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estudos:caron:ser-temporal-peos-ii-3-2

Caron (2005:1599) – ser-temporal, acordo das três ekstases

PEOS

  • O ser-temporal é bem o acordo das três ekstases.
    • Mas esse acordo, essa coesão, é ela mesma concedida, dada pelo Es.
    • O ser-temporal é portanto ele mesmo dado.
    • O tempo em quem o pensamento retomou o ser e manifestou a identidade do ser e do tempo no Anwesen, é ele mesmo retomado numa doação que concede esse acordo que ele é.
    • O Es dá o tempo como a extensão desenhada pela presença.
    • O ser como tempo é essa presentificação que desenha o espaço livre no qual tudo aparece.
    • “« Espaço livre do tempo » nomeia agora o Aberto, que se esclarece no dar que porta e aporta uns aos outros o futuro, o ser-passado e o presente.”
    • “Só esse Aberto – e ele só – concede ao espaço tal como o conhecemos habitualmente todo seu espacejamento possível.”
    • “A doação esclarecedora que porta e aporta uns aos outros o futuro, o ter-sido e o presente é ela mesma pro-espacial; somente assim ela pode conceder lugar ao espaço, i. e. dá-lo.”
  • O ser-temporal é o jogo de tensão das três dimensões.
    • Isso não significa que ele seja tridimensional, mas, o que é bem diferente, que ele se reduz inteiramente a não ser senão sua própria tridimensionalidade.
    • Nela, ele permanece portanto Mesmidade.
    • O tempo em si mesmo não é, não é nada de ente.
    • Ele é esse hiato de vazio entre todas as coisas, esse hiato concedendo as três dimensões.
    • A ele é ao mesmo tempo dado conceder, isto é, dar.
    • Assim, da comunhão das três dimensões temporais nasce o dom de uma presença una.
    • Com o acordo – no sentido de estabelecimento de unidade – há igualmente acordo como dom.
    • É preciso, portanto, olhar para aquilo que é propriamente uma quarta dimensão do ser-temporal.
    • É aquilo que concede toda presença no duplo sentido do termo e como simultaneidade desse duplo sentido.
    • “O tempo verdadeiro é quadri-dimensional. O que enumerando nomeamos a quarta, segundo a questão é a primeira, i. e. o dar que determina e concede tudo.”
    • “Ele aporta no sobrevir, no ter-sido, no presente, o avanço de ser que cada vez lhes é próprio, os mantém – fazendo claridade – uns fora dos outros, e os mantém assim uns para os outros na proximidade a partir da qual as três dimensões permanecem aproximadas umas das outras.”
    • “É por isso que essa primeira, essa inicial e no sentido próprio da palavra entre-prenante doação – onde repousa a unidade do tempo verdadeiro –, nós a nomeamos: a proximidade aproximante.”
    • A quarta dimensão é, portanto, a do “Es” da própria doação.
    • Ela é quarta na ordem da descoberta, mas primeira na ordem do ser.
    • Essa dimensão retoma nela as três dimensões ekstáticas do ser-temporal e lhes confere em seu mistério sua unidade.
    • O Es é a origem doadora que desdobra o espaço da doação.
    • Essa origem é em si mesma, diz Heidegger, Nahheit, proximidade.
    • Essa Nahheit é o ser-aproximante que, ao mesmo tempo, nos é próximo.
    • Isto é, o elemento que une todas as coisas numa mesma presença enquanto se volta para nós.
    • Heidegger precisa que essa Nahheit tem o caráter do impedimento e da reserva.
    • Aquilo que concede está assim igualmente mantido em reserva: ele preserva e reserva seus dons para equilibrar o jogo da manifestação.
    • É o próprio Es que porta em si a complexidade dessa essência, quarta dimensão do ser-temporal.
    • Concedendo, ele se vela: permanece em retiro para dar e para adaptar as diferentes regiões desdobradas, em suma, para conceder.
    • Toda doação tem lugar no acordo das presenças dadas.
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