estudos:franck:idealismo-fenomenologico-2014
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Idealismo fenomenológico (2014)
Franck2014
1. Universal a priori e elevação do ego a eidos
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O prefácio de 1930 às Ideias I define a fenomenologia como ciência a priori eidética dirigida ao universal em sua capacidade de intuição originária.
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O campo empírico da subjetividade transcendental factual é apropriado apenas como pura possibilidade.
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As experiências factuais são equiparadas a possibilidades puras livremente modificáveis.
A redução ao eidos ego permite alcançar o universal a priori.-
Nem o ego nem o mundo são concebíveis sem esse universal a priori.
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Ele constitui a condição de possibilidade de tudo o que pode ser pensado e dado.
Somente a partir dessa elevação torna-se legítimo abordar os problemas universais da constituição do ego monádico.-
O ego transcendental é compreendido como fonte de todas as experiências possíveis, atuais e potenciais.
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Os objetos intencionais constituídos pertencem a esse campo de possibilidades.
2. Limitações eidéticas da experiência e legalidade genética
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Nem todas as formas de experiência são simultaneamente possíveis para um mesmo ego.
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A construção teórica exige um ego racional em sentido mundano.
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Certas fases da vida, como a infância, excluem de direito a atividade teórica atual.
Essas exclusões não suprimem a possibilidade eidética correspondente.-
A experiência infantil contém a possibilidade da experiência teórica.
As experiências estão ordenadas por uma legalidade essencial e genética na temporalidade imanente.-
Tudo o que ocorre no ego participa de uma forma temporal universal.
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A temporalidade é apresentada como sistema formal comum a todo ego possível.
A variação imaginativa revela o tempo como forma genética universal da egogênese.-
A unidade do ego é condicionada pela temporalidade enquanto invariante eidético.
3. Motivo genético e libertação da facticidade pré-constituída
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A forma temporal não é causal, mas motivacional, estruturada segundo um esquema condicional.
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A constituição genética do ego autoriza uma fenomenologia eidética universal.
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O ponto de partida empírico no próprio ego do fenomenólogo é reconhecido como inevitável.
O ego encontra-se sempre já em um mundo pré-constituído e aparentemente conhecido por todos.-
Esse mundo serve inicialmente como fio condutor descritivo.
O risco é o da facticidade no sentido empírico, da qual a redução eidética deveria libertar.-
Enquanto o ego não se auto-varia eideticamente, o mundo correlato permanece apenas mundo factual.
Reconhecer a gênese do ego é libertar-se do mundo pré-constituído.-
A redução ao eidos mundo torna-se possível.
O motivo genético não enfraquece o motivo eidético.-
Ele o consolida e permite tematizar uma historicidade não empírica.
A fenomenologia deve começar por análises estáticas.-
Somente depois pode avançar para análises propriamente genéticas e históricas.
4. Gênese ativa e gênese passiva
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Os princípios da gênese constitutiva dividem-se em ativos e passivos.
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Na gênese ativa, o ego produz novos objetos por meio de atos.
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A constituição de objetos ideais prolonga análises iniciais da Filosofia da Aritmética.
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Esses objetos não pertencem necessariamente a todo ego em todo momento.
Toda atividade pressupõe uma passividade originária.-
Nada pode ser construído sem algo previamente dado.
O objeto físico pronto é dado originariamente por sínteses passivas.-
A passividade fornece a matéria para toda atividade.
As sínteses passivas desempenham um papel decisivo na constituição.-
Elas são comparáveis, em sua função, ao ser-no-mundo da analítica existencial.
5. Percepção, pré-doação e síntese temporal passiva
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A percepção ativa pressupõe uma intuição anterior não explicitada.
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A coisa é dada antecipadamente como unidade vaga e familiar.
Uma síntese passiva unifica as adumbramentos.-
Ela fornece a matéria para a explicitação ativa.
A familiaridade com as coisas é explicada por essa síntese passiva.A análise do som contínuo exemplifica a pré-doação passiva.-
O som é dado como unidade de duração no fluxo temporal.
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O presente vivo inclui horizontes de passado e futuro.
A apreensão ativa não se dirige ao agora pontual.-
Ela atravessa o fluxo dos agoras em direção à unidade do som.
A manutenção da unidade exige coincidência passiva contínua.-
A atividade só se mantém como tal por uma passividade interna.
A temporalidade originária não pode ser constituída ativamente.-
Ela é condição de possibilidade de todo ato.
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Trata-se de uma constituição absolutamente passiva.
6. Passividade em atividade e gênese histórica
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Há uma passividade anterior à atividade e uma passividade interna à própria atividade.
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Esta última tematiza ou cotematiza objetos.
A gênese passiva constitui uma história acessível ao ego.-
Todo objeto conhecido remete a um primeiro ato originário.
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Esse ato permanece sedimentado e continua operando passivamente.
O correlato noemático dessa persistência é o em-si do objeto.A historicidade estende-se a toda a vida egológica.-
Inclui tanto o ego quanto os objetos constituídos.
7. Associação como princípio universal da gênese passiva
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O princípio universal da gênese passiva é denominado associação.
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Não se trata da associação empirista de tipo humiano.
A associação opera segundo afinidade e estranheza.-
Campos sensíveis homogêneos distinguem-se de campos heterogêneos.
A afinidade manifesta-se em graus.-
Desde o contraste até a coincidência total.
A associação é uma síntese passiva de coincidência.-
Ela produz homogeneidade ou heterogeneidade.
Toda constituição passiva, inclusive a temporal, depende da associação.-
A associação é um a priori de toda constituição do ego.
8. Alteridade, estranheza e retorno da arqui-facticidade
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A associação implica a noção de estranheza.
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Coloca-se a questão de como compreendê-la sem o outro.
Afirma-se que o primeiro não-eu é o outro ego.-
O outro opera nos níveis mais profundos da constituição do ego.
A alteridade afeta originariamente o ego.-
Ela pode coincidir com a hylé temporal originária.
A tentativa de integrar o outro ao eidos ego conduz novamente à arqui-facticidade.-
O fato ego é condição irredutível do eidos ego.
Razão e irracionalidade deixam de ser pensáveis fora dessa facticidade originária.-
A relação ego alter ego ultrapassa os limites da fenomenologia estrita.
9. Definição filosófica do idealismo fenomenológico
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A fenomenologia, enquanto teoria transcendental do conhecimento, é um idealismo.
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Trata-se de um idealismo radicalmente novo.
O problema cartesiano da objetividade é declarado sem sentido.-
Ele pressupõe um ego mundano já inserido no mundo.
A análise intencional mostra que todo ser é formação de sentido.-
Todo sentido deriva da subjetividade transcendental.
Conceber um ser fora de toda consciência possível é contraditório.O idealismo fenomenológico não é psicológico.-
A intencionalidade impede o solipsismo berkeleyano.
Ele também não é kantiano.-
Não admite um em-si fora do horizonte do sentido.
Trata-se de um idealismo absoluto.-
Sua absolutidade é coextensiva à própria fenomenologia.
A objeção do solipsismo ameaça estruturalmente todo o edifício.-
A questão da intersubjetividade decide a possibilidade e o sentido da fenomenologia.
A Quinta Meditação é apresentada como prova decisiva.-
Ela testa simultaneamente o sentido do outro e o sentido da fenomenologia.
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