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estudos:schurmann:mathesis-1987

MATHESIS (1987:51)

SCHÜRMANN, Reiner. Heidegger on Being and Acting: from principles to anarchy. Tr. Christine-Marie Gros with the author. Bloomington: Indiana University Press, 1987

Como vimos, uma época é dominada pelo que é “capturado primeiro” nela, pelo seu primum captum, seu princípio. Quando a época moderna é descrita pelo triunfo da subjetividade, isso significa que, pelo menos desde Descartes, mas mais profundamente desde Platão, a filosofia tem sistematicamente questionado o homem “em primeiro lugar” e tudo o mais em relação a ele. O homem é a origem teórica a partir da qual os objetos recebem seu status de objetividade. Nada é mais revelador a esse respeito do que o projeto de uma mathesis universal: para os modernos, o conhecimento só está protegido do ataque da dúvida quando se baseia em um primeiro que torna a mathesis “universal”, ou seja, “voltada para o uno”, voltada para o homem. O projeto cognitivo moderno consiste em estabelecer o sujeito como o fundamento inabalável e indubitável do conhecimento. Não é assim para os projetos de pensamento. Se, com o fechamento, o pensamento alcança sua emancipação do saber, ele também se liberta do domínio do Um. Para o pensamento, em oposição ao saber, a origem não se oferece como um principium. Dentro do pensamento, a palavra “origem” recupera seu significado etimológico: oriri, surgir. Para o pensamento, e incipiente com o fechamento, a originação significa múltiplas presenças.

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