estudos:guest:ereignis
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Ereignis
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Abordagem da dificuldade de traduzir e compreender Ereignis.
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Não se trata de perguntar (em modo metafísico) o que é o Ereignis, mas sim do que se trata nele.
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Trata-se de pensar o que propriamente dá lugar ao Il y a – à doação de Ser, de tempo, de espaço –, o que dá lugar (sem que pareça) à aîtrée do Estre: à livre sequência de épocas na dispensação (movimentada) da verdade do Ser e aos sobressaltos da história do Ser.
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Os três aspectos semânticos de Ereignis no uso heideggeriano.
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O termo deve ser apreendido simultaneamente sob três aspectos semânticos:
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O aspecto de Acontecimento (Événement), maior e decisivo.
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O aspecto de A-juntamento ou aí-apropriamento (Er-eignis) do aître do ser humano ao Estre (e vice-versa).
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O aspecto óptico que aparece discretamente na etimologia de Er-äugnis (relacionado a Auge – olho – e äugen – olhar, mostrar).
Heidegger geralmente ressaltou o radical eigen- (próprio, apropriar), mas a aspectualidade temporal e eventual do Acontecimento está constantemente pressuposta.O termo Ereignis foi eleito e retido conscientemente por Heidegger desde o início dos anos 1930 como a palavra que está no centro de gravidade de seu pensamento, especialmente nos Tratados Inéditos (1935-1945).-
O Acontecimento singular e incomparável.
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O Acontecimento sem par do qual se trata na pensamento do Estre é concebido numa acepção absolutamente singular – o Singulare tantum por excelência.
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Se o Ereignis é antes de tudo o Acontecimento mesmo da história do Estre, e também o A-juntamento que aí-apropria o ser humano e o Estre um ao outro, quando se alude à etimologia óptica de Er-äugnis, isso ocorre no contexto de um olhar lançado ao coração daquilo que é (Einblick in das, was ist).
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Nesse olhar, os humanos são atingidos, até em seu aître, pelo relâmpago do Ser. São eles os olhados (die Erblickten) nesse olhar.
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Quando o Estre muda de rosto, deixando fluir diferentemente a dispensação da verdade do Ser, isso diz respeito aos humanos, que devem ter consideração por isso.
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Tudo o que tem lugar no Ereignis nos diz respeito. E, por sua vez, do ponto de vista do Ereignis, nada do humano lhe é estranho.
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A relação entre o Acontecimento, a história do Ser e a habitação humana.
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Se há Acontecimento no Ereignis, é também porque se trata da aîtrée do Estre como Acontecimento: da aventura do Ser junto aos humanos, à mercê (e perigo) da aventura humana, da aventura historial que lhes pertence, e do acolhimento (mais ou menos hospitalário) que lhe reservam – e antes de tudo na linguagem: a casa do Ser.
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Como não reconhecer no Ereignis o caráter do Eventual [das Ereignishafte] no próprio coração do aître do Estre, a instância abissal à qual ressorti a aspectualidade movimentada (temporal e historial) da aîtrée do Estre como Acontecimento?
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Como não lhe reconhecer o aspecto do Acontecimento mesmo, a cuja movimentação estamos a todo instante, em plena história do Ser, imemorialmente implicados?
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A tarefa da pensamento do Ereignis: tomar consciência da exposição humana.
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Para a pensamento do Ereignis, trata-se essencialmente de tomar consciência da exposição do aître do ser humano – de sua precária morada e de seu modo de habitação no Ser – ao sopro de um Acontecimento que seria ainda pouco dizer que é maior e de grande amplitude.
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O Acontecimento de que se trata é antes o Único, o Singular por excelência: o Acontecimento mesmo – imemorial – da história do Ser.
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É o Acontecimento único no coração movimentado do qual estamos desde sempre implicados em todos os lugares, sem que sua amplitude (muito menos sua unicidade) nos possa ordinariamente aparecer, tal é propriamente imensa sua singular magnitude.
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Em suma: é isso que Heidegger, em solidão, empreendeu começar a considerar, e talvez mesmo a encarar: a olhar de frente (e devolvendo-lhe seu olhar sem sucumbir ao possível vertigem de uma sideração) como sendo aquilo que singularmente leva o nome de Ereignis.
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