SER-NO-MUNDO SE TORNANDO SER-MUNDO (2024)
Ausência : sobre a cultura e a filosofia do extremo oriente / Byung-Chul Han ; tradução de Rafael Zambonelli. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2024.
Quem não está ligado a nenhuma coisa e a nenhum lugar determinados, quem caminha e não habita em parte alguma está acima de qualquer perda. Quem não possui nada de determinado também não perde nada:
Se um barco está escondido no lodo, se uma montanha está escondida no fundo do mar, pensa-se que estão seguros; mas à meia-noite vem alguém forte, carrega-os às costas e parte, enquanto o [proprietário] dorme e não percebe nada disso. Um grande espaço é adequado para esconder uma coisa pequena, mas existe a possibilidade de que ela se perca; mas, se o mundo estiver escondido dentro do mundo 1), ele não pode se perder 2).
Aqui, Zhuang Zhou tematiza uma relação particular com o mundo. Exige-se que o ser-no-mundo dissolva suas fronteiras e se torne um ser-mundo, desdiferenciando-se. O ser humano – ou, para falar como Heidegger, o Dasein – está em ocupação na medida em que é menor que o mundo e se distingue no interior do mundo. Para desocupar-se, ele deve ser o mundo inteiro e se desdiferenciar no mundo em vez de se apegar a um conteúdo determinado do mundo, a uma distinção. Ser-no-mundo é ocupação. Ao contrário, ser-mundo é ser sem ocupação.
