estudos:polt:conhecedor-conhecido-2006
IDENTIDADE DO CONHECEDOR E DO CONHECIDO (2006)
POLT, Richard F. H. The emergency of being: on Heidegger’s contributions to philosophy.Ithaca, NY: Cornell Univ. Press, 2006.
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A rejeição heideggeriana das concepções tradicionais de verdade e pensamento dirige-se contra a degeneração da relação original entre pensar e ser, substituindo a participação na manifestação pela representação de objetos através de universais.
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Crítica à verdade como correspondência e identidade entre conhecedor e conhecido.
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Genealogia da degeneração apresentada na Introdução à Metafísica.
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Ruptura com a unidade pré-socrática pelos sistemas de Platão e Aristóteles.
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A leitura de Parmênides e Heráclito revela uma unidade originária onde o pensamento atua como apreensão e logos que responde à auto-organização e abertura do próprio ser.
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Identidade parmenídica entre apreensão (Vernehmen) e ser.
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Necessidade de apreensão para a auto-abertura do ser.
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Logos heraclitiano como resposta humana ao logos cósmico.
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A experiência pré-socrática do ser como physis ou presenciar exige a participação íntima do pensamento como um segurar-em-mãos que é simultaneamente segurado pela emergência dos entes.
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Physis definida como auto-exibição e permanência.
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Necessidade de recolhimento perceptivo para o desvelamento.
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Reciprocidade entre o pensamento e o vigorar dos entes.
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O pensamento do primeiro início fornece indícios valiosos sobre a reciprocidade entre ser e pensar, embora não seja idêntico ao pensar-em-fundo que Heidegger busca no outro início.
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Distinção entre presenciar (Anwesen) e apropriação (Ereignis).
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Diferença entre o segurar-em-mãos grego e o pensar-em-fundo futuro.
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Valor dos indícios históricos para a nova forma de pensar.
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A decadência inicia-se com o platonismo, que desloca o foco da emergência para a forma estática do ente presente, transformando a verdade de desvelamento em correção da representação.
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Analogia do foco na espuma em detrimento das ondas.
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Primazia da ideia (eidos) sobre a physis.
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Redefinição da verdade como conformidade ao protótipo.
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A concentração do pensamento na formação de asserções corretas leva à subordinação do ser à lógica e à redução da realidade àquilo que pode ser representado proposicionalmente.
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Assunção de que a representabilidade define a existência.
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Governança do ser das coisas pelas regras de consistência lógica.
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Redução do ser à entidade ou seridade (Seiendheit).
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A metafísica subsequente substitui o vigorar do ser por generalidades vazias e categorias abstratas que são incorretamente tratadas como estruturas a priori ditando regras aos entes.
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Supervisão e ditadura do pensamento sobre o ser.
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Natureza derivada e abstrata das categorias universais.
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Falsa pretensão de responder o que são os entes.
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A interpretação exclusiva do pensamento como representação proposicional resulta em consequências desastrosas, tornando a filosofia incapaz de novas experiências e reduzindo o mundo a objetos de exploração pela maquinação moderna.
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Adoção da representação como diretriz única nas Contribuições.
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Perda da capacidade de experimentar o desvelamento.
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Redução dos entes a material para medição e uso.
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A resistência aos universais baseia-se na primazia do pertencimento histórico e situado, argumentando que a teoria abstrai as condições temporais que permitem o acesso aos entes.
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Substituição de universais por pertencimento ou propriedade.
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Esquecimento da base cultural pré-teórica na inspeção teórica.
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Verdade como cooperação histórica entre passado e futuro.
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Limitação da teoria a domínios restritos de correção.
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A razão falha em pensar historicamente ao depender de conceitos fixos e universais que pressupõem a presença constante, ignorando o evento único da doação e a necessidade de transformação do pensador.
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Fixidez dos conceitos como requisito para regras lógicas.
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Superficialidade dos argumentos racionais diante da historicidade.
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Cegueira para o evento único da apresentação dos entes.
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A análise das reações internas à tradição, como o empirismo, o senso comum e o idealismo alemão, é necessária para verificar se estas abordagens conseguem superar as limitações do pensamento representacional.
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Foco do empirismo e senso comum no particular.
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Tentativa idealista de unificar sujeito e objeto.
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Questionamento sobre a eficácia dessas alternativas.
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A crítica do senso comum à abstração filosófica é ineficaz porque a linguagem e o pensamento cotidianos já estão saturados de generalidades e universais, dos quais a filosofia é apenas uma radicalização.
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Presença de abstrações em frases triviais.
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Impossibilidade de articular crítica sem usar conceitos gerais.
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Continuidade entre pensamento cotidiano e tradição filosófica.
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O empirismo simples falha ao tentar derivar o universal do particular, pois a própria busca e identificação de objetos particulares pressupõem representações gerais prévias.
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Necessidade da ideia de árvore para encontrar uma árvore.
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O conceito de particular como uma representação geral.
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Incapacidade de explicar a origem do sentido do ser.
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A inversão da hierarquia entre particular e universal realizada pelo empirismo ou por Nietzsche mantém-se dentro da estrutura metafísica, sem questionar a origem da distinção ou a natureza do ser.
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Permanência na distinção entre um e muitos.
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Nietzsche como o último metafísico.
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Diferença entre pensamento histórico-do-ser e historicismo.
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O projeto de Hegel difere por rejeitar universais fixos em favor de um movimento dialético histórico que busca a reconciliação entre universal, particular, sujeito e objeto.
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Universais como ferramentas do entendimento, não da razão.
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Verdade como processo de desdobramento no tempo.
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Culminação de uma vertente de pensamento ocidental.
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A culminação hegeliana da verdade como identidade entre conhecedor e conhecido exige uma crítica radical que demonstre como essa unidade superior ainda permanece presa às limitações da metafísica.
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Identidade como alternativa à correspondência.
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Tentativa de resolver a divisão primordial (Ur-teil).
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Aplicabilidade da crítica heideggeriana à noção de identidade.
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A história da metafísica ocidental manifesta-se como uma sucessão de momentos de autopresença e autoconsciência, desde o deus aristotélico até o processo de recordação absoluta em Hegel.
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Auto-contemplação do deus em Aristóteles.
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Cogito cartesiano e unidade transcendental kantiana.
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Auto-consciência como ato gerador em Fichte e processo em Hegel.
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A crítica heideggeriana aponta que a autopresença absoluta viola a temporalidade radical do ser-aí e do ser, pois o acontecer do ser nunca pode se tornar um objeto presente ou um fundamento autoevidente.
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Ser-aí como temporalidade radical e não presença.
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Exposição ao ser através do tempo.
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Resistência do ser e da apropriação à caracterização como presença.
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A identificação hegeliana da atualidade com o pensamento incondicionado carece da finitude radical, eliminando a possibilidade de emergências genuínas e decisões contingentes em favor de um processo infinito.
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Interpretação da filosofia como consciência da representação.
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Finitude como mero meio para o infinito em Hegel.
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Irredutibilidade da contingência e do estranhamento em Heidegger.
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