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Mundo e Historicidade 2 – palavras iniciais
MAC2020
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A análise fenomenológica de Ser e tempo inicia-se com uma citação de Platão que problematiza a ignorância acerca do significado da palavra 'ente', retomando assim o começo da metafísica e sua 'gigantomaquia' entre a academia e os sofistas
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A repetição da questão do ser coloca em debate se ela reitera o original da metafísica ou um original pré-metafísico
O tempo é conceituado não como uma estrutura externa, mas como aquilo que temporaliza o ser do ser-aí, possibilitando a estrutura do cuidado como antecipar-se-a-si-mesmo-já-sendo-junto-aA análise preparatória fundamental do ser-aí em Ser e tempo, centrada na cotidianidade mediana, tem como objetivo descrever os existenciais que determinam o modo de ser humano-
A absorção no mundo fático é uma necessidade decorrente da indeterminação ontológica do ser-aí, visando à conquista de seu ser mais próprio
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Tal análise culmina na crise dos sentidos cotidianos, revelada pela tonalidade afetiva fundamental da angústia, a qual suspende os focos fenomenológicos que dão consistência ao ser-aí
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Esta crise revela inexoravelmente o caráter de cuidado do ser-aí
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A crise abre a possibilidade de colocar e suspender o problema da realidade do mundo exterior
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A crise revela a imbricação originária entre o ser-aí, a verdade e o mundo como momento veritativo
A síntese de Martin Heidegger no parágrafo 45 de Ser e tempo apresenta os resultados da análise preparatória-
A constituição fundamental do ser-aí é ser-no-mundo, com estruturas centradas no descerramento
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O ser-aí conquista seus modos de ser a partir da abertura de sentido que articula a totalidade significativa como campo de manifestabilidade
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O termo ser-aí designa o homem como o ente que, sendo, coloca em jogo seu próprio ser e o ser da totalidade
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Os modos de ser do ser-aí confundem-se com os modos de ser do seu mundo, revelando o cuidado como determinante radical
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A angústia possibilita ao ser-aí conquistar-se a si mesmo como cuidado
O descerramento, cooriginário ao existir, possui uma estrutura tripartida compreensivo-dispositivo-discursiva-
A compreensão corresponde à abertura de sentido
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A disposição corresponde à facticidade atmosfericamente aberta
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O discurso corresponde à totalidade significativa enraizada em um campo de fenomenologização
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A interpretação articula a fala do mundo e não é um existencial originário
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A unidade dessas três instâncias faz com que o ser-aí cuide de si, colocando-o em contato com o ser da totalidade
A essência do ser-aí é cuidado não por cuidar onticamente de si, mas porque todos os seus comportamentos possuem uma repercussão ontológica, relacionando-se necessariamente com seu serA afirmação de Martin Heidegger de que a ontologia só é possível como fenomenologia no parágrafo 7 de Ser e tempo articula-se com a relação entre cuidado e compreensãoMartin Heidegger empreende uma ontologização da compreensão, transformando-a de faculdade metodológica, como em Wilhelm Dilthey, em caráter próprio do existir-
Existir significa compreender, pois implica projetar o campo de sentido que permite a uma possibilidade mostrar-se como tal
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A relação entre compreensão, sentido e possibilidade possui um caráter ontológico, permitindo relações com diferentes modos de ser (utensiliaridade, subsistência, realidade, etc.)
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Para relacionar-se com um ente em seu sentido de ser (ex: utensílio), o ser-aí precisa previamente compreender e projetar esse sentido
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O projeto de sentido do ser-aí sempre se intersecciona com a abertura compreensiva do sentido de ser do ente em questão
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A compreensão prévia de sentido de ser é condição para qualquer comportamento adequado em relação aos entes
O ser-aí é um ente privilegiado ontologicamente não apenas por determinar-se a si mesmo, mas porque suas possibilidades de ser exigem necessariamente uma compreensão de sentido de ser dos entes em geralA ontologia fundamental, ao perguntar pelas condições de possibilidade da pergunta sobre o sentido do ser, possui uma interface necessária com a analítica existencial do ser-aí-
A análise do ser-aí implica analisar a abertura de sentido de ser que torna possíveis as ontologias
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Essa abertura é cooriginária à existência e não um elemento derivado
Um problema central surge da constatação de que, na cotidianidade, o sentido se retrai de maneira tácita, absorvendo o ser-aí no mundo e dificultando o acesso fenomenológico à compreensão projetiva-
A proximidade excessiva da compreensão de ser torna difícil alcançar evidência fenomenológica sobre ela
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Martin Heidegger enfrenta o dilema de encontrar um projeto existencial onde a compreensão de sentido de ser torne-se expressa, sob o risco de restar apenas o projeto impessoal
A solução para o dilema estrutural em Ser e tempo é buscada na introdução do tema da morte, o qual conduzirá à essência temporal do cuidadoestudos/casanova/mundo-historicidade-2-prologo.txt · Last modified: by mccastro
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