User Tools

Site Tools


estudos:begout:atmosferologias-2020

UMA BASE FILOSÓFICA PARA AS ATMOSFEROLOGIAS (2020)

BÉGOUT, Bruce. Le concept d’ambiance: essai d’éco-phénoménologie. Paris: Éditions du Seuil, 2020.

  • Apresentação da eco-fenomenologia das ambiências como fundamento filosófico para as abordagens contemporâneas do fenômeno, observando um “tournant atmosphérique” nas ciências humanas.
    • A pesquisa estética, os estudos arquitetônicos e urbanos, a psicopatologia, a sociologia, a história e a antropologia, entre outros, utilizam tecnicamente os termos “ambiance” e “atmosphère”.
    • Esses termos descrevem relações essenciais com o ambiente, desde ambiências sonoras urbanas até a ressonância nas relações sociais.
    • As ambiências são um enjeu artístico, social e político, envolvendo todos os aspectos da existência humana e extra-humana.
  • Interpretação do interesse teórico como sintoma de época, ligado à estetização da vida e ao marketing emocional, mas transcendendo esse sentido galvaldado para um autêntico interesse no ancoramento corporal no mundo.
    • A atenção às qualidades atmosféricas do entorno é um traço da consciência hipermoderna.
    • Citação de Henri Maldiney sobre a percepção de um raio de luz como aspecto do mundo, não como estado interior ou objeto.
    • Essa atenção aponta para uma hermenêutica do medial, do fundo, do entre, com raízes mais profundas que a influência mercantil.
  • Crítica às abordagens teóricas contemporâneas da ambiência, consideradas frequentemente incompletas e carentes de um eixo claro de pesquisa, resultando em uma “joyeuse confusion”.
    • A teoria das atmosferas se consolida com dificuldade, dada a novidade e ubiquidade do objeto.
    • As análises carecem de coerência interna, produzindo discursos equívocos entre abordagens subjetivas e objetivas.
    • A ambiguidade do fenômeno frequentemente destacada pelos pensadores gera discursos igualmente equívocos.
  • Definição da ambição do trabalho como uma perspectiva original e radical, que segue a contrapelo dos discursos eruditos, através da abordagem imersiva.
    • A abordagem imersiva visa captar a ambiência como experiência não substancial nem relativa, respeitando seu auto-desdobramento.
    • Ela supera a noção bastarda de atmosfera, que hesita entre sentimento interno e caráter objetivo, conferindo-lhe legitimidade filosófica.
  • Conclusão sobre o papel da eco-fenomenologia em fundamentar uma verdadeira pensamento das ambiências e reforçar uma ontologia medial do ser-no-mundo.
    • O que há para pensar é a inerência pré-reflexiva e não-intencional no mundo.
    • O vivente expressa em seu ser a pertença a uma totalidade; o eu é penetrado pelo meio e vice-versa.
    • A ambiência é a manifestação sentida dessa vibração do meio e dessa pertença afetiva às situações.
    • Considerar a ambiência abre os olhos para a presença tonal do meio e permite penetrar no fundo indiferenciado do ser, superando a separação entre eu e mundo.
estudos/begout/atmosferologias-2020.txt · Last modified: by 127.0.0.1