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estudos:caron:gewissen

Caron (2005:932) – Gewissen

PEOS

  • A abertura resoluta como assunção do ser-para-a-morte e a constituição da individualidade própria
    • A abertura resoluta (Entschlossenheit) é possibilitada pelo ser-para-a-morte (Sein-zum-Tode), que o Dasein decide assumir
    • É no ser-para-a-morte que o si-mesmo (soi) encontra a estrutura possível de sua individualidade própria
    • O cuidado (Sorge) constitui apenas o penúltimo fenômeno da existencialidade do si-mesmo, antecedendo a revelação plena do ser-para-a-morte
    • A Entschlossenheit representa a Erschlossenheit da própria Erschlossenheit: é a tomada de consciência e a assunção da abertura da qual a ipseidade é tecida
    • Trata-se da Erschlossenheit em si e para si, na qual a abertura se revela a si mesma na voz da consciência (Gewissen)
  • A natureza do chamado da consciência e sua relação com o nada
    • O chamado não oferece nenhum conteúdo, nenhum projeto, e não diz o que deve ser feito
    • Ele não é uma voz que se dirige ao si-mesmo como um objeto de apreciação ou como uma curiosidade psicológica
    • O chamado não convida a um diálogo interior, mas provoca o Dasein para suas possibilidades mais próprias
    • Ele se dá no silêncio, sem ruídos ou palavras, mas não é obscuro ou indeterminado
    • A consciência fala unicamente no modo do fazer-silêncio
    • O chamado é experimentado como terrível e ameaçador pelo homem imerso no “On” (impessoal) e agora confrontado com o não-ente
    • O homem perde toda referência e sente-se morrer sob o peso dessa exigência
    • Para que o chamado dessa voz seja vivido como um dom ou uma bênção, é necessário responder à sua exigência e sustentar a habitação no abismo
    • Isso exige uma quietação resoluta, ou o que Heidegger chamará mais tarde de Gelassenheit (serenidade)
    • A paz só pode se desenhar nos fragmentos quando o si-mesmo assume a exigência do chamado e suporta a permanência no abismo
  • A convocação do si-mesmo e a estranheza do chamado
    • A convocação do si-mesmo não se dirige a uma interioridade que possa se fechar ao mundo exterior
    • O chamado salta por cima de tudo isso, dispersando-o, para convocar apenas aquele si-mesmo que existe na forma do ser-no-mundo
    • O chamado não fornece nenhuma informação sobre eventos mundanos, nem abre um diálogo interior
    • Ele convocou o si-mesmo para seu poder-ser mais próprio, sem determinar esse si-mesmo em um “quid” específico
    • O si-mesmo convocado permanece indeterminado e vazio em seu “quid”
    • O Dasein se compreende inicialmente a partir daquilo com que se preocupa, mas o chamado ultrapassa isso
    • O si-mesmo é atingido de maneira unívoca e direta, sem aceitação de pessoa
    • O chamador também permanece em uma indeterminação marcante
    • Ele não responde a perguntas sobre nome, estado, origem ou consideração
    • Não se deixa tornar familiar a uma compreensão do Dasein orientada de maneira mundana
    • O chamador do chamado é estranho ao “On” cotidiano, que está perdido na diversidade do mundo de sua preocupação
  • A estranheza do chamado e a precedência do ser
    • O chamado revela o inquietante, o estranho como tal
    • Essa inquietante estranheza, que chama o si-mesmo em sua profundidade, provém misteriosamente do próprio si-mesmo
    • No si-mesmo, há uma instância na qual o si-mesmo se mantém, mas que não é o si-mesmo
    • No si-mesmo, um além do si-mesmo toca o si-mesmo, dirige-se a ele e lhe fala
    • O chamado vem do si-mesmo, mas ao mesmo tempo o transcende
    • Heidegger rejeita interpretações que veem o chamador como uma potência estrangeira ou como Deus
    • O chamador não é um ente simplesmente dado (Vorhandenheit)
    • É o Dasein em sua estranheza originária, lançado como fora de si mesmo
    • É o “que” nu no nada do mundo
    • O chamador é não familiar ao “On” cotidiano
    • O chamado não oferece nada que possa ser ouvido pela orelha preocupada e curiosa
    • Nada que possa ser repetido e comentado publicamente
  • A resposta ao chamado e a assunção da abertura resoluta
    • O si-mesmo responde ao chamado com a abertura resoluta (Entschlossenheit)
    • Essa resposta significa olhar para a injunção revelada pelo ser-para-a-morte
    • Significa deixar se desdobrar um elemento cujo ser é se desdobrar e que nos precede
    • O que precede e que chama é o lugar, a proveniência da estranheza
    • O chamado vem de mim e todavia me ultrapassa
    • O chamador é indeterminado, mas o lugar de onde ele chama não permanece indiferente para o chamar
    • Esse “de onde” - a estranheza do isolamento lançado - é co-chamado no chamar
    • O “de onde” do chamar, na pro-vocação a…, é o “para onde” do recordar
    • Há não somente chamado, mas também e sobretudo recordação
    • O Dasein se volta para uma voz sempre já ouvida sem jamais ter sido realmente escutada
    • Tomando sobre si o inquietante, o si-mesmo se resolve a ser o mais inquietante
    • Assume o desgarramento da diferença ontológica
    • É o lugar onde a noite vem ao dia
    • O si-mesmo é ad-vocado a fim de retornar ao lugar do chamado
    • Ao lugar nenhum da espacialidade pura
    • Não que ele tenha abandonado esse lugar que não se pode desertar
    • Mas não o pensou, não o habitou, não construiu nele
    • O si-mesmo se encontra então totalmente impotente para dominar seu próprio fundo
    • Só pode ser a ele atribuído
    • A estrutura do si-mesmo rege o si-mesmo
    • Ser, o Dasein é lançado - não é levado a seu “Aí” por si mesmo
    • Ser, é determinado como um poder-ser que pertence a si mesmo
    • E todavia não se deu a si mesmo como a si mesmo
    • Existindo, o Dasein nunca passa atrás de seu ser-lançado
    • De tal maneira que poderia liberar a cada vez propriamente
    • A partir de seu ser-si-mesmo e conduzir ao “Aí” o que ele é e tem a ser
    • O si-mesmo é tomado em um ser que lhe torna manifesto seu ser e seu ser-tomado-neste-ser
    • Embora não tenha posto ele mesmo o fundamento, repousa em sua gravidade
    • Que a tonalidade como carga lhe torna manifesto
    • O si-mesmo se precede sempre a si mesmo em seu ser
    • Tanto quanto dizer que não repousa em si mesmo, mas em um ser que o envia a si mesmo
    • O si-mesmo é o lugar onde, como Da, o ser se manifesta em sua pesantez de imensidade
    • O si-mesmo não é outra coisa senão o ente para o qual há ser
    • É a compreensão do ser, e esse genitivo deve agora ser entendido em seu duplo sentido
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