estudos:escola-de-kyoto:nishida:arte:8
8 Subjetividade da ação
NISHIDA, Kitarō. Art and morality. Tradução: Valdo H. Viglielmo; Tradução: David A. Dilworth. Honolulu: the University press of Hawaï, 1973.
-
Percepção, pensamento, sentimento e vontade constituem modalidades distintas da atividade do si, cada qual com seu campo objetivo; o si verdadeiro não é uma substância colocada atrás desses atos, mas a perspectiva criadora que se forma ao perceber, conhecer e agir.
-
Nenhum ato isolado contém a totalidade do si, embora o si esteja presente em cada momento de sua atividade; sua unidade é dinâmica e seu desenvolvimento permanece aberto, sem um estado final que possa ser antecipadamente conhecido.
-
A subjetividade consiste no processo de fundamentação pelo qual os conteúdos se determinam em campos próprios, como ocorre quando uma cor é reconhecida no interior das relações entre cores; conhecer exige essa unidade dinâmica, e não apenas a aplicação de conceitos estáticos.
-
O aprofundamento da fundamentação objetiva e o desenvolvimento da vontade pertencem à mesma atividade do si: o conhecimento busca as condições de seus objetos, enquanto a vontade procura realizar fins num mundo cujas leis devem ser respeitadas.
-
A busca da verdade já contém uma exigência da vontade, pois conhecer é prosseguir na determinação de um fundamento que nunca se esgota num resultado particular; inversamente, a realização de um fim exige conhecimento objetivo dos meios e das condições da ação.
-
A vontade torna efetiva uma possibilidade singular entre muitas outras, de modo que sua realidade pertence ao ato presente e não pode ser substituída por uma representação repetível; o conhecimento, por sua vez, alcança a objetividade ao determinar seus conteúdos nessa experiência concreta.
-
A universalidade da verdade não desaparece quando o conhecimento se torna mais particular e concreto: uma verdade matemática possui validade para diferentes pessoas, mas se estabelece como determinação singular no campo da atividade matemática.
-
As diferentes formas de conhecimento possuem condições próprias e graus diversos de concretude; a investigação física aprofunda a determinação da experiência sem anular a validade da matemática, enquanto a explicação teleológica pode tornar explícita uma dimensão da realidade que a descrição mecânica abstrai.
-
A vontade não é simplesmente uma inclinação privada contraposta à objetividade, pois reúne percepção e pensamento e torna possível a efetividade do mundo conhecido; a exigência de conhecer a verdade pertence à própria realização do bem.
-
A consciência da ação funda a subjetividade cognoscente: procurar indefinidamente as razões de um conhecimento é também aprofundar a atividade do si, cujo ato não pode ser transformado integralmente em objeto conhecido.
-
O reconhecimento da mesa de hoje como a mesma de ontem exige uma unidade que atravesse a sucessão das representações; a continuidade da memória pressupõe a ligação direta entre os atos de consciência de ontem e de hoje.
-
A identidade de conteúdos lembrados, por si só, ainda não esclarece a crença de que a mesa continuou existindo durante o sono; a objetividade dessa crença depende do horizonte da ação, que reúne consciência, possibilidade e mundo exterior.
-
A existência de uma coisa fora da percepção atual envolve a possibilidade concreta de voltar a encontrá-la e tocá-la; espaço e mundo material aparecem, assim, relacionados ao campo das ações possíveis do si.
-
A vontade reúne forma e conteúdo da experiência no presente e confere realidade ao conhecimento dos fatos; por isso, não pode ser derivada da mera sucessão de sensações ou da oposição entre prazer e desprazer.
-
A ação livre não se reduz a um acontecimento situado numa linha temporal, pois realiza um sentido que reúne atos passados, possibilidades futuras e condições presentes; a ligação direta entre diferentes momentos da vontade constitui o horizonte do «agora eterno».
-
No agir presente, o si articula os mundos das coisas e do espírito e encontra as condições para criar formas novas de arte e de vida moral; a criação estética e a prática ética dependem da realização sincera dessa atividade.
estudos/escola-de-kyoto/nishida/arte/8.txt · Last modified: by 127.0.0.1
