estudos:caron:hermeneutica-peos-477
regência hermenêutica (2005:477)
PEOS
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Consumação aristotélica da compreensão grega do ser-homem como presença luminosa
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A ontologia aristotélica consuma a compreensão grega do ser-homem fundada na interpretação do ser como luz, presença e estar-em-obra, isto é, como aquilo que se manifesta a partir de si mesmo sob o primado da visibilidade.
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O ser é pensado como aquilo que se oferece essencialmente ao olhar de uma contemplação adequada, de modo que a inteligibilidade coincide com a clareza do aparecer.
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O si mesmo humano reduz progressivamente sua abertura ao âmbito do visível, abandonando a dimensão do combate com o inquietante e com o fundo não-ente que acompanha toda doação do ente.
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Função decisiva do princípio de não-contradição no fechamento do horizonte do ser
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O princípio de não-contradição expressa o ponto culminante dessa evolução ao excluir do pensamento toda consideração do não-ente enquanto fundo constitutivo do ente.
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A ausência é expulsa do domínio da presença, pois tudo aquilo que implicaria uma co-pertinência entre presença e não-presença é declarado estranho à essência do ente.
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Com isso, o ser é definitivamente pensado como plena positividade presente, e o retraimento originário da doação deixa de ser tematizável.
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Eliminação da lethe como dimensão constitutiva do aparecer
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A rejeição da lethe implica a perda da compreensão do ente como emergente de um fundo de ocultação.
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O ente passa a ser considerado simplesmente como dado, encontrado aí, sem relação essencial com um domínio de não-manifestação.
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A doação deixa de ser pensada como graça ou acontecimento, e o ente se estabiliza como produto acabado.
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Consolidação do esquema produtivo do ente
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O ente é interpretado como resultado de uma in-formação, seja pela natureza compreendida de modo técnico, seja pela ação humana.
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O processo de manifestação é substituído por um esquema de produção no qual a forma antecede e governa o aparecer.
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O ente já não se adianta a si mesmo na presença, mas é provocado a aparecer segundo um modelo previamente determinado.
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Instauração da disponibilidade como traço fundamental do ser do ente
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O ente é compreendido como subsistente colocado à disposição, desprovido de qualquer vínculo essencial com um processo originário de desvelamento.
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A disponibilidade torna-se o caráter ontológico dominante, aquilo pelo qual o ente é propriamente ente.
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O si mesmo reconhece no ente apenas um frente-a-frente utilizável e manipulável.
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Metafisicação do si mesmo como meta-phýsis
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O si mesmo humano se separa de sua origem no retraimento originário e passa a mover-se exclusivamente no domínio do que lhe é dado.
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A ipsidade deixa de se compreender como lugar de acolhimento do ser e passa a identificar-se com a capacidade de manejar o ente disponível.
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O esquecimento da proveniência da própria ipseidade acompanha o esquecimento do ser como abismo doador.
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Esquecimento da injunção originária do ser
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A sentença de Anaximandro, compreendida como injunção do ser, deixa de ser ouvida.
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O deixar-ser recolhedor é substituído pela manipulação técnica do que é confiado.
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A necessidade que exige o ser-homem degenera em simples possibilidade de uso e domínio.
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Centralidade ontológica da ousia como disponibilidade
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A ousia passa a designar primariamente o fundo de riqueza, o bem disponível, aquilo que está à mão.
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Essa acepção pré-filosófica é consolidada pela determinação filosófica da ousia como aquilo que permanece.
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A história posterior da metafísica herda essa determinação como evidência não questionada.
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Determinação do ente como hypokeimenon
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A ousia é precisada conceitualmente como hypokeimenon, o que jaz sob, o subjacente permanente.
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O ente é aquilo que permanece idêntico através das mudanças, garantindo estabilidade e presença constante.
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Essa determinação fornece o esquema fundamental para a interpretação posterior do ser do ente como substância.
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Tradução latina do hypokeimenon como subjectum
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O hypokeimenon é traduzido como subjectum, estabelecendo a estrutura da subjetidade.
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Todo ente, inclusive o homem, é concebido como algo previamente dado que serve de base.
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A subjetividade moderna herdará essa estrutura, antes de tudo, como subjetidade.
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Redução da estrutura do si à estrutura do ente
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O si mesmo passa a ser interpretado segundo o modelo do ente subsistente.
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A estrutura ek-stática da ipseidade é silenciada em favor de uma identidade fechada e monolítica.
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O si se compreende como um algo entre outros algos, dotado de permanência e disponibilidade.
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Restrição do si ao domínio do não-oculto
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O homem se instala no distrito do aberto sem retraimento.
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A pertença ao não-oculto implica simultaneamente uma limitação quanto ao não-manifesto.
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O eu emerge como efeito dessa restrição, não como centro originário, mas como medida moderada do visível.
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Passagem gradual da moderação grega à desmedida moderna
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A moderação do homem grego ainda reconhece o limite imposto pelo retraimento.
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Progressivamente, essa moderação cede lugar à vontade de submeter todo ente à clareza.
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A subjetividade moderna radicaliza essa tendência ao exigir a total disponibilidade do ente.
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Distinção entre diferença ontológica e diferença metafísica
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A diferença ontológica designa a distinção entre ser e ente, condição de possibilidade do filosofar.
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Essa diferença permanece operante, mas não tematizada, no pensamento grego originário.
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A diferença metafísica surge quando essa distinção é deslocada para o interior do ente, como distinção entre essentia e existentia.
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Instauração da diferença metafísica como efeito do esquecimento do ser
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A diferença entre essência e existência substitui a diferença entre ser e ente.
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O ser é rebaixado à condição de determinação do ente.
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O ente passa a conter em si mesmo o critério de sua própria inteligibilidade.
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Hierarquização interna do ente
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O ente é dividido em níveis, distinguindo-se o mais ente do menos ente.
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A essência imutável é elevada à condição de fundamento.
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A existência contingente é compreendida como derivada e secundária.
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Consolidação da metafísica da subjetividade
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A interpretação do ente como disponível e do si como subjectum prepara o advento da subjetividade moderna.
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O homem se torna medida e fundamento do aparecimento do ente.
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A metafísica culmina na dominação técnica do ente enquanto realidade inteiramente explorável.
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