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estudos:guest:catastrofe

Catástrofes

LDMH

  • Nihilismo como movimento fundamental e portador de catástrofes mundiais.
    • No ensaio sobre A palavra de Nietzsche 'Deus está morto', Heidegger adverte que o niilismo, pensado em seu aître, é o movimento fundamental da história do Ocidente.
    • Este movimento tem tal calado (tirant d'eau) que seu desdobramento só pode ter como consequências catástrofes mundiais (Weltkatastrophen).
    • O niilismo é, portanto, portador de naufrágios em escala mundial.
  • Uso prudente e qualificado do conceito de catástrofe por Heidegger.
    • Heidegger não recorre levianamente ao conceito de catástrofe.
    • Em 1942, chega a afirmar que o ser humano é a única catástrofe.
    • Desqualifica o conceito de catástrofe subordinado ao cálculo (previsional e preventivo) próprio do pensamento técnico.
    • Rejeita também o catastrofismo das filosofias do declínio (Verfall, Untergang), como em Spengler.
  • Crítica à visão da técnica como a catástrofe do mundo moderno.
    • É comum afirmar que a técnica é a maldição que reduz toda cultura superior à simples civilização, sendo a catástrofe do mundo moderno.
    • Heidegger observa que o pensamento de prevenção ou profetização de catástrofes permanece prisioneiro de uma futurologia, ela mesma submetida à configuração do aître da técnica e de suas técnicas de cálculo.
    • Mesmo ao recapitular o esforço para pensar o perigo, ele nota que todas as tentativas morfológicas e psicológicas de descrever o real em termos de decadência, perda, fatalidade, catástrofe ou declínio ainda pertencem ao modo de pensar técnico.
    • O perigo (die Gefahr) afeto ao próprio aître da técnica (que se liga ao perigo no Ser), este perigo extremo, escapa a essas abordagens.
  • A realidade das catástrofes mundiais ligadas ao niilismo e às guerras mundiais.
    • É preciso, contudo, preocupar-se com essas catástrofes mundiais ligadas ao niilismo como movimento fundamental da história do Ocidente.
    • Entre elas figuram pelo menos duas guerras mundiais, essas “guerras-mundo” (Welt-Kriege).
    • Nesses eventos, o desencadeamento do niilismo e o reino da vontade de vontade (da metafísica da vontade de poder) atingem a dimensão mundial de seu domínio planetário.
    • Estendendo-se à mobilização do ente em seu conjunto, a vontade de vontade (que não tem outro fim senão ela mesma) invoca sua missão, o destino e os chefes que se dá, tentando fazer-se passar por outra coisa: pura e simplesmente a anarquia das catástrofes.
  • Heidegger como pensador do perigo, do niilismo e da eventualidade da catástrofe mundial.
    • Pensador do Perigo no Estre, do niilismo, da malignidade do Ser, do Estre colocando a si mesmo em perigo na verdade de seu aître, do extermínio do homem pelo homem, escrutando o rosto do Ser que se apresenta ao homem moderno sob o signo ambíguo de Jano, Heidegger é talvez também o pensador da iminência e da eventualidade historial da catástrofe mundial.
  • A catástrofe única: o ser humano como katastrophe em seu próprio aître.
    • No curso sobre o hino de Hölderlin Der Ister (1942), Heidegger retoma sua meditação do coro de Antígona de Sófocles, acentuando o aspecto de uma meditação da catástrofe.
    • As mais violentas 'catástrofes' da natureza não são nada comparadas à inquietante estranheza que reside no próprio aître do ser humano (das Menschenwesen), quando este, instalado no ente e esquecido do Ser, transforma o habitual no vazio do Erro (die Irre) que preenche com seu afazer.
    • Para quem medita essa situação, aparece que o aître do ser humano está intimamente implicado numa catástrofe de maior amplitude, ligada à movimentação intrínseca e perigosa do Estre como Acontecimento.
    • A inquietante estranheza do inabitual, notada pelo coro trágico de Sófocles, consiste em que o ser humano é, em seu próprio aître, katastrophe – uma virada (Umkehrung) que o desvia de seu aître próprio.
    • Neste sentido (que não é meramente acidental), o ser humano é, no seio do ente, a única catástrofe.
  • A catástrofe essencial ligada à curvatura do tournant no Ser e no Acontecimento.
    • Reduzir esta insigne e única catástrofe ao catastrofismo do catastrófico, à luz de uma consideração pessimista do mundo, é a melhor maneira de desconhecer sua amplitude e gravidade.
    • A única catástrofe, que se liga ao aître do humano, liga-se à invaginação y-essencial que lhe é própria no seio do Estre como Acontecimento, à própria torção do tournant no Estre mesmo: àquilo de que se trata no coração do Ereignis.
    • A eventualidade da cata-strophe está ligada à curvatura da Kehre im Seyn, à Kehre im Ereignis – ou seja, também à curvatura do Perigo no Estre.
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