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estudos:werner-marx:razao-e-mundo-da-vida

RAZÃO E MUNDO DA VIDA (I)

MARX, Werner. Reason and World: Between Tradition and Another Beginning. Dordrecht: Springer Netherlands, 1971.

  • A filosofia tardia de Husserl, enquanto ciência do mundo-da-vida, apresenta-se como paradoxal ao afirmar simultaneamente a fenomenologia como logos, razão livre de fins e culminação da existência humana, e ao mesmo tempo reconhecer como primordial e salutar o âmbito da doxa, vida não racional orientada por finalidades, além de conjugar distanciamento metodológico da esfera dos sentimentos e volições com um interesse prático em salvar a humanidade europeia de sua crise.
    • Fenomenologia como logos e razão autônoma.
    • Mundo-da-vida como domínio de doxa.
    • Desengajamento metodológico da vida prática.
    • Interesse vital na salvação da humanidade europeia.
    • Suspeita de submissão a tendências do tempo.
  • Diante da secularização e da ruptura da tradição ocidental, desenvolveu-se desde meados do século XIX uma busca do primordial em múltiplos campos criativos, movida por crítica cultural e pela esperança de reencontrar fontes originárias capazes de gerar novas formas de organizar som, linguagem, arte e pensamento, concebendo o primordial como genuíno, perfeito e salutar em contraste com a situação presente.
    • Secularização e ruptura da tradição.
    • Busca do primordial em artes e filosofia.
    • Retorno para além da tradição.
    • Primordial como genuíno e salutar.
    • Contraste com a situação histórica imperfeita.
  • Na filosofia, essa busca do domínio primordial e salutar iniciou-se como reação ao Idealismo alemão, sendo para Feuerbach a finitude sensível do ser humano corpóreo o verdadeiro fundamento em oposição à autoconsciência infinita hegeliana, o que fundamenta uma filosofia do futuro dotada de força transformadora por se inserir no mundo como seu membro.
    • Reação ao Idealismo alemão.
    • Feuerbach e a finitude sensível.
    • Crítica à autoconsciência lógica infinita.
    • Filosofia do futuro como força irresistível.
    • Inserção no mundo em vez de pressuposição absoluta.
  • Para o jovem Marx, o primordial e salutar reside na natureza verdadeira do ser humano enquanto criatura viva dotada de forças objetivas e materiais, cuja emancipação da alienação constitui a tarefa prática da filosofia, a qual, ao tornar-se eficaz, supera a si mesma enquanto theoria.
    • Natureza humana como criatura viva e material.
    • Oposição ao espírito infinito idealista.
    • Alienação como condição a ser superada.
    • Filosofia como meio de emancipação.
    • Superação da filosofia enquanto teoria.
  • A Lebensphilosophie, especialmente em Dilthey, identifica o primordial na vida fática e histórica vivida em sua obscuridade e ambiguidade irredutíveis ao conhecimento conceitual, compreendendo-se não como ciência externa à vida, mas como atividade reflexiva que interpreta a vida e intensifica a consciência com referência explícita às realidades vitais.
    • Vida fática como fato fundamental.
    • Irredutibilidade ao conhecimento analítico.
    • Vida como experiência imediata e poderosa.
    • Filosofia como atividade vital reflexiva.
    • Categorias da vida voltadas à eficácia prática.
  • Husserl, ao contrário, não entende a fenomenologia como atividade derivada da reflexividade da vida, mas como culminação racional da existência humana enquanto ciência que não opera dentro da vida orientada por fins, embora pareça ao mesmo tempo desvelar estruturas primordiais da vida interessada e nutrir um interesse vital na salvação da humanidade empírica.
    • Fenomenologia como culminação racional.
    • Distanciamento da vida orientada por fins.
    • Desvelamento das estruturas do mundo-da-vida.
    • Reconhecimento do primordial na vida interessada.
    • Interesse vital na salvação da humanidade.
  • O propósito é investigar se tais tensões configuram paradoxos filosoficamente intoleráveis e determinar se a ciência husserliana do mundo-da-vida constitui efetivamente uma busca do primordial, genuíno e salutar, bem como em que sentido ela manifesta um interesse vital na salvação da humanidade ocidental.
    • Exame da consistência filosófica.
    • Esclarecimento do sentido do primordial em Husserl.
    • Análise do interesse vital.
    • Relação entre mundo-da-vida e salvação cultural.
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