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História da Fenomenologia

«Originalmente, a intenção de Husserl não era a metafísica, mas sim uma filosofia das ciências (Wissenschaftlehre). Matemático, ele começou por estudar os fundamentos da Matemática (na sua «Philosophie der Arithmetik»). Mas aí, ao deparar-se com as relações íntimas entre a matemática e a lógica, foi levado a examinar, em seu próprio princípio, a ideia e o papel da lógica formal. O tomo I de suas “Logische Untersuchungen” marcou uma época, rompendo completamente com todas as formas de relativismo cético (psicologismo, historicismo, etc.) e marcando uma nova orientação da ideia de verdade objetiva. Sua reflexão sobre a ideia de lógica levou Husserl à convicção de que a lógica não se apresenta a nós como uma ciência concluída, terminada, mas que levanta uma série de problemas a serem resolvidos, que deveriam ser tratados após vastos estudos detalhados. Uma série dessas pesquisas especiais constitui o volume II das “Logische Untersuchungen”. Para esse efeito, Husserl constituiu um método de pesquisa próprio, a análise objetiva das essências… Essa orientação no sentido das entidades objetivas deu aos contemporâneos a impressão de que a fenomenologia era um renascimento das tendências escolásticas. Foi esse método que os primeiros discípulos de Husserl adotaram (Göttingen): ele se revelou fértil não apenas para a solução de problemas lógicos, mas também para a explicação (esclarecimento, Klärung) dos conceitos fundamentais das diferentes ciências, bem como para o fundamento eidético da psicologia, das ciências naturais, das ciências do espírito, etc. A influência da fenomenologia se traduziu nas ciências positivas — psicologia, em particular, e ciências do espírito — por uma revolução (wesentliche Umbildung) em seu processo.

Ora, enquanto trabalhava em suas “Logische Untersuchungen”, Husserl se convenceu de ter encontrado no método que utilizava o método universal para a constituição de uma filosofia como ciência estrita. Expor esse método e fundamentar seu alcance universal deveria ser o objetivo das “deen zur einer reine Phänomenologie und phänomenologischen Philosophie”. A busca por um ponto de partida absolutamente seguro (sicher) para o caminho filosófico (des Philosophierens) o leva então à dúvida cartesiana modificada, à redução transcendental, à descoberta da consciência transcendental como um campo de vastas escavações. É nas “Ideen” que surge, em algumas passagens, pela primeira vez, a virada idealista. Essa virada foi uma surpresa completa para os alunos de Husserl e provocou imediatamente uma discussão que se prolonga até hoje. Talvez tenha sido justamente essa resistência, vinda do círculo de seus discípulos, que levou Husserl a concentrar cada vez mais seus esforços no sentido de um idealismo a ser fundado de maneira vinculativa e a fazer dessa questão o centro de sua filosofia, embora ela não fosse de forma alguma o centro original. » («Fenomenologia», Le Saulchoir, Kain, Bélgica, éd. du Cerf, p. 102)

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