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estudos:benoist:heidegger-6-2006

RESUMO DE CURSO SOBRE HEIDEGGER 2006 (6)

Joscelyn Benoist. Heidegger. Cours Agrégation 2006. Paris: Presses Universitaires de France, 2006.

A diferença entre intuição sensível e intuição categorial é uma distinção decisiva para Husserl, introduzida na Sexta Investigação Lógica. As estruturas categoriais = conceituais também podem ser dadas. O categorial não pode ser dado como a coisa sensível, no entanto. Ver “o giz sobre a mesa” tem um certo sentido. Por outro lado, vejo que “o giz está sobre a mesa” = mais um ver de coisa, mas um ver que tem como objeto um tipo de objeto superior que Husserl chama de estado de coisa. Esse estado de coisa tem uma estrutura categorial. Há aí uma predicação que é o resultado de um jgt. É possível que essas objetividades sejam dadas. Ver que não é do mesmo tipo, mas que é bem um ver. A intuição categorial: intuição de objetos categoricamente estruturados (objeto de um jgt frequentemente). Não é a preocupação essencial de Heid, mas em Meu caminho na fenômenologia, ele menciona que a intuição que ele tinha para isso era essa ideia de que o ser da coisa em si podia ser intuído (intuição categorial). Ideia essencial de uma intuição do ser = fazer a fenomenologia, mas em um terreno de experiência. Do ser, pode haver uma certa forma de experiência. Experimentar a coisa sensível e suas relações não é do mesmo nível = para Heid, confrontar-se com a coisa e com o ser da coisa não é a mesma coisa. A distinção entre o ser e o existente está aqui em gestação. Intuição inegável, portanto, para os objetos categóricos. Faz sentido referir-se ao ser da coisa e há uma experiência disso para Husserl: é isso que interessa a Heid. As intuições categóricas constituem-se pela emergência de intuições simples sensíveis. Sobre o ser pode, portanto, construir-se outro tipo de experiência. Mas temos uma tendência a não nos debruçarmos sobre o ser da coisa. Na leitura que Heid faz dessa intuição categorial, ele já é ele mesmo: ele a chama, desde 1919, de “intuição hermenêutica” em seu curso. Coordenadas totalmente diferentes das de Husserl. Ele retoma o tema em 1925. Diferença em relação à intuição categorial de Husserl: não necessariamente ligada à lógica (categorial); o importante é o ponto de vista do sentido e da interpretação (visão de algo tal como é interpretado); toda intuição é, de qualquer forma, hermenêutica (tie do compreender de SZ).  Ideia de que toda intuição é, na verdade, categorial = carregada de sentido de acordo com nosso horizonte cultural… Certa forma de relativismo cultural e linguístico. A riqueza do conceito de intuição categorial, uma vez compreendido, nos obriga a afirmar que toda intuição é categorial. A dimensão da escuta tem uma influência profunda sobre o ver. Termina, portanto, com uma ligação totalmente diferente da de Husserl, que mantém o caráter essencial das intuições sensíveis simples (mesmo que moderadas com a última concepção que ele terá da intencionalidade).

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