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7 Clareira

MARTÍN MORILLAS, Antonio Miguel. La nada en el segundo Heidegger y el vacío en oriente hermenéutica constrastativa. Granada: Editorial de la Universidad de Granada, 2007.

A clareira em Heidegger e o vazio na filosofia oriental

  • A clareira heideggeriana reúne abertura, iluminação e ocultação: o ser deixa os entes aparecerem sem se tornar inteiramente manifesto. No taoismo, o vazio do Tao engendra e sustenta as transformações; no budismo mahayana, a vacuidade exprime a verdade do aparecimento interdependente.
  • A aproximação entre essas concepções se apoia na fecundidade do vazio e na relação entre manifestação e retraimento, preservando as diferenças entre o acontecimento do ser, a geração taoista e a libertação budista.

7.1. A Lichtung em Heidegger: da claridade como iluminação à clareira como vazio

  • A verdade originária é desocultação: antes que uma afirmação possa ser verdadeira, é preciso que os entes tenham acesso a uma abertura na qual possam mostrar-se.
  • A imagem da luz permite pensar esse mostrar-se, mas a clareira aprofunda a questão ao designar o espaço livre que torna possíveis tanto a iluminação quanto a obscuridade. O ser, ao retrair-se, abre esse espaço para a manifestação.
  • A passagem da abertura do ser-aí para a abertura do próprio ser desloca a origem da claridade para o acontecimento da clareira, no qual o homem já se encontra situado.

7.1.1. A desocultação como iluminação

  • A compreensão humana dos entes pressupõe uma compreensão prévia do ser; por isso, a investigação fenomenológica procura esclarecer o horizonte no qual algo já pode apresentar-se como ente.
  • O fenômeno vem à luz ao mostrar-se a partir de si mesmo, e o discurso genuíno deixa ver aquilo de que fala. Essa visibilidade depende de uma abertura anterior ao juízo e à representação.
  • Em Ser e tempo, o ser-aí é iluminado enquanto ser-no-mundo aberto à compreensão. A verdade das proposições depende dessa abertura mais originária, na qual os entes se tornam acessíveis.
  • A reflexão posterior acentua que o homem não produz por si a luz na qual compreende: a abertura do ser o alcança e lhe concede um lugar para existir, pensar e dizer.
  • A iluminação não elimina o oculto. A manifestação histórica do ser traz consigo a possibilidade de retraimento, de erro e de esquecimento, razão pela qual pensar exige escutar aquilo que chega à linguagem sem se deixar converter inteiramente em objeto.

7.1.2. A desocultação como clareira

  • A clareira (Lichtung) é o espaço livre aberto pelo retraimento do ser; somente nessa abertura a luz pode alcançar os entes e fazê-los aparecer. A clareira é, portanto, mais originária que qualquer iluminação particular.
  • Assim como uma clareira na mata admite luz e sombra porque se encontra desimpedida, a abertura do ser permite presença e ausência, manifestação e encobrimento. Seu vazio designa uma possibilidade de acolhimento, e não uma inexistência estéril.
  • O ente aparece no interior da clareira, mas sua manifestação é sempre limitada: algo permanece oculto, resiste a mostrar-se ou se apresenta sob uma aparência enganosa. A desocultação conserva, desse modo, uma relação constitutiva com a ocultação.
  • A clareira também permite a diferença entre ser e ente, pois abre o âmbito em que o ser pode conceder presença e em que os entes podem vir ao encontro sem que ambos se confundam.
  • O homem habita essa abertura e pode guardá-la por um pensar que deixa os entes serem. A atenção à clareira requer ultrapassar a exigência de demonstração e eficácia técnica, já que toda prova e toda operação pressupõem uma abertura prévia na qual possam ocorrer.

7.2. O vazio no pensamento oriental

  • A vacuidade oriental é compreendida como uma dimensão fecunda da realidade: no taoismo, está ligada ao poder gerador e transformador do Tao; no mahayana, à ausência de existência independente de todos os fenômenos.
  • Luz e vazio se implicam nessas tradições, embora a geração taoista do mundo e a compreensão budista da interdependência atribuam sentidos distintos à sua relação.

