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Caron (2005:1599) – Es gibt, compreensão do dom
PEOS
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A partir do Es gibt, temos dois registros de compreensão do dom.
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Primeiro registro: o dom como essência ou desdobramento.
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Segundo registro: o dom como proveniência desse desdobramento.
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Ora, a proveniência do dom é ela mesma um dom.
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O dom é portanto ele mesmo a proveniência, e essa proveniência não é nada de mais profundo.
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Mas, igualmente, ela é bem proveniência: ela é portanto mais essencial no sentido em que se dá ao pensamento como um aspecto mais originário.
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Encontramo-nos portanto diante de um elemento propriamente insensível, que nos faz chegar aos limites do pensamento, isto é, ao pensamento mesmo.
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Precisamente insensível, essa essência demanda ser pensada e não dominada.
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Ela é o último fundo, ainda indeterminado, cuja essência enigmaticamente doadora governa tudo e dá toda doação.
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Ela dá a doação do ser e a doação do tempo.
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Ser e tempo encontram nela o pensamento de seu desdobramento.
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Toda doação provém desse Es doador.
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O essencial não é a presença, pois esta não fornece o fundo de seu próprio ser-doador.
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O essencial é a presença em seu ser, em suma, aquilo que faz que a presença é presença: o deixar-se-desdobrar-a-presença dessa presença.
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O essencial é o ser como vinda em presença.
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Essa doação do ser como presença, sabemos que é o tempo ele mesmo idêntico ao ser, pois o tempo é Anwesenslassen.
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Se o ser é presença, é porque o Lassen age nele, é porque ele é Anwesenslassen.
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E se ele é Anwesens, é porque ele é tempo.
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Há, portanto, na origem do ser um Lassen que parece ser o tempo.
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O Es que dá o ser parece portanto ser o tempo.
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“O ser mostra-se: doação da dispensação da presença, concedida pelo outorgamento do tempo”.
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O tempo deveria então constituir a última estação do pensamento.
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Mas o tempo também não diz enquanto tal a doação.
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Sabemos, por outro lado, que esse Lassen é também aquele do ser, que vimos aparecer há muito precisamente como Seinlassen.
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Em última instância, o próprio ser remete portanto ao Lassen.
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O tempo e o ser remetem àquilo que os concede como doação.
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Encontramos, portanto, por toda parte o Lassen que faz ser a presença.
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O tempo, diz Heidegger, não é ele mesmo o Es que dá ser, pois o tempo permanece ele mesmo na doação de um Es gibt.
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Se o tempo apareceu como o fator de uma melhor legibilidade do ser manifestado doravante como ser-temporal, ele não apareceu por isso como seu fundo.
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Ser e tempo são um mesmo ser-temporal constituindo e difundindo uma mesma doação que diz a palavra Lassen.
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Toda forma de realidade e todo elemento não-ôntico podem ver sua presença posta em movimento pela questão: “O que dá…?”.
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Tudo, exceto o próprio Lassen.
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O tempo nos ensina qual é o dom que dá o ser, torna mais legível, manifestando o Anwesen e identificando-se ao ser, a essência do ser.
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Mas ele demanda por sua vez a proveniência de sua doação.
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Por que há tempo? Qual é esse Es que dá tempo?
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Assim, “enquanto, há pouco, meditávamos o ser, mostrou-se: o inteiramente próprio do ser, aquilo em que ele tem seu lugar e onde permanece retido, isso se mostra no « Il y a », no seu dar, entendido como destinar”.
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“O próprio do ser não é nada do gênero do ser. Se pensamos propriamente após o ser, então a questão ela mesma (o que nela se debate) nos conduz de uma certa maneira longe do ser, fazendo-nos abandoná-lo, e pensamos o destinar que dá o ser como doação”.
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O ser é avanço em presença, é aí sua verdade, é dela que ele provém.
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A palavra “ser” vela assim o essencial de sua essência e demanda ser mudada à medida que essa essência desdobrante vem ao pensamento.
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O presente é “algo que avança se desdobrando (prae-s-ens)”.
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Esse avanço é o tempo, é o ser como ser-temporal, é a identidade do ser e do tempo que esclarece para o pensamento a tenção do ser.
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Mas isso não significa que o tempo seja mais profundo que o ser.
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Pois, por um lado, é precisamente mostrando-se idêntico ao ser que o tempo esclarece a essência doadora do ser.
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Por outro lado, conhecemos o ser como doação desde o início.
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O tempo e o ser permanecem idênticos e são ambos retomados no seio do mesmo Es gibt que eles são.
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Assim, o tempo não tem privilégio sobre o ser e desemboca no mesmo mistério de presença, em seu próprio mistério de presença.
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“Mas onde está o tempo? Está mesmo, e tem um lugar? Manifestamente, o tempo não é nada. É por isso que permanecemos circunspectos e dissemos: Há tempo, Es gibt Zeit [e não « o tempo é »]”.
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Qual é, mais uma vez, a tenção desse Es cujo enigma recorrente continua a impor-se ao pensamento?
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Encontramo-nos sempre diante do enigmático “Es” que nomeamos dizendo: “Es gibt Zeit”; “Es gibt Sein”.
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Heidegger indica imediatamente após que esse “Es” não é uma potência indeterminada subjacente à doação do ser e à doação do tempo.
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Isso nos recorda que ser e tempo não dependem de nenhuma substância.
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A progressão posta em obra por “Tempo e Ser” não visa a retornar para algo de mais profundo.
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Ela tem por objetivo esclarecer a doação que dizem o ser e o tempo doravante aparecidos como um mesmo Anwesen.
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Permanecemos longe do perigo “enquanto nos mantivermos nas determinações do dar”.
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Mas a tenção desse dar deve ser pensada até o fim.
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