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estudos:escola-de-kyoto:nishida:humano-3

Ser humano (III)

NISHIDA, Kitarō. Ser Humano (“Ningenteki sonzai”, 1938)

1. O mundo efetivo toca o sensível e nele se funda, mas o sensível, antes concebido pelo juízo como meramente passivo, deve ser apreendido subjetivamente como atividade humana sensível, como práxis, que não pressupõe um sujeito prévio, mas surge na intuição ativa, da autoidentidade dialética de ver e agir, sendo o mundo efetivo um mundo de prática produtiva que se move autocontraditoriamente do feito ao que faz.

2. O aparecimento do ser humano é efeito de milênios de evolução biológica, precedida de um mundo de movimento físico infinito do qual os seres vivos surgiram, e caracterizar o desenvolvimento do mundo histórico como atividade expressiva não ignora as leis das ciências naturais, que devem constituir, em conjunto, a lei da autoformação do mundo dialético da complementaridade de sujeito e objeto, sendo o olho e o ouvido vestígios de milênios de evolução.

3. O mundo que se forma do feito ao que faz alcança o ser humano no limite extremo do ser feito e fazer, como ápice da criação, em que o dado é absolutamente o feito a ser negado e o feito é pensado a partir do que faz, razão de se dizer que Deus fez o homem à sua imagem, e é nesse limite que se volta para o absolutamente transcendental e surgem a autoconsciência e a liberdade, nascendo o mundo do homem livre, mundo que se determina idiossincraticamente.

  • Até o corpo, pertencendo à atividade expressiva, é mediado pelo transcendental.
  • Pode-se pensar ter escapado da causalidade histórica.
  • O sensível deve ser apreendido como expressivo, formador e histórico-social, e o mundo criativo move-se necessariamente do instintivo ao social.

4. No mundo histórico o sujeito determina o meio e o meio determina o sujeito, como exposto em “O problema da geração e do desenvolvimento das espécies”, pois, inteiramente opostos, ambos se determinam negando-se idiossincraticamente, sendo o sujeito (shutai) o lado ativo da autoidentidade contraditória e o meio o lado da coisa vista, e o mundo, movendo-se idiossincraticamente, forma-se em atividade expressiva e, mediado pela negação absoluta e pelo nada absoluto, move-se em autoconsciência, sendo caracterizado pela razão.

  • No limite extremo do movimento do feito ao que faz, o mundo move-se centrado na constituição idiossincrática.
  • O dado é o feito e o feito é o dado, e o que se determina silogisticamente é o idiossincrático.

5. O mundo humano, ápice do movimento do feito ao que faz e centrado na constituição idiossincrática, é a conjunção dos aspectos opostos de coisa vista e atividade, cujo centro, a razão, é o ponto em que se toca o absoluto intocável, e nele o dado, como o que deve ser negado, aparece como movimento do que faz ao feito, surgindo daí a razão teórica e, do lado da atividade, o “dever” e a razão prática, mas no espaço histórico absolutamente dialético o feito é também o que nega o que faz, qualidade demoníaca a ser vencida, de modo que no limite a autoformação do mundo é imperativo do “dever”, mundo pessoal do eu e do tu que se forma em razão prática.

  • Quando o feito é pensado como simples dado, torna-se mera substância material, e a oposição passa a ser entre forma e matéria.
  • O passado não é apenas o que o futuro nega, mas também o que nega o futuro, sendo o dado não mera matéria, mas qualidade ou caráter que nega o que faz.
  • O verdadeiro “dever” deve ser concebido não a partir do eu da consciência, mas do eu prático da intuição ativa, pois é como elementos criativos do mundo criativo que se possui o imperativo concreto, que confronta de fora como expressão objetiva do mundo histórico.

6. O mundo da vida histórica, no limite do movimento do feito ao que faz, move-se centrado na constituição idiossincrática, que é razão, e, como elementos idiossincráticos, os seres humanos são criativos, mas ver o mundo apenas assim é racionalismo, e ver o ser humano apenas assim, como criando-se a si mesmo, é humanismo imanente (hyūmanizumu), quando ele surge no limite do mundo e não pode escapar de seu profundo lastro histórico, sendo a razão não imanente ao ser humano, mas fundada na mediação pelo transcendental, o que mostra o fundamento transcendental do ser humano.

  • Se escapasse desse lastro, o ser humano desapareceria, restando mera vontade abstrata, e por isso se deve pôr um limite extremo no movimento do que faz ao feito.
  • Se no que faz o feito fosse transcendido, restaria apenas o mundo da lógica abstrata, a direção da morte.
  • Há razão onde, como autoidentidade contraditória de ver e agir, se vê a coisa negando-se a si mesmo e se age a partir desse ver, refletindo a coisa ao agir e agindo ao refleti-la.
  • Que o ser humano seja racional não se funda num humanismo antropocêntrico, mas no inverso, e o verdadeiramente racional é o mediado transcendentalmente.

