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7 Consciência do ato

NISHIDA, Kitarō. Art and morality. Tradução: Valdo H. Viglielmo; Tradução: David A. Dilworth. Honolulu: the University press of Hawaï, 1973.

  • A percepção visual existe na relação com cores e formas, assim como a audição existe na relação com sons; ato e objeto constituem aspectos interdependentes de uma experiência que se desenvolve internamente e forma seu próprio mundo objetivo.
  • A consciência de uma mudança não resulta da simples sucessão de estados distintos: perceber que o vermelho se tornou azul pressupõe uma continuidade interior capaz de reunir os dois momentos e reconhecer sua diferença.
  • Um fenômeno espiritual possui unidade ativa e interna, na qual diferenciação e desenvolvimento pertencem ao próprio processo; sua realidade não se deixa reconstruir pela soma de elementos isolados nem por uma unidade conceitual acrescentada posteriormente.
  • A continuidade pode constituir conteúdo imediato da consciência, como ocorre no desenvolvimento necessário de um pensamento: a unidade entre seus momentos não é somente algo pensado depois, mas participa do próprio ato de pensar.
  • A experiência imediata precede a distinção explícita entre ato e objeto; pela reflexão, a diferença presente na experiência torna-se independente de seus conteúdos e dá origem ao julgamento e à consciência do si que discrimina e unifica.
  • Cada experiência sensível concreta contém possibilidades de transição que excedem a qualidade isolada reconhecida no julgamento; a consciência da diferença e a reflexão desenvolvem essa continuidade já presente no fundo da percepção.
  • A memória e o reconhecimento de experiências passadas como próprias dependem de uma unidade que atravessa o tempo; a consciência de si explicita essa unidade sem criá-la a partir de momentos anteriormente desconexos.
  • O si concreto não equivale a um sujeito lógico sem individualidade: sua identidade manifesta-se na atividade pela qual quem conhece e aquilo que é conhecido se unem, inclusive na experiência sensível anterior ao julgamento reflexivo.
  • A vontade constitui a dimensão mais profunda dessa atividade, pois reúne percepção e pensamento num horizonte que nenhum deles consegue objetivar integralmente; a consciência de si é a manifestação dessa unidade atuante.
  • A percepção conserva conteúdo e clareza próprios, irredutíveis aos conceitos que dela podem ser extraídos; na experiência artística, a reflexão abstrata pode até obscurecer a precisão singular do que é percebido.
  • A afirmação «eu sou» exprime uma continuidade infinita de atos, anterior à formulação reflexiva «eu penso»; pensar é uma modalidade da atividade do si, cuja existência se manifesta no agir.
  • A impossibilidade de ver o próprio ver como se vê uma cor significa que o ato não pode tornar-se objeto sensível da mesma maneira que seu conteúdo; ela não exclui a consciência imediata da atividade pela qual se vê.
  • Na consciência de si, conhecer e agir implicam-se reciprocamente: o si não se apreende como coisa observada, mas na unidade livre de sua atividade, que constitui também a condição dos conhecimentos objetivos.
  • A reflexão sobre as condições do conhecimento pressupõe uma consciência capaz de distinguir ato e objeto e de conhecer sua própria atividade; esse conhecimento de si opera segundo uma estrutura diferente daquela pela qual se conhecem coisas.
  • A vontade de perceber e a vontade de conhecer a verdade exprimem a dimensão ativa presente até mesmo na percepção e no julgamento; o ato que torna possível julgar não se reduz a mais um conteúdo julgado.
  • O movimento vivido possui continuidade própria, que não pode ser obtida pela justaposição de posições, sensações musculares ou pontos espaciais; a intuição do movimento pertence à atividade concreta pela qual o si age e se reconhece.
  • O mundo efetivo da consciência não nasce da reunião exterior de mundos objetivos já prontos: ele se estabelece na continuidade do ato que os articula e no qual o objeto participa do próprio movimento da experiência.
  • A consciência livre avalia e age por meio dessa avaliação; sua dimensão moral pertence à atividade presente do si e se perde de vista quando os fenômenos conscientes são tratados apenas como objetos exteriores.
  • Mesmo uma sensação de cor possui complexidade e direção próprias: sua unidade envolve diferenças possíveis e uma continuidade interna que não podem ser confundidas com o simples predicado «vermelho» ou «azul».
  • A distinção entre qualidades requer um campo comum no qual possam relacionar-se; esse universal não é apenas uma classificação abstrata, pois atua na determinação das diferenças sensíveis e permanece mais rico do que qualquer julgamento particular.
  • A objetividade do julgamento aprofunda-se quando suas determinações são compreendidas no desenvolvimento de um universal concreto; tanto a intuição sensível quanto a dedução envolvem uma atividade sintética capaz de produzir e relacionar seus conteúdos.
  • Ver, pensar e deduzir diferem pela amplitude e profundidade de seus campos de determinação, mas participam de um mesmo movimento interno: o universal diferencia-se em conteúdos particulares, e a consciência do ato surge no fundamento dessa autodiferenciação.
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