estudos:caron:ente-ser-ha-peos-ii-3-2
ente, ser, Es gibt – presente, presença, e deixar-entrar-em-presença (2005:1559)
PEOS
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Os três termos – ente, ser, Es gibt – podem ser formulados em termos temporais: presente, presença, e deixar-entrar-em-presença.
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O primeiro registro de retirada é o da presença naquilo que ela dá: o presente.
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Aquilo que torna visível apaga-se em favor daquilo que torna visível.
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A partir do momento em que se retrocede do ente para o ser e se está diante da presença enquanto tal, ela permanece misteriosa.
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Algo nela se recobre.
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Está-se diante da clareira [Lichtung] possibilitante do aberto, dentro do qual tudo toma forma e aparece.
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Essa clareira da presença, em si mesma obscura, viu sua dimensão enigmática apagada pela metafísica.
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A metafísica considerou a presença da presença como uma evidência e a esvaziou de todo mistério.
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Reduziu-a a uma simples matéria destinada a tomar forma.
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Mesmo que para a metafísica o velamento do ser tenha permanecido velado, e o mistério do ser esteja ausente de sua preocupação onto-teo-lógica, o pensamento possui agora os meios de dirigir-se à destinação em si mesma obscura do aberto ou da presença.
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A metafísica deixa impensado o mistério de que haja presença.
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A resposta metafísica à questão “por que há algo e não nada?” consiste na instalação de um Ens summum como princípio.
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Com isso, evoca apenas o como de um mecanismo natural.
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Essa clareira, já invisível em si mesma, como a pura luz concreta que torna visível, provém ela mesma de uma origem que se vela nesse aberto.
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Isso pode assim fazer crer na evidência dessa presença.
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Para ser, a presença deve ser deixada ser: ela manifesta sua própria presença.
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A presença é presença, ela se mantém numa enigma de advento.
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Que as coisas sejam presentes constitui o mistério da presença.
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Poder reconhecer esse mistério não o elimina, e a presença mesma não se torna um mistério menor.
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Simplesmente, o mistério é tomado em vista.
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O primeiro regime de velamento, a presença no presente, aprofunda-se num segundo regime de velamento.
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Esse segundo regime é o da própria doação da presença na presença.
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Isto é, o do deixar-vir-à-presença na presença.
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Está-se diante do enigma da presença enquanto tal, e não apenas do ente.
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Para o pensamento metafísico, o ente rapidamente encontra sua “razão suficiente”.
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O mistério é também a presença como presença.
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A presença mantém-se em si mesma como seu próprio mistério.
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O mistério é o dom dessa presença, o enigma de que haja – não apenas algo, mas simplesmente que haja.
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A presença remete ao seu próprio mistério, o “Il y a” mostra-se como “Il y a”.
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A descoberta da presença enquanto tal e como fonte luminosa do presente não nos compensa do mistério de tal eclosão.
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Há o presente, há a presença, há o deixar-vir-à-presença, isto é, o “il y a”.
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É sobre esse mistério que o pensamento, um passo aquém da constituição onto-teo-lógica da metafísica, faz recair seu agir meditante.
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Heidegger distingue os diferentes registros do pensamento da doação, mostrando as diferentes modalidades de sentido do Lassen próprio à doação.
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