7.2.1. O vazio no taoismo chinês

  • O Tao é vazio porque não possui a forma determinada de nenhuma das coisas que engendra. Essa indeterminação lhe permite acolher, sustentar e renovar transformações sem esgotar sua potência.
  • Ser e não ser, luminosidade e obscuridade, expansão e retorno participam do movimento do Tao. O mundo aparece a partir de seu fundo oculto, enquanto as coisas regressam continuamente à origem que as alimenta.
  • A eficácia do vazio se torna perceptível no espaço receptivo dos recipientes, das moradas e do próprio mundo: aquilo que permanece desocupado possibilita acolhimento, circulação e uso.
  • A sabedoria humana corresponde ao Tao ao cultivar quietude, receptividade e não agir (wu wei), deixando que os seres sigam seu curso sem impor-lhes uma ordem nascida do desejo de controle.
  • No jogo entre os princípios luminoso e obscuro, a alternância não representa uma simples oposição entre forças isoladas, mas o ritmo pelo qual o Tao mantém abertas as possibilidades de transformação.

7.2.2. O vazio no budismo mahayana

  • A vacuidade (sunyata) exprime a ausência de natureza própria dos fenômenos: tudo aparece em dependência de condições e relações, inclusive aquilo que se toma por um eu permanente.
  • A iluminação consiste em compreender essa condição sem transformar o vazio em uma substância separada do mundo. A realidade condicionada e a verdade última são pensadas em sua relação inseparável.

7.2.2.1. Nos sutras “Prajña-paramita”

  • Os fenômenos são vazios tanto de um eu que os possua quanto de uma essência que lhes permita subsistir isoladamente. Sua existência depende de outros fenômenos e não pode ser encerrada numa identidade independente.
  • A identidade entre forma e vazio significa que a vacuidade não destrói o mundo condicionado: é a verdade de sua maneira de aparecer. Também o nirvana não precisa ser procurado como uma realidade substancial situada atrás das formas.
  • Ao reconhecer a vacuidade dos agregados da existência e dos dharmas, o bodhisattva abandona o apego às distinções que convertem o eu, os objetos e até a iluminação em coisas possuíveis.
  • A sabedoria perfeita é libertadora porque acolhe a realidade sem fixá-la em conceitos definitivos. O vazio é pleno das relações e manifestações do mundo, embora nenhuma delas possua existência por si.

7.2.2.2. Na “Mula-madhyamika-karika” de Nagarjuna

  • A cooriginação interdependente exclui uma essência autônoma dos fenômenos: surgir, permanecer, mudar e cessar só adquirem sentido nas relações condicionadas em que acontecem.
  • A vacuidade não equivale à negação da experiência. Os fenômenos operam no plano da verdade convencional precisamente porque não dependem de uma natureza própria imutável.
  • A verdade última consiste em compreender o caráter condicionado dessa realidade convencional, sem imaginar um absoluto substancial oculto por trás dela. A própria vacuidade é vazia e não pode converter-se em fundamento independente.
  • Sofrimento, apego, erro e libertação são compreendidos dentro da interdependência. A realização do nirvana exige cessar a fixação que atribui existência inerente ao eu e aos fenômenos, sem abolir a vida concreta à qual se referem as práticas budistas.
  • A sabedoria possui, assim, alcance libertador: ao desfazer o apego às essências e às oposições absolutas, transforma a relação com o samsara e com a possibilidade de cessação do sofrimento.

7.2.2.3. Nos escritos do budismo zen

  • O zen associa a vacuidade à clareza da mente original, cuja capacidade de acolher os fenômenos se obscurece quando o pensamento se apega a objetos, imagens de si e distinções rígidas.
  • A iluminação não acrescenta uma substância à existência: ela permite reconhecer, na experiência presente, a abertura que não pertence exclusivamente a nenhum fenômeno e que se manifesta por meio deles.
  • A mente pode ser descrita como luminosa e receptiva sem que sua luz seja tomada por um objeto visível. Por isso, compreender a vacuidade requer também abandonar as imagens conceituais produzidas a respeito do próprio vazio.
  • A talidade, a mente original e o tempo-ser exprimem a manifestação integral da realidade em cada ocasião concreta, na qual os acontecimentos se distinguem sem se tornarem independentes da totalidade de suas relações.