7. Os romances de Dostoiévski examinam exaustivamente o que é o ser humano, visto no limite extremo, em relação a seu “ponto de fuga”, assim como Nietzsche, embora de ponto de vista oposto, pois é como ápice do movimento do feito ao que faz, ao chocar-se contra um muro de ferro, que o ser humano é verdadeiramente humano, restando então dois caminhos, o de Raskólnikov, que, vivendo sem Deus, se curva diante da prostituta Sônia e entra numa vida nova, ou o de Kiríllov, que busca o caminho para Deus a partir do “maligno”, como o Super-homem de Nietzsche, cujo eterno retorno revela, porém, um desejo profundo que o próprio Super-homem não pode transcender.

  • Como o herói de Memórias do subsolo, o impulsivo investe de chifres baixos contra o muro como um touro enfurecido, mas onde não há liberdade não há ser humano, que não é fórmula matemática nem tecla de órgão.
  • O herói de Crime e castigo matou a velha usurária não por dinheiro nem para salvar alguém, mas para testar sua liberdade e ver se podia ser como Napoleão, a quem tudo é permitido, descobrindo-se apenas um piolho, e o discurso do Grande Inquisidor em Os irmãos Karamázov diz o mesmo.
  • O anão afirma que tudo o que é reto mente, que toda verdade é curva e que o próprio tempo é um círculo, e do ponto de vista do eterno retorno até o Super-homem um dia se torna anão, e os cães ladram quando a lua está alta (Da visão e do enigma, Vom Gesicht und Rätsel).

8. Onde não há liberdade não há ser humano, mas quanto mais ele busca ser inteiramente livre, mais se choca contra o muro de ferro do absoluto e mais se encontra em crise, de modo que quem mais se afastou de Deus é quem mais dele se aproximou, e é negando-se a si mesmo que encontra o caminho vivo do humano e a verdadeira razão, pois Deus e ser humano estão absolutamente opostos, sem caminho de um ao outro, e só pela negação absoluta o ser humano possui verdadeira vida.

  • Quem ainda não chegou a essa crise não escapou do reino animal de “viver no vinho e morrer num sonho”.
  • A lógica concreta, como verdadeira dialética, deve adotar esse ponto de vista, em que nem o ser humano se torna Deus, nem Deus se torna humano, nem ambos se unem, mas se opõem de modo tal que nem se pode falar propriamente de oposição.
  • No movimento do feito ao que faz há a oposição entre Deus e mundo, e o ser humano, como seu ápice mediado pela negação absoluta, pertence à razão, de modo que ver Deus apenas na negação absoluta do ser humano, como na teologia dialética, não é conhecer verdadeiramente o Deus absoluto.
  • A frase “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” fala de ressurreição não antecipada, e daí deve nascer a verdadeira cultura, embora a análise não parta da religião, mas de uma análise lógica exaustiva da atualidade histórica, de sua estrutura e de seu movimento.

9. Não se trata de depreciar a razão e a liberdade humanas, mas de deslocar seu fundamento do ser humano subjetivista para a operação criativa do mundo criativo, onde se busca também o fundamento do imperativo moral, pois o ser humano é racional e livre na medida em que é criativo como ápice do movimento do criado ao que cria, e, sendo a atualidade histórica sempre trêmula e autotranscendente, ele é sempre voluntarioso, havendo nisso tanto a essência religiosa do humano quanto o risco de degeneração, e a lógica concreta, lógica da criação, é o que se constitui continuamente em intuição ativa, onde o imediato é mediato e o mediato imediato.

  • Onde a razão ultrapassa a razão em direção à razão estabelece-se o mundo da lógica abstrata, e ver o mundo apenas assim é subjetivismo, embora sem o voluntarioso não haja ser humano.
  • Que o ser humano se ultrapasse em direção à voluntariedade é degeneração, e que a razão se ultrapasse em direção à abstração é perda de sua objetividade, assim como a técnica que se ultrapassa em direção à técnica é ação intencional.
  • O mundo que se transcende avança ao mesmo tempo rumo à idiossincrasia e rumo à degeneração, cujo extremo é a decadência, e ao possuir vida nova retorna-se ao sentimento da natureza criadora, de onde emerge também o irracional e animal, irredutível à lógica abstrata, na grande crise da cultura.
  • Enquanto constitutiva como intuição ativa, a crise torna-se racional e força criadora de nova história, falando-se de limite que se torna transição ou metamorfose.
  • O histórico-natural, que sendo logos é natural e sendo natural é logos, é o verdadeiramente racional, assim como agir a partir do ver e ver a partir do agir, sem suposição, sempre com a lógica abstrata atuando por ser mediado pela negação absoluta.
  • Perdido o sentido de ser dado como feito, tudo se torna meramente abstrato, e o meramente abstrato é, inversamente, o meramente irracional, pois a negação da atualidade deve provir da autocontradição e é impossível à lógica abstrata.
  • As formas de pensamento que fundamentam o saber devem ser apreendidas em intuição ativa, e embora se possa proceder por lógica abstrata a partir de certa forma de pensamento de certa época, ao levá-la até o fim retorna-se à raiz da intuição ativa, pois uma ideia fundamental historicamente feita já atua na lógica do juízo, nada sendo meramente dado no mundo histórico.

