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Quiasma derradeiro
BARBARAS, Renaud. De l’être du phénomène. Grenoble: Jérôme Millon, 1991
O quiasma derradeiro
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A questão do rapport entre o mundo da expressão e o mundo sensível se organiza em torno de saber se é o mesmo ser que percebe e que fala, sendo necessário reconhecer que é o mesmo sem que isso restabeleça o Cogito, o que exige superar tanto a filosofia do fato, tributária da atitude natural, quanto a filosofia da essência, situando-se no ponto de articulação entre percepção e palavra, orientação que preside à elaboração da noção de carne
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a citação inicial questionando se é o mesmo ser que percebe e que fala, e se isso não restabeleceria o Cogito
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o visível definido como exploração de um universo de ideias, presentação de um invisível, podendo ser concebido como palavra incoativa ou originária, uma palavra antes da palavra
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a expressão não podendo ser oposta à ordem do sentir, sendo ainda uma modalidade dele, caracterizada como sublimação, o sentir já sendo expressão e a expressão ainda um sentir
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a citação segundo a qual as Essências são Etwas do nível da palavra, como as coisas são Essências do nível da Natureza
Reconhece-se uma analogia, um paralelismo entre percepção e expressão sem que se deva identificá-las pura e simplesmente, sua relação devendo ser compreendida como quiasma, modalidade da reversibilidade que é verdade última-
a citação segundo a qual não se pode falar nem de destruição nem de conservação do silêncio, a queda da visão silenciosa na palavra e a inscrição desta no campo do nomeável se dando sempre em virtude do mesmo fenômeno de reversibilidade
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a recusa de conferir ao visível uma positividade, o sensível não sendo uma camada última mas um modo de manifestação do Ser
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sensível e inteligível compreendidos como dimensões cujo rapport se retoma sobre o modelo daquele que rege, no seio do sensível, entre suas partes, ambos sendo mundos no sentido merleau-pontiano de conjuntos fechados e representativos de todo o resto
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a citação sobre o tato e a visão como dois universos radicalmente distintos e no entanto transponíveis um no outro, sensível e inteligível funcionando como emblemas um do outro
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a exigência de que a unidade do sensível e do inteligível seja ao mesmo tempo sua diferença, pois é o mesmo que percebe e que fala mas é precisamente o Ser que ambos manifestam
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a impossibilidade de restituir o Ser além da diferença entre sensível e inteligível, cuja comunicação não pode se mudar em identidade sem perder sua profundidade
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a crítica à fenomenologia que reificava a diferença entre sensível e inteligível fundando-a em universos autônomos, ao passo que a diferença do Ser e do ente deve ser reconhecida como ela mesma não-ente
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o Ser definido como dimensão universal, dimensão de todas as dimensões, todo fato sendo dimensão e toda dimensão sendo fato para outra dimensão, em virtude da diferença ontológica
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a percepção e a expressão como dimensões últimas para o conjunto do campo fenomenal, sendo elas mesmas fatos para uma dimensão derradeira, a do Ser, eixo em torno do qual expressão e percepção se reencontram e se disjuntam
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a significação do quiasma derradeiro, o mundo sensível e o mundo inteligível envolvendo o Ser sem lhe serem outros, sendo esse justamente o meio pelo qual ele preserva sua profundidade absoluta
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a diferença absoluta entre o Ser e o ente só podendo ser compreendida como sua absoluta identidade, a carne designando em última instância o lugar onde a carne corporal e a carne gloriosa convêm ao se diferenciarem
O universo pressentido por Merleau-Ponty deve ser representado como uma proliferação de quiasmas integrados segundo diferentes níveis de generalidade, distinguindo-se quatro momentos, do sentir determinado à sensibilidade universal intersubjetiva, e desta à articulação com o mundo da expressão, sendo necessário compreender que tudo repousa no ponto de partida, a experiência sensível ela mesma retomada em todas as suas implicações-
a passagem da presença sensível solipsista à transcendência objetiva através da dimensão da sensibilidade universal, que constitui a intersubjetividade
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a transcendência objetiva não se esgotando na comunidade das consciências sensíveis, subsistindo apenas sob a forma da objetividade racional
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a distinção necessária entre o sensível em sentido restrito, exterioridade quase espacial, e o mundo sensível como sinônimo do Ser
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a experiência se fazendo expressão não por se transcender destruindo-se, mas por se diferenciar e se desmultiplicar em si mesma
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a citação segundo a qual o Ser é o lugar onde os modos de consciência se inscrevem como estruturações do Ser, e onde as estruturações do Ser são modos de consciência
É possível responder à questão do rapport entre o Ser e o mundo levantada por alguns comentadores, não havendo que opor ou distinguir mundo e Ser, o que desfiguraria ambos, o Ser não possuindo positividade própria que lhe permitisse se separar do mundo-
a citação da nota segundo a qual o invisível não é um outro visível, um positivo apenas ausente, mas Verborgenheit de princípio, invisível do visível, Offenheit de Umwelt e não Unendlichkeit
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o Ser como invisível do mundo, tendo necessidade do mundo para permanecer irremediavelmente ausente, sem que mundo e Ser se confundam por isso
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o mundo não podendo ser compreendido como realidade positiva, sendo ao mesmo tempo dissimulação e apresentação do Ser, exatamente apresentação do impresentável
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o próprio do mundo sendo exceder-se sempre a si mesmo, permanecendo inatribuível e inapreensível, ponto de passagem, abertura ao Ser
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a experiência mundana sendo o elemento de que o Ser precisa para se retirar na invisibilidade, sendo ao mesmo tempo expressão, palavra do Ser, e experiência de um mundo
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