7.3. Convergências entre a clareira heideggeriana e o vazio oriental

  • A clareira, o vazio do Tao e a vacuidade do Dharma aproximam-se ao situar a abertura antes da apreensão de coisas isoladas, embora cada tradição compreenda de modo próprio a origem, a verdade e a transformação da existência.

Abertura, vacuidade e verdade originária

  • A verdade pressupõe uma abertura mais originária que os juízos corretos: em Heidegger, a clareira deixa os entes mostrarem-se; no taoismo, o vazio do Tao permite suas transformações; no mahayana, a vacuidade revela a condição interdependente de seu aparecimento.

Claridade do ser e transparência do vazio

  • A claridade heideggeriana torna possível a saída do oculto para o manifesto, ao passo que a transparência do Tao e a iluminação budista permitem compreender o aparecer sem fixá-lo em identidades permanentes.

Luminosidade e vacuidade do originário

  • A luz que alcança o homem remete, em Heidegger, à abertura vazia da clareira; nas tradições orientais, a manifestação luminosa do mundo se vincula à fecundidade do Tao ou à vacuidade compartilhada pelo eu e pelos fenômenos.

Ilusão da representação

  • A representação humana encontra os objetos dentro de um campo de manifestação que ela própria não cria. A ilusão começa quando esse modo de conhecer é tomado como medida última do Tao, da clareira ou da realidade interdependente.

Recuo do homem para a abertura manifestadora do originário

  • O recuo diante da vontade de impor formas às coisas permite, respectivamente, deixar o ente mostrar-se, acompanhar o curso espontâneo do Tao e abandonar o apego budista às aparências tomadas por realidades autônomas.

Iluminação e obscuridade

  • Toda manifestação conserva uma profundidade não manifesta: o ser se ilumina sem perder seu retraimento, o Tao gera formas sem esgotar seu fundo oculto, e o aparecimento dos fenômenos não dissipa o mistério de sua vacuidade.

Desobstrução

  • A abertura é um desimpedimento que acolhe o aparecer: o ser deixa espaço para a desocultação, o Tao abre o campo de geração das coisas, e a ausência de essência própria permite que os fenômenos surjam em dependência recíproca.

Desobstrução e nada

  • O nada da clareira e o vazio oriental não designam uma carência absoluta; designam, em sentidos distintos, a abertura pela qual a manifestação se torna possível sem consumir sua fonte ou fixar os fenômenos numa substância.

Esvaziamento para a transcendência

  • O afastamento da fixação nos entes libera o homem para a abertura do ser; o retorno taoista conduz ao vazio originário, enquanto a compreensão budista da vacuidade desfaz o apego sem eliminar os fenômenos.

Iluminação e morada

  • O homem existe na abertura que recebe, habita o mundo das transformações do Tao e participa da rede interdependente dos fenômenos; sua possibilidade de compreensão nasce dessa inserção, e não de uma posição exterior ao real.

Iluminação além da razão

  • A razão pode conhecer e ordenar os entes, mas a abertura que torna isso possível exige um pensamento atento a seus próprios limites; a intuição do Tao e a sabedoria budista também ultrapassam a fixação exclusiva em conceitos.

Doação da iluminação

  • A claridade se oferece ao homem a partir da abertura do ser, enquanto a fecundidade do Tao e a verdade do Dharma tornam possível reconhecer manifestações que a vontade humana não produz nem controla integralmente.

Iluminação e anulação

  • A experiência iluminadora envolve a suspensão de pretensões que encobrem o originário: a centralidade do sujeito, a imposição voluntarista sobre o curso das coisas e o apego a um eu ou a objetos independentes.

Ser iluminador, ente iluminado

  • Em Heidegger, a luz pela qual o ente se mostra não se confunde com o ente mostrado; as perspectivas orientais também distinguem o âmbito originário de abertura das formas particulares, sem desligar estas de sua possibilidade de manifestação.