10. A cultura grega privilegiou o ver, subsumindo o agir na coisa vista, sendo imediata, histórico-corpórea e da pólis, enquanto a medieval opôs Deus e ser humano, imanente e transcendente, buscando o que transcende a essência humana numa cultura religiosa que, por mera negação mútua, não era dialética e acabou humanizando Deus e secularizando a Igreja, e o Renascimento, com a descoberta do homem pelo homem, iniciou o humanismo antropocêntrico moderno, que deslocou a autoridade do transcendental para a razão e a experiência, de modo que hoje, no limite do movimento do feito ao que faz, é preciso retornar ao fundamento do ser humano e descobrir um novo homem.

  • Por isso a Inquisição surgiu na Idade Média e condenou Cristo, perdendo-se o verdadeiramente religioso, e a autoidentidade contraditória só se sustentou abstratamente como misticismo na prática monástica.
  • No Renascimento, o homem retornou ao eu criativo e arrebatou a soberania de Deus, e a cultura atual é efeito desse deslocamento.
  • O feito não pode passar ao que faz, e no ápice desse movimento está o ser humano como ser autocontraditório.

11. O humanismo antropocêntrico, que separou o ser humano da autoridade religiosa e formou a grande cultura moderna, desenvolveu-se em individualismo, com a razão ultrapassando a razão em direção à razão, e assim o ser humano perdeu a si mesmo, pois não vive de si, mas depende inteiramente do objetivo e tem sua vida no que o transcende, revelando-se o verdadeiro eu não no eu subjetivista oposto ao objeto, mas no fato de a própria natureza ser algo feito, e existindo o ser humano como ápice do movimento do feito ao que faz, em que o imanente é mediado pelo transcendental e o mediado pelo transcendental é verdadeiramente imanente, cabendo retornar ao fundamento da constituição humana como homem produtivo-criativo.

  • Na Idade Média opunham-se Deus e ser humano, e na modernidade, quando o ser humano se fez centro e Deus, opuseram-se ser humano e natureza, que, como meio, podia ser usada, mas como objeto negava essencialmente o ser humano.
  • Só se conquista a natureza seguindo-a, pois mãos e pés também são coisas e até o desejo interior nega o eu, sendo o ego oposto à natureza apenas formal, e buscar o eu na natureza-objeto é encontrar apenas a morte, razão pela qual o antropocentrismo conduz à negação do humano.
  • Os verdadeiros eus existem como elementos criativos do mundo criativo, sendo produtivos e criativos.
  • Essa posição opõe-se diametralmente à relação medieval entre transcendente e imanente, substituindo a união mística de Deus e ser humano pela criação produtiva, e a autoidentidade contraditória, inconcebível pela lógica abstrata, é o próprio movimento do feito ao que faz.

12. Passar do antropocentrismo imanente moderno ao objetivismo do homem histórico não é regressar ao misticismo religioso medieval, mas adotar o ponto de vista da intuição ativa, em que ver se baseia no agir e agir no ver, o ponto de vista do homo faber, do qual se desenvolveu a própria ciência, não havendo teoria sem prática, e a teoria estabelece-se quando o eu corpóreo é mediado pela negação absoluta na atividade expressiva, sem escapar do movimento do feito ao que faz, sob pena de tornar-se teoria abstrata.

  • O espírito científico, em que se reflete a coisa a partir da prática e se age a partir desse refletir, não é outra coisa, e seu objeto é a atualidade histórica, devendo até o mundo físico ser de complementaridade.
  • A teoria não surge de uma experiência intelectualmente autoconsciente, pois na vida histórica nada é simplesmente dado e o imediato é mediato, e a intuição ativa, presente desde os animais, chega à razão no limite da vida histórica, onde o corpóreo animal deve ser negado.
  • Do ponto de vista do homem histórico criativo, também a tradição atua intuitivamente, como disse T. S. Eliot, que a comparou ao catalisador na literatura, pois na extinção do indivíduo a arte se aproxima da condição da ciência.

