estudos:ldmh:schelling
Schelling, Friedrich Wilhelm Joseph (1770-1854)
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Importância central de Schelling para um leitor de Heidegger, apesar de seu nome estar ausente em Ser e Tempo e do encontro significativo com seu pensamento ter sido relativamente tardio (início dos anos 1930).
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A mediação de Kierkegaard constitui um poderoso traço de união entre o pensamento extático de Schelling e a análise heideggeriana da existência.
O ponto de entrada de Heidegger na filosofia de Schelling é o escrito de 1809, Recherches philosophiques sur l'essence de la liberté humaine, anteriormente considerado um mero “escrito de circunstância”.-
Heidegger, em seu curso de 1936, restitui a importância deste tratado, revelando sua griffa.
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O escrito desdobra, a partir da essência da liberdade humana (distinta da liberdade divina), a questão de um “sistema da liberdade”, entendido por Heidegger como um ajointement (Gefüge).
Heidegger isola este escrito como uma joia e uma placa giratória na obra de Schelling, iluminando tanto seus períodos anteriores (filosofia da identidade, da natureza, da arte) quanto posteriores (filosofia “positiva” da mitologia e revelação).-
Destaca a oposição entre existência e o fundo obscuro (Grund), análoga à da luz e da gravidade.
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Nota-se, porém, uma ausência de conexão explícita entre a nova concepção heideggeriana do tempo (1927) e os Weltalter de Schelling, que elaboram uma concepção não cronológica do tempo.
Três volumes da edição integral (Gesamtausgabe) são dedicados a Schelling: tomo 28 (sobre o idealismo alemão), 42 (curso de 1936 sobre a liberdade) e 49 (curso de 1941, revisitando o tratado de 1809).-
Heidegger reconhece a estranheza entre sua filosofia da finitude e o projeto do idealismo alemão de “superar tudo o que é da ordem do finito”.
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No entanto, ele se pergunta centralmente o que o idealismo alemão, e Schelling em particular, tem a dizer.
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Schelling é apresentado como o “cume do idealismo alemão” (tomo 49), um pensador que, aos olhos de Heidegger, corre mais riscos filosóficos que Hegel.
A reavaliação de Schelling, libertando-o da sombra de Hegel, deve-se em parte ao trabalho de Heidegger.-
Essa “vitória póstuma” de Schelling também encontrou eco no mundo eslavo, onde seu pensamento teve uma recepção singular, por vezes vista como “desvio” em contextos marxistas ortodoxos.
Heidegger faz um comentário único e notável sobre um retrato fotográfico de Schelling (um daguerreótipo de 1848).-
Neste comentário de 1936, ele afirma que no rosto do velho Schelling não apenas um destino pessoal se joga, mas que é o “espírito historial dos alemães que procurava uma figura”.
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