estudos:grondin:finitude-1987
RADICALIZAÇÃO DA FINITUDE (1987)
GRONDIN, J. Le Tournant dans la pensée de Martin Heidegger. Paris: PUF, 1987
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A ausência de justificativas explícitas sobre o abandono da terceira seção de Ser e Tempo exige uma interpretação que localize a origem da virada ou Kehre na radicalização filosófica da finitude.
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Silêncio do autor sobre os motivos da não publicação.
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Hipótese do fracasso do projeto Tempo e Ser.
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Identificação da finitude como causa das hesitações e do tournant.
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Fundamentação filológica baseada no curso de 1927.
A interrupção da investigação filosófica ao final da análise da temporalitas coincide com o reconhecimento de que a fundamentação da projeção temporal exige o enfrentamento do problema da finitude do tempo.-
Impasse quanto à fundamentação dos esquemas extáticos.
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Citação do curso de 1927 sobre a impossibilidade de avançar.
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Primazia da questão da finitude do tempo sobre a temporalidade já descrita.
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Eloquência do silêncio diante da profundidade do problema.
A possibilidade de modificação essencial do horizonte da praesentia em ausência revela uma conexão intrínseca entre o tempo e a negatividade que demanda uma interpretação ontológica do nada.-
Fenômeno do ente à mão que se destaca pela falta.
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Transformação da praesentia em absentia ou ausência.
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Hipótese do tempo como condição de possibilidade da negatividade.
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Referência à co-pertenca entre ser e nada em Hegel.
A hesitação diante da dificuldade abissal da relação entre tempo e nada não impede a constatação de que a finitude opera como motor subterrâneo das obras subsequentes sobre a metafísica e a essência da verdade.-
Presença implícita da finitude através da negatividade.
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Continuidade da problemática na conferência de 1929.
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Radicalização da co-pertenca entre verdade e não-verdade em 1930.
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Vínculo direto entre esses opúsculos e a pensamento da virada.
A emergência da finitude como fundamento absoluto da ontologia no livro sobre Kant contrasta paradoxalmente com sua ausência total na introdução programática de Ser e Tempo.-
Surpresa diante da mudança de foco na economia da obra.
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Identificação da compreensão do ser com a finitude no livro sobre Kant.
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Omissão flagrante do tema na introdução de Ser e Tempo.
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Necessidade de explicar a transformação ocorrida entre as duas obras.
A presença da finitude em Ser e Tempo restringe-se à segunda seção da obra, manifestando-se especificamente no contexto do ser-para-a-morte e da possibilidade de assunção autêntica da existência.-
Exclusão do conceito na primeira seção.
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Ocorrência pontual na análise da temporalidade do Dasein.
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Contraste com a interpretação da morte divulgada pelo impessoal.
A assunção da morte como a possibilidade mais própria e iniludível do Dasein constitui o núcleo da existência autêntica, a qual se opõe às estratégias de esquiva e nivelamento promovidas pelo impessoal.-
Confronto com o poder-ser no ser-para-a-morte.
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Crítica à tentativa do on de superar ou adiar a morte.
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Conceito de antecipação resoluta ou Vorlaufen.
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Interpretação da autenticidade como lucidez ou consentimento à mortalidade.
A liberdade do Dasein para suas possibilidades mais íntimas decorre da abertura proporcionada pela morte, estabelecendo uma equivalência ontológica entre existência, finitude e temporalidade autêntica.-
Determinação das possibilidades pelo fim.
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Constituição do futuro autêntico através da assunção da finitude.
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Origem da expressão finitude do tempo.
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Coextensão das noções de Dasein, finitude e tempo.
A concepção vulgar do tempo como uma sucessão infinita de agoras resulta de uma ocultação da temporalidade autêntica, revelando-se o infinito como um produto derivado destinado a mascarar a finitude originária.-
Supressão da finitude pela temporalidade inautêntica.
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Crítica à cadeia infinita de momentos.
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Dependência do infinito em relação ao finito como inversão de Hegel.
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Influência nietzschiana na priorização do finito.
O balanço da análise preliminar indica que a finitude, embora ausente da fundação introdutória, sustenta o projeto de liberdade da existência autêntica e tende a suplantar a própria noção de autenticidade na evolução do pensamento heideggeriano.-
Ausência nos conceitos fundadores iniciais.
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Centralidade na segunda seção referente à autenticidade.
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Proporção inversa entre a radicalização da finitude e a ênfase na autenticidade.
A dependência da finitude em relação à escolha da autenticidade em Ser e Tempo suscita questionamentos sobre a existência de uma finitude mais originária e involuntária que antecederia qualquer deliberação do sujeito.-
Caracterização da finitude como fruto de uma escolha existencial.
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Dúvida sobre o caráter eletivo da temporalidade.
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Precedência do projeto-jogado sobre o projeto projetante.
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Possibilidade de uma decadência total e irrevogável.
A radicalização da finitude empreendida após a publicação de Ser e Tempo reconfigura a ontologia fundamental ao transformar a autenticidade em serenidade e ao conferir centralidade às problemáticas do nada e da errância.-
Impulso gerado pelas dificuldades do modelo voluntarista.
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Reinterpretação da inautenticidade como errância ontológica.
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Deslocamento da posse ou Besitz para o favor ou Gunst na relação com o ser.
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Impacto da radicalização na emergência da virada filosófica.
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