estudos:caron:estrutura-si-pensamento-peos-1346
a estrutura do si-mesmo é o pensamento (2005:1346)
PEOS
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A estrutura do si-mesmo (soi) é o pensamento, a qual está depositada no próprio pulso do ser e visa preservar a memória do desvelamento e de seu retiro constitutivo.
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O pensamento não constitui um atributo do ser-humano, mas é, originariamente, um acontecimento do ser, um prolongamento do alétheia.
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A essência do homem só pode ser determinada a partir da essência do ser, pois o homem pertence ao ser.
A ipseidade (ipséité) do homem não significa a constituição de um eu substancial ou a inserção em uma comunidade de eus.-
O que confere ipseidade é estar voltado para o ser, que é sua origem e elemento próprio.
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É através do ser que o si-mesmo pronuncia a palavra mais misteriosa: “eu sou eu”, em uma margem de transcendência.
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A metafísica tradicional falha ao não questionar a verdade do ser como tal, reduzindo o ser ao ente e, consequentemente, o si-mesmo a um mero eu (moi).
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Esta redução é representada pela definição do homem como animal rationale, onde a razão é um acréscimo externo a um ente.
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Ao interrogar o ser apenas como ser do ente, o pensamento se afasta de sua origem.
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Esta situação é alarmante para o si-mesmo, que é depositário do ser, mas ao buscar no ente, perde a memória deste dom.
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A essência do homem se mostra como o *rapport* que abre o ser ao homem, conforme o conceito heideggeriano de existência.
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O homem possui, mais essencialmente que uma presença ôntica, uma presença ontológica que a torna possível.
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O homem é o ente cuja abertura permite que o ser se anuncie e se recubra, se conceda e se furte.
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É este *rapport* com o ser que o constitui como um *ipse* e não apenas um *idem*, como si-mesmo.
O homem é o ser que, no ser, mostra o ser, mostrando assim seu próprio retiro. -
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