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VALOR DA SUPERFÍCIE (LM:26-30)
ARENDT, Hannah. A Vida do Espírito. Tr. Antônio Abranches e Cesar Augusto R. de Almeida e Helena Martins. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000 [ARENDTVE] / The Life of the Mind: the Groundbreaking Investigation on How We Think. Boston: Houghton Mifflin Harcourt, 1981 [LM]
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O mundo cotidiano do senso comum, compartilhado por filósofo e cientista, permanece no domínio da aparência mesmo quando corrige erros e dissipa ilusões, porque toda des-ilusão apenas substitui uma evidência por outra e o próprio cientista pertence ao mundo das aparências ainda que com perspectiva diversa da do senso comum.
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Erro e ilusão como possibilidades inevitáveis do mundo comum.
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Ruptura de uma aparência como retomada ontológica por nova aparência.
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Ciência moderna como busca de verdade por trás das aparências sem garantia de superação do impasse.
A Era Moderna introduz a ideia de progresso ilimitado como resposta histórica ao impasse entre aparência e verdade, sustentando a expectativa de avanço contínuo sem crença num estágio final absoluto de verdade.-
Progresso seiscentista como noção inteiramente nova.
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Dogma moderno de progresso em mundo cientificamente orientado.
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Ausência de confiança em verdade definitiva e terminal.
As ciências voltadas ao humano intensificam o impasse e adotam o funcionalismo ao interpretar aparências como funções do processo vital, preservando a dicotomia metafísica entre Ser verdadeiro e Aparência e deslocando a questão para a necessidade orgânica das aparências como condições de processos internos.-
Biologia, sociologia e psicologia como campos diretamente implicados.
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Aparências não mais como qualidades secundárias, mas como condições necessárias.
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Supremacia do Ser mantida sob outra formulação.
A hierarquia tradicional é desafiada pela hipótese inversa segundo a qual o processo vital seria função das aparências, tornando plausível localizar o relevante e significativo na superfície de um mundo que aparece.-
Inversão entre aparência e processo vital.
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Superfície como lugar do relevante no mundo fenomênico.
Adolf Portmann contesta a hipótese funcional da aparência como mero instrumento de autopreservação e conservação da espécie ao mostrar que órgãos internos não aparentes existem para produzir e sustentar aparências, sendo o simples fato de aparecer anterior às funções preservadoras e condição de sua significação.-
Publicações sobre formas e figuras da vida animal.
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Órgãos internos como sustentação do aparecer.
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Aparecer como auto-exposição anterior a finalidades vitais.
A variedade animal e vegetal, com superfluidade funcional, refuta teorias estritamente funcionalistas e revela na plumagem e em outras formas visíveis um valor intrínseco de aparência, de modo que Portmann propõe uma morfologia cujo problema central é como algo aparece e não o que algo é.-
Riqueza de exposição como excedente de função.
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Partes visíveis como roupagem colorida de valor intrínseco.
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Forma funcional pura como caso raro e especial.
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Prioridade do aparecer sobre processos reais e centrais internos.
A forma animal deve ser compreendida como órgão de referência ao olho que observa, formando com ele unidade funcional regida por regras rígidas, e essa perspectiva permite distinguir aparências autênticas espontâneas de aparências inautênticas que se tornam visíveis apenas por interferência e violação da aparência autêntica.-
Unidade funcional entre olho e visível.
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Regras de adequação recíproca comparáveis às da digestão.
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Aparências autênticas versus inautênticas.
A inversão ganha razoabilidade pela diferença fenomênica entre formas externas diversas e simétricas e aparatos internos desagradáveis e indiferenciados, de modo que o interior não aparece de fato e o exterior tem a função de ocultar e proteger o processo vital, pois se o interior aparecesse todos pareceriam iguais.-
Diversidade e diferenciação individual em formas externas.
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Simetria como lei de organização do exterior.
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Indiferenciação e aspecto desagradável dos órgãos internos.
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Interior recoberto para não ser exposto à luz do mundo fenomênico.
Um impulso inato de auto-exposição, Selbstdarstellung, gratuito para a preservação e excedente à atração sexual, sugere atividade espontânea no aparecer e implica que tudo o que pode perceber também tende a apresentar-se como indivíduo, culminando na espécie humana.-
Selbstdarstellung como coerção distinta do instinto funcional.
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Querer ser visto, ouvido e tocado como tendência do vivo.
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Auto-exposição como apresentação do indivíduo e não de um eu interno.
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Clímax humano da auto-exposição.
A inversão morfológica implica um valor da superfície em que a aparência possui poder máximo de apresentação em relação ao interno de funções mais primitivas, mas a terminologia de expressão cria dificuldades porque a expressividade da aparência não remete a um interior e sim à exibição de si mesma, sugerindo que padrões metafísicos do essencial sob a superfície e a primazia da vida interior são ilusões, embora a linguagem disponível permaneça falha para corrigir tais pressupostos.-
Valor da superfície como consequência de amplo alcance.
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Expressão como termo problemático por sugerir interioridade.
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Aparência como apresentação de si e não como expressão de ideia ou emoção.
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Preconceitos metafísicos do essencial oculto como erro.
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Convicção da vida interior como mais relevante como ilusão.
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Falha terminológica como obstáculo conceitual.
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