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O Esquecimento do Ser
Deely1971
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A emergência da questão do Ser como atenção filosófica ao mistério da totalidade, entendida como aquilo que se manifesta sempre além de qualquer região particular do ente, estabelecendo desde o início o horizonte no qual a investigação heideggeriana se move.
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A caracterização da filosofia como surgindo da atenção ao todo enquanto todo, o que explica a proximidade inicial entre a investigação do Ser e a metafísica tradicional.
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A distinção entre perguntas regionais e perguntas metafísicas, sendo estas últimas aquelas que interrogam o ente enquanto ente, sem privilégio ontológico para qualquer domínio específico da realidade.
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A introdução da tese segundo a qual toda pergunta metafísica supõe necessariamente a situação existencial daquele que pergunta, de modo que a questão do Ser implica simultaneamente o ente interrogado e o Dasein que interroga.
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A duplicidade estrutural da pergunta metafísica, que aponta ao mesmo tempo para os entes e para a condição de possibilidade da própria interrogação.
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A afirmação de que a pergunta metafísica não apenas visa o ente em sua totalidade, mas retorna reflexivamente ao fenômeno que torna possível tal questionamento.
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A explicitação do caráter existencial dessa reflexividade, segundo a qual a pergunta revela o Dasein como aquele para quem o ente enquanto tal pode aparecer.
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A experiência fundamental de estar-em-meio-ao-ente-no-todo, distinta de qualquer compreensão conceitual do todo dos entes.
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A distinção essencial entre compreender a totalidade do ente, o que é impossível, e encontrar-se sempre já situado no meio do ente enquanto totalidade.
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A caracterização dessa situação como um traço estrutural permanente da existência humana, não como um estado cognitivo ocasional.
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A identificação dessa diferença como o núcleo temático inicial da problemática heideggeriana do esquecimento do Ser.
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A determinação do mundo como horizonte unitário de manifestação dos entes, irredutível à soma de todos os entes particulares.
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A rejeição da concepção do mundo como mera totalização quantitativa de coisas, valores, instituições e ideias.
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A exigência de uma significação própria do mundo, capaz de explicar como os entes são enquanto entes no interior de um horizonte de sentido.
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A compreensão do mundo como condição de possibilidade para que os entes apareçam como tais.
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A descoberta do caráter negativo ou ocultante da manifestação do ente no todo.
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A constatação de que os entes sempre se destacam contra um fundo de totalidade que nunca é plenamente apreendido.
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A tese de que o Ser se revela apenas ao revelar os entes, permanecendo ele mesmo inapreensível em si.
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A formulação do paradoxo segundo o qual o Ser se oculta precisamente no ato pelo qual faz os entes aparecerem.
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A experiência do esquecimento do Ser como experiência histórica fundamental da filosofia.
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A afirmação de que os filósofos da tradição não tematizaram explicitamente o caráter ocultante do Ser.
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A descrição da descoberta heideggeriana segundo a qual a questão do Ser conduziu imediatamente à experiência de seu esquecimento.
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A interpretação desse esquecimento não como falha contingente, mas como consequência estrutural da maneira como o Ser se manifesta.
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A aproximação entre a concepção heideggeriana e a noção tomista de contração do Ser nas categorias da linguagem.
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A apresentação da ideia de que o Ser se contrai nos modos discursivos, perdendo-se na determinação categorial.
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A articulação dessa contração com a noção heideggeriana de negatividade intrínseca ao Ser.
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A compreensão da verdade como processo de desvelamento e ocultamento simultâneos, identificado com aletheia.
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A determinação do Ser como finito em razão de sua manifestação plural nos entes.
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A tese de que presença e presente nunca coincidem plenamente.
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A consequência de que o Ser se retira necessariamente por trás dos entes aos quais concede presença.
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A definição do mistério do Ser como esse retraimento essencial no próprio revelar-se.
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A formulação da diferença ontológica como núcleo da problemática do Ser.
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A distinção entre entes e Ser enquanto tal, entendida como diferença radical e irredutível.
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A caracterização do Ser, do ponto de vista entitativo, como Não-ente ou Nada.
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A afirmação de que o Nada não é simples negação, mas o próprio modo como o Ser se distingue dos entes.
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A interpretação do Nada como horizonte positivo da inteligibilidade.
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A afirmação de que algo é compreendido como ente apenas por oposição ao Nada.
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A ampliação do conceito de ente para além da substância sensível, incluindo significações, atos, afetos e possibilidades.
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A identificação da diferença entre algo e nada como a distinção mais originária do pensamento do Ser.
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A centralidade da pergunta por que há ente e não antes nada.
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A interpretação dessa pergunta não como busca de uma causa suprema, mas como interrogação sobre a possibilidade mesma da manifestação do ente.
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A compreensão dessa possibilidade como processo de não-ocultamento marcado pela negatividade.
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A denúncia do esquecimento do Ser como esquecimento desse processo originário.
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A crítica à metafísica tradicional como pensamento que opera a partir de uma compreensão prévia e não tematizada do Ser.
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A tese de que a metafísica permanece restrita ao ente enquanto ente.
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A afirmação de que a verdade é reduzida à verdade do conhecimento, perdendo seu caráter originário de desvelamento.
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A conclusão de que a metafísica, por sua própria estrutura, permanece excluída da experiência do Ser.
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A necessidade de partir do Nada para recolocar a questão do Ser.
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A afirmação de que, se o Ser não é ente, a investigação deve começar pelo que não é ente.
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A identificação do Nada como nome desse ponto de partida.
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A equivalência entre dizer que o Ser não é coisa e dizer que ele é Nada.
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A exigência de uma transformação do homem em Dasein como condição para pensar o Ser.
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A tese de que apenas no Dasein o Ser pode aproximar-se da verdade para o homem histórico.
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A afirmação de que o Ser do ente é compreensível apenas se o Dasein se mantém originariamente no Nada.
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A necessidade de uma analítica fundamental do Dasein para esclarecer essa possibilidade.
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A redefinição da essência do homem a partir da compreensão do Ser.
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A rejeição da definição do homem como animal racional enquanto fundamento último.
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A caracterização do homem como aquele para quem o Ser está em questão.
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A compreensão da autocompreensão humana como expressão onticamente inadequada de uma estrutura ontológica mais originária.
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A compreensão pré-ontológica do Ser como estrutura fundamental do Dasein.
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A afirmação de que essa compreensão não é conceitual nem plenamente explícita.
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A tese de que toda tematização ontológica é uma radicalização dessa compreensão prévia.
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A identificação do Dasein como o lugar do Ser entre os entes.
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A conclusão provisória sobre o esquecimento do Ser.
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A afirmação de que a recuperação do Ser exige uma transformação simultânea da concepção de homem e da tarefa da filosofia.
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A indicação de que essa recuperação não elimina a metafísica, mas a reconduz ao seu fundamento.
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A abertura da questão metodológica sobre a adequação da fenomenologia para sustentar essa transformação.
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