O mundo, espaço iluminado e vazio

  • O mundo é um campo aberto de aparecimento e transformação: os entes vêm à presença na clareira, as coisas se desenvolvem no vazio do Tao e os fenômenos budistas surgem numa trama sem essência independente.

Esquecimento da iluminação

  • A atenção exclusiva às coisas manifestas pode encobrir a abertura que as deixa aparecer; de modo semelhante, a perda da orientação pelo Tao e a ignorância da vacuidade alimentam relações ilusórias com o mundo.

Sustentar-se no vazio

  • A existência encontra uma orientação mais originária ao aceitar a abertura sem convertê-la em objeto de posse, ao acompanhar o vazio fecundo do Tao e ao praticar o desapego fundado na interdependência.

Manifestação como verdade transcendente

  • A verdade ultrapassa a simples confirmação de propriedades dos objetos quando o aparecimento é reconhecido em sua proveniência, seja na desocultação do ser, na ação do Tao ou na talidade compreendida pela sabedoria budista.

Negatividade da clareira e da vacuidade

  • A clareira inclui o retraimento do ser em sua própria abertura; o Tao articula vazio e plenitude, obscuridade e luz; o Dharma revela que o aparecimento se dá sem que suas formas possuam essência própria.

A vacuidade, fonte da luminosidade

  • A luz pode atravessar a clareira porque ela está aberta; a manifestação taoista depende da receptividade inesgotável do Tao, e a iluminação budista compreende a vacuidade como condição do aparecer, não como sua supressão.

Retração para a abertura

  • O ser abre espaço ao retirar-se da manifestação direta; o Tao gera sem se fixar nas formas geradas, enquanto a ausência budista de natureza própria permite que os fenômenos se constituam por suas relações.

Vacuidade e possibilidade de manifestação

  • A manifestação requer um âmbito desimpedido: a clareira admite a presença dos entes, o vazio do Tao acolhe suas mutações e a vacuidade dos fenômenos permite seu surgimento e sua cessação condicionados.

Vacuidade e mutação

  • Presenças e ausências variam dentro da clareira, as coisas transitam entre configurações no movimento do Tao e os fenômenos budistas se transformam porque não são portadores de identidade imutável.

Experimentar a vacuidade

  • A atenção à clareira desloca o pensamento dos entes isolados para sua abertura; a sabedoria taoista procura sintonizar-se com o Tao, e a iluminação mahayana reconhece diretamente a vacuidade da existência condicionada.

Plenitude original e manifestação finita da vacuidade

  • Nenhuma manifestação particular esgota a abertura que a possibilita: a desocultação é limitada, as formas taoistas expressam parcialmente uma fonte inesgotável e cada fenômeno interdependente mostra apenas uma configuração da vacuidade.

Centro vazio

  • A clareira constitui o âmbito livre em que os entes entram e do qual se retiram; a imagem taoista do centro vazio ordena as mutações, enquanto a vacuidade budista envolve os fenômenos sem funcionar como um ponto físico privilegiado.

Retração e simulação

  • O ente pode resistir a mostrar-se ou aparecer de modo enganoso, de maneira que a desocultação inclui possibilidades de sombra; também a aparência tomada como autossuficiente encobre o Tao ou a interdependência dos fenômenos.

Tensão entre manifestação e encobrimento

  • A abertura mantém juntos o vir à luz e o permanecer oculto; no Tao, os movimentos de luminosidade e obscuridade se complementam, enquanto a verdade budista da vacuidade se manifesta justamente nas formas que podem ocultá-la à compreensão.

Lugar da apropriação recíproca de ser e pensar

  • A clareira permite a correspondência entre o ser que se manifesta e o homem que escuta; o vazio taoista abre a possibilidade de consonância com as transformações, e a vacuidade budista torna possível o despertar para a verdade do aparecer.

Condição de possibilidade da diferença

  • A abertura permite distinguir ser e ente sem separá-los absolutamente; o Tao possibilita as diferenças mutáveis entre as coisas, e a vacuidade budista permite que os fenômenos se distingam precisamente por surgirem em relações condicionadas.

