . Questão significa busca.

Segundo Ser e tempo, §2 (A estrutura formal da pergunta pelo ser), numa busca temos o que buscamos. O que buscamos é o ser ou melhor o sentido do ser. Ao sentido do ser não o encontramos como isso ou aquilo, não como algo, como ente, como objeto, como o contra-posto, seja ele de que feitio for, não como coisa-Ding, coisa-Sache. Tudo isso que nomeamos como termos indicativos afins ao ente, que aparecem como coisas de infinitas variações, nuances e diferenciações, são como que lugares, situações, a partir e dentro das quais a busca procura o seu buscado, o Ser, submetendo o respectivo ente sob o interrogatório acerca do seu ser. Essa situação da busca se perfaz numa estruturação de colocação bipolar, na qual num dos pólos se acha o interrogante com o seu interrogatório e no outro o interrogado, como ente-objeto, contraposto a quem interroga. Surge assim uma interação, um intercâmbio de dois tipos de ente, denominados, usualmente, sujeito e objeto. Esta estruturação pode se dar em diferentes complexidades de interação, e em interpretações diferenciadas, mas como tal, por assim dizer, estatui o modo de agir e ser do que denominamos conhecimento, cuja estruturação está baseada na definição tradicional da verdade, como adequação da coisa e do intelecto, cuja esquematização se fixa como relação S — O, refletido na fala lógica como S-P, i. é, conhecimento, como juízo. Essa fixação é algo como redução da questão do sentido do ser à estrutura da teoria do conhecimento, insuficiente para levar à consumação a busca, na sua radicalidade. Assim substitui-se por doutrina e teoria dogmatizada do conhecimento, a questão do sentido do ser, que se perfaz, como busca do sentido do ser, na situação do ente submetido ao interrogatório acerca do seu ser, a partir e dentro do qual pode emergir o vir à fala o ser no seu sentido, não como ente, como algo, não como algo-sujeito, nem como algo-objeto, nem como algo comum de dois, mas como pregnância de uma presença toda própria, como ente-no-ser e ser-no-ente.

A fenomenologia, como deixar ver de si mesmo o que se mostra assim como se mostra, a partir dele mesmo, é a tentativa de fazer retornar a busca da verdade enquanto questão do sentido do ser, libertando-a desse aprisionamento impróprio da sua essência dentro da camisa de força da teoria do conhecimento, convocando-a para a volta, para coisa ela mesma, i. é, para a causa ela mesma da sua dinâmica, evocada na própria expressão fenomenologia , i.é, deixar ver de si mesmo o que se mostra assim como se mostra, a partir dele mesmo: o deloun.

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