estudos:caron:ser-tempo-sendo-peos-ii-3-2
Nem o ser nem o tempo podem ser propriamente afirmados como "sendo" (2005:1559)
PEOS
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Nem o ser nem o tempo podem ser propriamente afirmados como “sendo”; não se pode dizer deles que “são”, como se diz de um ente.
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O pensamento do tempo e do ser, para ser rigoroso, deve depender do pensamento de uma doação na qual eles se desdobram.
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Tudo o que se pode dizer deles é “Il y a” [Há], “Es gibt”: “Es gibt Sein”, “Es gibt Zeit”.
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Ambos estão inseridos num movimento de doação que os ultrapassa.
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Trata-se de ultrapassar as denominações tradicionais mediante a manifestação desse próprio ultrapassamento.
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É preciso evidenciar a relação do tempo e do ser e o elemento de doação que essa relação descobre ao pensamento.
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Se o ser é enviado, é porque procede de um envio mais originário, de uma doação da qual é produto.
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Ao dizer “ser”, diz-se a doação, mas não tudo o que essa doação quer dizer.
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Para alcançar o que a doação quer dizer, é preciso repensar a relação do ser e do tempo no seio da doação.
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O questionamento deve ser deslocado.
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Ser significa Anwesen – aproximação do ser, seu desdobramento na presença.
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Se se tem olhar para o ente que assim avança na presença, então o ser, o avanço do desdobramento do ser, aparece como “deixar-se desdobrar na presença”.
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Agora, trata-se de pensar propriamente esse deixar-se-desdobrar-na-presença.
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Isto é, trata-se de pensar a medida na qual é dado lugar ao desdobramento em presença.
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O ser é a doação mesma, mas ele mesmo provém de uma doação mais fundamental.
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Ao afirmar isso, é preciso reter que não se avança para um fundo mais originário que o ser.
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O ser já é o fundo aquém do qual não há outro fundo.
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Avança-se, sim, para aquilo que a palavra “ser”, pela qual designamos a doação, dissimula nela mesma dessa doação.
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A totalidade de “Tempo e Ser” deve ser lida como a iluminação do elemento que concede o ser.
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Não no sentido de que o ser dependa de algo mais originário que ele, o que é impossível.
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Mas no sentido de que o pensamento que se apodera da palavra “ser” para dizer a doação vela a tenção profunda desse ser.
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Se o pensamento se puser à escuta, essa tenção profunda desvela sua verdade.
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As fórmulas de “Tempo e Ser” não devem ser tomadas como um retorno para um mais profundo.
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Devem ser tomadas como um deixar-se-desvelar daquilo que o ser diz.
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O “e” que liga ser e tempo é o título de uma co-pertença originária do ser e do tempo a partir de seu fundo essencial.
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Heidegger caminha para o pensamento desse fundo originário concedente do mais originário.
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Conhecem-se dois registros de retirada, que estruturalmente velam a doação.
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Primeiro registro: o ser retira-se em favor do ente que ele dá.
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Segundo registro: como o ser é ele mesmo doação, a palavra “ser” vela ela mesma a doação que ele é em seu fundo.
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Desse modo, temos três elementos: o ente, a luz que o faz ser e se vela nele, e a noite da luz, a nuven, o esclarecimento mesmo não esclarecido que se vela na luz.
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O ser retira-se em favor do ente – esta é a modalidade mais conhecida do processo doação/retirada.
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Igualmente, o mistério do “Il y a” vela-se em favor da presença.
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Para melhor dar a compreender esse complexo desdobramento, num seminário sobre “Tempo e Ser”, Heidegger retoma a significação temporal do que está aqui em questão.
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