Originariedade da vacuidade

  • A clareira é anterior a cada ente manifesto, assim como o Tao não se reduz às formas que engendra; no mahayana, a vacuidade designa a condição de toda forma, sem tornar-se uma realidade independente delas.

Vazio como abertura do mundo

  • O espaço livre da clareira sustenta a relação entre ser e ente; o vazio do Tao acolhe o mundo em transformação, e a vacuidade budista permite a coexistência e a interdependência de formas diversas.

Roda da harmonização

  • A imagem da roda exprime uma relação dinâmica que necessita de espaço livre para mover-se: ser e ente se correspondem na clareira, os ciclos taoistas se articulam em torno do vazio e a existência cíclica budista pode ser compreendida à luz da vacuidade.

Esvaziamento

  • O vazio do recipiente permite acolher e oferecer, servindo à compreensão heideggeriana da doação; imagens taoistas de espaços receptivos e imagens budistas da amplitude vazia também mostram que o acolhimento depende do que permanece livre.

Caminho

  • Há caminho para o pensamento porque a clareira abre passagem no que permanece inacessível; o Tao é a via das transformações, e o Dharma orienta a travessia libertadora para além do apego.

Caráter eminente e dinâmico do vazio

  • O vazio não é simples ausência passiva: a clareira abre possibilidades de presença, o Tao engendra incessantemente e a vacuidade budista se manifesta na atividade interdependente dos fenômenos.

Emergência no vazio

  • Aparecer é ingressar numa abertura previamente desimpedida; as coisas surgem pelas transformações do Tao, enquanto os fenômenos budistas emergem em relações cuja ausência de essência própria não impede sua manifestação.

Aparecimento e cessação na vacuidade

  • A clareira admite a chegada e a retirada dos entes; o Tao reúne os movimentos de geração e retorno, e a vacuidade budista permite compreender nascimento e cessação sem supor substâncias permanentes.

Fechamento primordial, ausência de forma e recusa

  • A clareira se abre a partir daquilo que se retrai e resiste à exposição completa; o Tao engendra sem possuir forma determinada, enquanto a vacuidade permanece encoberta quando as aparências são tomadas por essências.

Clareira na floresta, rede de gemas

  • A clareira na floresta figura o espaço aberto que deixa a luz atravessar, ao passo que a rede budista de gemas figura fenômenos que se refletem mutuamente; ambas as imagens acentuam a manifestação mediante abertura e relações, sem apagar suas diferenças.

Leveza

  • A clareira é livre para admitir tanto luz quanto sombra; a simplicidade do Tao sustenta as mutações sem se tornar uma forma entre outras, e a vacuidade mahayana não opõe resistência substancial ao aparecer interdependente.

Vacuidade e brilho

  • O brilho de cada ente pressupõe a abertura que o deixa aparecer, assim como as formas taoistas exprimem a atividade do Tao e os fenômenos budistas manifestam, em suas relações mutáveis, a verdade da vacuidade.

Mistério e errância

  • O retraimento do originário preserva seu mistério, enquanto o homem pode perder-se ao absolutizar o que aparece; o afastamento do Tao e a ignorância budista da vacuidade também alimentam modos de existência desorientados.

Existir no vazio

  • O homem habita a clareira do ser, vive no mundo aberto pelas transformações do Tao e participa da vacuidade interdependente; em cada caso, sua existência se compreende a partir de uma abertura que não domina.

Esquecimento da vacuidade

  • Esquecer a clareira é considerar apenas os entes manifestos e ignorar a ocultação que participa de seu aparecer; esquecer o Tao ou a vacuidade budista é tomar as formas transitórias como realidades isoladas e definitivas.

Superação da racionalidade científica e técnica

  • A clareira exige um pensamento capaz de interrogar a abertura pressuposta por toda demonstração e operação; a sabedoria taoista e a compreensão budista da vacuidade também recusam reduzir a verdade à disponibilidade das coisas para cálculo e controle.
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