13. Na perspectiva de um humanismo histórico-produtivo, o centro não é algo transcendentalmente subjetivo, como a consciência em geral ou o eu absoluto, nem a “substância” das ciências naturais, mas a atividade histórica, social e criativa, em que a coisa feita, autônoma, move quem a faz e o próprio fazer surge do mundo das coisas, e diante do impasse do capitalismo e das lutas que o humanismo antropocêntrico gerou, deve-se buscar a transposição para um humanismo objetivo, histórico e produtivo, que toma a negação absoluta como mediação e retorna ao transcendental não como ser absoluto abstrato, mas como ponto de vista da razão histórica e da atualidade histórica idiossincrática.

  • O desenvolvimento da indústria científica constituiu o mundo capitalista contemporâneo, mas, como humanismo antropocêntrico, gerou luta de classes e conflitos internacionais, conduzindo ao impasse da vida histórica e à degeneração e aniquilação do humano, que não se resolve pela guerra de sujeito contra sujeito.
  • Esse humanismo objetivo não é nem o dever kantiano nem a autorrealização do eu absoluto de Fichte, que não escapou do humanismo, pois é na produção histórica que se vê o eu e se alcança a unificação de pessoa com pessoa e de país com país, relação constituída na coisa feita vista como expressão objetiva da vida histórica, e não mero bem-estar material nem justiça abstrata.
  • Sem a mediação da negação absoluta, o ser humano seria apenas um bando de formigas, como diz Dostoiévski, sem que isso ignore a questão do bem-estar material.
  • O capitalismo moderno teria surgido do calvinismo, que, contra a humanização medieval de Deus, devolveu tudo a um Deus transcendente e deixou apenas o eu isolado, negando, diferentemente de Lutero, até a união interior com Deus e estabelecendo um racionalismo abstrato e institucionalizado para a glória de Deus.
  • Com a morte de Deus, o aspecto do “a partir do feito” desenvolveu-se no que Max Weber chamou capitalismo, e o aspecto do “a partir do que faz” limitou-se a sustentar o eu como pertencente à razão prática.
  • Retornar ao transcendental é retornar à autoidentidade contraditória absoluta que faz surgir um mundo imanente por ser transcendental, ponto de vista não irracional, mas científico no sentido de refletir agindo e agir refletindo, em que o ver deve entrar inteiramente no visto e o histórico no visto.
  • A criação não é tarefa do indivíduo, pois sem o que é de um povo não há criação, e até o povo, enquanto criativo, pertence à razão.

14. O transcendental, expressão sujeita a mal-entendidos, é tal como autoidentidade contraditória absoluta em relação ao eu da consciência e ao eu cognoscente, sendo imediato para o eu da ação intencional ou produtivo, aquilo em que se está, e poderia ser chamado númeno dialético, com o risco de torná-lo metafísico como o caput mortuum de Hegel, mas, aparecendo como unidade de movimento e repouso, é verdadeiramente autoidentidade contraditória absoluta, e a religião, que não é superstição do passado nem ópio das massas ignorantes, atua sempre no coração da história, embora a análise não parta da experiência religiosa, para a qual o absoluto surge no indivíduo diante da morte, sem espaço para ambiguidades linguísticas, exigindo conversão, uma mudança de coração na vida.

15. Para a filosofia kantiana, mencionar imediatidade ou intuição seria sair da especulação, mas a intuição não é sensação nem imaginação, como já distinguia Descartes, cujo entendimento (entendement) é antes intuitivo, como no exemplo da cera, que perde ao fogo sabor, perfume, cor, forma e tamanho, sendo apenas inspeção do espírito (mentis inspectio), o que corresponde ao ver continuamente a coisa em intuição ativa num mundo de atividade expressiva, e assim o cogito, como autoidentidade contraditória, pode ser entendido como ver o eu em atividade expressiva, cabendo retornar ao ponto de vista cartesiano por um caminho diverso do da fenomenologia.

  • A concepção cartesiana da extensão pode parecer ingênua, mas a coisa física, mesmo abstrata, não se separa do geométrico e do intuitivo.
  • Alain, em leitura penetrante dessa passagem, disse tratar-se de imaginar o Descartes vivo, diante da coisa, inseparável da consciência e da atenção intelectuais: “Não é aqui um homem que arranja suas ideias da melhor maneira, mas antes alguém que pensa o universo presente” (Ce n'est pas ici un homme qui arrange ses idées au mieux, mais bien plutôt il pense l'univers présent).
  • Essa é também a atitude das ciências empíricas, cujo experimento ocorre no solo do mundo histórico, e o conhecimento surge de, como singularidades do mundo histórico, ver a coisa em atividade expressiva, sendo formar dialeticamente um ver.
  • Descartes não foi pensador dialético, e seu eu era apenas o eu do pensamento especulativo, mas a imediatidade do indubitável ao duvidar de tudo pode ser o ponto de vista do eu da atividade expressiva, e se a fenomenologia seguiu daí rumo ao eu meramente consciente, pode haver outro caminho.
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