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Epistemologia Arqueológica

DUFRENNE, Mikel. Pour l’homme. Paris: Seuil, 1968.

1. A teoria de Foucault sobre a episteme é a teoria de um sistema, e sua epistemologia não é uma teoria do método científico, mas uma teoria do dispositivo que funda o sistema das ciências, de sua estrutura e de sua história, e sua empreitada é arqueológica, uma busca da origem.

2. Foucault rompe com a história das ideias, que é uma história antropológica que atribui as mudanças epistemológicas à consciência ou à criatividade, e busca o que funda as mudanças, as condições de possibilidade das ciências, que ele chama de a priori histórico.

3. O a priori histórico define a configuração da episteme, e ele se manifesta como um sistema de coerções que determinam os campos do saber e as formas da percepção, e a história do pensamento é governada por este a priori que não é uma lei universal, mas uma configuração histórica.

4. O a priori histórico é um sistema de regras que estabelece as condições de possibilidade dos enunciados, e ele define o campo epistemológico, ou episteme, que é a totalidade das relações que unem as práticas discursivas, e a episteme é uma estrutura que se transforma de forma descontínua.

5. A episteme é uma totalidade, e ela não pode ser reduzida a uma história das ideias ou a uma análise do discurso, e ela é o fundamento do saber, e sua história é uma série de cortes que instauram novas configurações, e a arqueologia é a descrição dessas configurações.

6. A arqueologia remonta ao fundamento, e os rostos da ordem que ela descobre são como as manifestações do Ser, e as mudanças desses rostos se identificam com o historial do Ser, que dá o impulso à história humana.

7. A arqueologia é guiada pelo idealismo, e a episteme determina tanto a percepção quanto a ciência, e o a priori não encontra um dado que se preste ao conhecimento, mas faz surgir no campo do saber objetos que já são seus objetos, disponíveis e transparentes.

8. Foucault recusa o homem real, e o homem para ele é apenas o conceito de homem, uma figura evanescente em um sistema temporário de conceitos, e a questão do homem não foi colocada onde se afirma o sujeito cartesiano, que é o lugar de um discurso onde a representação e o ser se entrelaçam.

9. O homem só aparece no campo do saber na aurora do século XIX, e ele está prometido a uma desaparição próxima, e a data de nascimento deste conceito é fixada no século XIX, e o conceito de homem é um conceito entre outros, sujeito às mesmas mutações que os outros conceitos.

10. O homem é duplamente recusado, como inventor do sistema e como objeto no sistema, e o sistema de necessidades tornou possíveis as individualidades que chamamos de Hobbes ou Berkeley, e as mutações que animam o sistema são eventos na ordem do saber, impessoais e imprevisíveis.

11. O sistema não é mais logos, mas é o inumano no homem e ao redor do homem, a ondulação do sangue, a vontade cega de viver, a palavra pítica, e tudo o que anuncia ao homem sua finitude e o conduz aos confins da loucura, e a transformação do sistema sugere uma exaltação da finitude.

12. A paixão do sistema e a paixão tout court, a obscura embriaguez da revolta e da desmesura que se expõe à morte, convivem na obra de Foucault, e a finitude é exaltada, e o homem morre em beleza na fascinação violenta do paroxismo.

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